As Delcias da Fofoca
                   Gossip Girl
                               Vol. 1


                                        oi, gente!

Vocs querem saber como  a vida dos eleitos? Bem, eu vou contar, porque fao parte deles.
No estou falando de modelos bonitas, nem de atrizes, nem de prodgios da msica, nem de
Gnios da matemtica. Estou falando de pessoas que nasceram para isso - as que tm tudo
o que qualuqer pode querer e que no do valor a nada.

Bem-vindos ao Upper East Side de Nova York, onde meus amigos e eu moramos,
estudamos, namoramos e dormimos - s vezes uns com os outros. Todos ns moramos em
apartamentos enormes, temos nosso prprio quarto, nosso prprio banheiro e nosso prprio
telefone. Temos acesso ilimitado a dinheiro, bebida e qualquer e qualquer coisa que a gente
quiser, e nossos pais raramente esto em casa, ento temos toneladas de privacidade.
Somos inteligentes, herdamos uma beleza clssica, usamos roupas incrveis e sabemos coo
nos divertir. Nosso coc ainda fede, mas no d para sentir o cheiro porque hora em hora a
empregada borrifa m desodorizador refrescante feito exclusivamente para ns por
perfumarias francesas.
 uma vida de luxo, mas algum tem que viv-la.

Nossos apartamentos ficam perto do Metropolitam Museum of Art na Quinta Avenida, e das
escolas particulares exclusivas para meninas ou meninos, como a Constance Billard, que a
maioria de ns freqenta. At de ressaca a Quinta Avenida sempre parece linda de manh,
com a luza do sol brilhando na cabea ds meninos gostoses da St. Jude's School.

Mas h algo de podre no caminho do museu.

Flagra

B com a me, discutindo em um txi na frente de Takashinaya. N apertando um na
escadaria do Met. C comprando sapatos novos para a escola na Barneys. E uma loura alta
conhecida conhecida e incrivelmente bonita, saindo de um trem de New haven na Grand
central Satation. idade aproximada, 17. Quem ser? S voltou?!

A GAROTA QUE VAI PARA O INTERNATO  EXPULSA E VOLTA PARA CASA.

Sim, S est voltando do internato. Seus cabelos esto mais compridos e mais claros. Os
olhos azuis tm o mistrio profundo de segredos bem guardados. Ele est usando as
mesamas roupas fabulosas, agora aos trapos depois de enfrentar as intempries da Nova
Inglaterra. Hoje de manh, o riso de S ecoou na escadaria do Met, onde no pudemos mais
curtir um fumo e um cappucino sem v-la acenando para ns do apartamento dos pais dela
do outro lado da rua. Ela agora tem o hbito de roer as unhas, o que nos deixa ainda mais
curiosos. Apesar de todo mundo estar morrendo de vontade de lhe perguntar por que ela foi
chutada do internato, ningum pergunta, porque preferimos que ela fique bem longe. Mas S
definitivamente est aqui.
S por segurana, devemos todos sincronizar os relgios. Se no tivermos cuidado, S vai
conquistar nossos professores, usar aquela roupa que no cabe na gente, comer a ltima
azeitona, transar na cama dos nossos pais, derramar Campari no nosso tapete, roubar o
corao de nossos irmos e namorados e basicamente acabar com a nossa vida e irritar a
gente de um jeito que voc nem imagina.

Vou ficar de olho. Vou ficar de olho em todos ns. Este ser um ano turbulento e
desagradvel. D para sentir o cheiro dele.

                                          Beijos,

                                        Gossip Girl

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como muitas histrias picantes, esta comeou numa festa

- Fiquei vendo o Nickelodeon a manh toda no meu quarto, ento no tive de tomar o caf
da manh com eles - disse Blair Waldorf a duas de suas melhores amigas e colegas de turma
na Constance Billard School, Kati Farkas e Isabel Coates. - Minha me fez uma omelete para
ela. Eu no tinha a menor idia de que ela sabia usar o fogo.
Blair prendeu os cabelos compridos castanho-escuros por trs das orelhas e bebeu um gole
do usque da me no copo de cristal que tinha na mo. J estava no segundo copo.
- Que programa voc assistiu? - perguntou Isabel, tirando um fio de cabelo do cardig preto
de Blair.
- Que diferena faz? - disse Blair, batendo o p. Estava usando as novas sapatilhas pretas.
Bem de aluna caretinha de escola preparatria, da qual ela conseguiu escapar porque mudou
de idia na ltima hora e colocou botas surradas, pontudas e de salto alto e aquela saia
metalizada e sexy que a me dela odiava. A gatinha peruinha meio rock. Miau. - O caso 
que fiquei presa no quarto a manh toda porque eles estavam ocupados tendo um baita caf
da manh romntico, cada um com um roupo de seda vermelha combinadinho. E eles nem
tomaram banho. - Blair tomou outro gole da bebida. A nica maneira de agentar a idia de
sua me dormindo com aquele homem era ficar bbada - muito bbada.
Por sorte Blair e as amigas vinham daquele tipo de famlia para a qual beber era to comum
quanto assoar o nariz. Os pais dela acreditavam na idia meio europia de que quanto mais
acesso as crianas tm ao lcool, menos provvel ser que abusem dele. Ento Blair e as
amigas podiam beber o que quisessem, desde que mantivessem as notas altas e as
aparncias e no passassem vergonha nem envergonhassem a famlia vomitando em
pblico, urinando na cala ou falando demais na rua. O mesmo valia para qualquer outra
coisa, como sexo ou drogas  desde que voc mantivesse as aparncias, tudo bem.
Mas nada de arriar a calcinha. Isso fica pra depois.
O homem com quem Blair estava irritada era Cyrus Rose, o novo namorado da me. Naquele
momento Cyrus Rose estava parado do outro lado da sala, recebendo os convidados para o
jantar. Ele parecia algum que podia ajudar voc a comprar sapatos na Saks  careca, com
um bigodinho cerrado, a barriga gorda meio aparecendo no terno azul brilhante trespassado.
Ele tinia as moedas no bolso sem parar e, quando tirava o palet, havia marcas de suor
grandes e horrendas nas axilas. Ele ria alto e era muito gentil com a me de Blair. Mas no
era o pai de Blair. O pai de Blair fugiu para a Frana com outro homem no ano passado.
 srio. Eles moram em um chteau e administram um vinhedo juntos. O que  muito legal,
se voc pensar bem no assunto.
 claro que nada disso era culpa de Cyrus Rose, mas isso no fazia diferena para Blair. No
que dizia respeito a Blair, Cyrus Rose era irritante, gordo e um man total.
Mas hoje  noite Blair ia ter de agentar Cyrus Rose, porque o jantar que sua me estava
dando era em homenagem a ele, e todos os amigos da famlia Waldorf foram l para
conhec-lo: a famlia Bass e seus filhos Chuck e Donald; o sr. Farkas e a sua filha Kati; o
famoso ator Arthur Coates, a esposa Titi e as ilhas Isabel, Regina e Camilla; o capito e a
sra. Archibald e o filho Nate. Os nicos que ainda no tinha chegado eram o sr. e a sra. van
der Woodsen cuja filha adolescente, Serena, e o filho, Erik, estavam fora, estudando.
A me de Blair era famosa por seus janteres, e este era o primeiro desde o divrcio infame.
A cobertura dos Waldorf tinha sido dispendiosamente redecorada naquele vero em
vermelhos profundos e marrons chocolate, e estava cheia de antigidades e obras que
teriam impressiando qualquer um que entendesse alguma coisa de arte. No centro da mesa
de jantar havia um enorme vaso de prata cheio de orqudeas brancas, folhas de salgueiro e
ramos de castanheira  um arranjo moderno da Takashimaya, a loja de produtos de luxo da
Quinta Avenida. Cartes folheados a ouro marcando os lugares foram colocados em pratos
de porcelana. Na cozinha, Myrtle, a cozinheira, cantava msicas de Bob Marley para o sufl,
e a empregada irlandesa desleixada, Esther, ainda no tinha derramado usque na roupa de
ningum, graas a Deus.
Blair estava prestes a dar uma de desleixada. Se Cyrus Rose no paresse de aporrinhar
Nate, o namorado dela, ela ia ter de atravesar a sla e derramar todo seu usque nos sapatos
italianos horrorosos dele.
 Voc e Blair esto saindo h bastante tempo, no ?  disse Cyrus, cutucando Nate no
brao. Ele estava tentando fazer com que o garoto relaxasse um pouco. Esses garotos do
Upper East side eram tensos demais.
Isso  o que ele pensa. D um tempo a eles.
 Voc j dormiu com ela?  perguntou Cyrus.
Nate ficou mais vermelho do que a tapearia de carruagem francesa do sculo XVIII ao lado
dele.
 Bem, a gente se conhece praticamente desde que nascei  murmurou Nate.  Mas s
estamos juntos h mais ou menos um ano. No queremos estragar tudo, sabe como ,
apressando tudo antes de estarmos prontos.  Nate s estava repetindo a frase que Blair
sempre dizia quando ele perguntava se ela estava pronta pra transar. O caso  que ele
estava falando com o namorado da me de sua namorada. O que ele devia dizer, "Cara, se
dependesse de mim, a gente ia transar agorinha mesmo."?
 Tem razo.  Cyrus Rose apertou o ombro de Nate com a mo gorducha. No pulso ele
tinha uma daquelas pulseiras Cartier de ouro que voc atarraxava e nunca mais tirava, muito
popular na dcada de 1980 e no to popular agora, a no ser que voc realmente entre
naquela onda de revival dos anos 80. Se ligaaaa!  Deixa eu te dar um conselho  disse
Cyrus, como se Nate tivesse escolha.  No oua uma palavra do que essa garota diz. As
meninas gostam de surpresas. Elas querem que voc mantenha as coisas interessantes. Est
me entendendo?
Nate assentiu, carrancudo. Ele tentou se lembrar da ltima vez em que tinha supreendido
Blair. A nica coisa que lhe veio a mente foi a vez que ele comprou pra ela um sorvete de
casquinha quando a pegou na aula de tnis. isso j fazia um ms, e era uma surpresa
insatisfatria por qualquer padro. Nesse ritmo, ele e Blair no iam transar nunca.
Nate era um daqueles garotos que a gente olha e percebe que eles esto pensando Essa
garota no pode tirar seus olhos de mim porque eu sou demais. Mas ele no era convencido.
No podia deixar de ser gostoso, s nasceu desse jeito. Coitadinho.
Naquela noite Nate estava usando o suter de cashmere verde-musgo com gola em V que
blair tinha dado a ele na ltima Pscoa, quando o pai dele os levou para esquiar em Sun
Valley por uma semana. Em segredo, Blair costurou um coraozinho de ouro no lado de
dentro de uma das mangas do suter, para que nate sempre usasse o corao dela em sua
manga. Blair gostava de se achar uma romntica incurvel no estilo das atrizes do cinema
antigo, como Audrey Hepburn e Marilyn Monroe. Ela sempre se saa com algum truque de
filme que estrelava no momento, o filme que representava a vida dela.
 Eu te amo  disse Blair a Nate quando deu o suter a ele.
 Eu tambm  respondeu Nate, embora no tivesse muita certeza disso.
Quando ele vestiu o suter, caiu to bem que Blair queria gritar e arrancar toda a roupa. Mas
no parecia atraente gritar no calor do momento  mais femme fatale do que garota-que-
pega-garoto , ento Blair ficou em silncio, tentando parecer frgil como um filhote de
passarinho nos braos de Nate. Eles se beijaram longamente, suas bochechas ao mesmo
tempo quentes e frias na rampa de esqui o dia todo. Nate enroscou os dedos nos cabelos de
Blair e a deitou na cama do hotel. Blair colocou os braos por cima da cabea e deixou que
Nate comeasse a despi-la, e isso no era um filme, era real. Depois, como uma boa menina,
ela se sentou e fez com que Nate parasse.
At hoje ela o fazia parar bem na hora. S duas noites atrs, Nate apareceu depois de uma
festa com uma garrafa de conhaque pela metade no bolso, deitou na cama de Blair e
murmurou, "Eu quero voc, Blair". Novamente, Blair quis gritar e pular em cima dele, mas
resistiu. Nate dormiu, roncou baixinho, e Blair se deitou ao lado dele e imaginou que ela e
Nate estrelavam um filme em que eram casados e ele tinha problemas com a bebida, mas
ela ficaria com ele e o amaria para sempre, mesmo que de vez em quando se molhasse na
cama.
Blair no estava tentando ser implicante, s no estava pronta. Ela e Nate mal se viram no
vero porque ela teve de ir para um acampamento horroroso da escola de tnis na Carolina
do Norte e Nate foi velejar com o pai na costa do Maine. Blair queria ter certeza de que
depois de passar todo o vero separados eles ainda se amavam como sempre se amaram.
Ela queria esperar para fazer sexo depois de seu aniversrio de 17 anos, no ms que vem.
Mas agora ela estava cansada de esperar.
Nate estava melhor do que nunca. O suter verde-musgo deixava os olhos dele de um
verde-escuro brilhante, e os cabelo castanhos ondulados estavam riscados de fios dourados
do vero no mar. E de repente Blair entendeu que estava pronta. Tomou outro gole do
usque. Ah, sim. Definitivamente, ela estava pronta.




uma hora de sexo queima 360 calorias

 Do que vocs dois esto falando?  perguntou a me de Blair, esgueirando-se ao lado de
Nate e apertando a mo de Cyrus.
 De Sexo.  Cyrus deu-lhe um beijo molhado na orelha
Eca.
 Oh!  guinchou Eleanor Woldorf, ajeitando uma mecha loura que tinha escapado.
A me de Blair usava o tubinho de cashmere grafite que Blair tinha ajudado a comprar na
Armani e mules de veludo pretas. Um ano antes ela no caberia no vestido, mas tinha
perdido dez quilos desde que conhecera Cyrus. Estava tima. Todo mundo achava isso.
 Ela parece mais magra.  Blair ouviu a sra. Bass cochichar com a sra. Coates.  Mas
aposto que tem uma marca no queixo.
 Voc deve ter razo. Ela deixou o cabelo crescer... isso  um sinal patente. Odeio as
cicatrizes  cochichou a sra. Coates em resposta.
A sala zunia de fragmentos de fofoca sobre a me de Blair e Cyrus Rose. Do que Blair pde
ouvir, os amigos da me achavam exatamente a mesma coisa que ela, embora no usassem
palavras como irritante, gordo ou man.
 Senti cheiro de Old Spice  cochichou a sra. Coates com a sra. Archibald.  Voc acha que
ele est mesmo usando Old Spice?
Isso seria o equivalente masculino de usar desodorante corporal Impulse, que todo mundo
sabe que  o equivalente feminino de asqueroso.
 No tenho certeza  respondeu a sra. Archibald aos cochichos.  Mas  bem possvel.  Ela
arrebatou um rolinho primavera de bacalhau e alcaparras da bandeja de Esther, colocou-o
na boca e mastigou vigorosamente, recusando-se a dizer mais alguma coisa. No suportaria
que Eleanor Waldorf as ouvisse por acaso. As fofocas e o palavrrio eram divertidos, mas
no  custa dos sentimentos de uma velha amiga.
Que besteira!, teria dito Blair se pudesse ouvir os pensamentos da sra. Archibald. Hipcrita!
Todas essas pessoas eram fofoqueiras terrveis. E j que vai fofocar, por que no aproveitar
um pouco?
Do outro lado da sala, Cyrus agarrou Eleanor e a beijou na boca na frente de todos.
Blair se encolheu  viso revoltante de sua me e Cyrus agindo como adolescentes chatinhos
com paixonite aguda e se virou para olhar a Quinta Avenida e o Central Park da janela da
cobertura. A folhagem de outono estava em fogo. Um ciclista solitrio pedalava pela entrada
do parque na rua 72 e parou num carrinho de cachorro-quente na esquina para comprar
uma garrafa de gua. Blair nunca tinha percebido o carrinho de cachorro-quente antes, e se
perguntou se sempre ficava parado ali ou se era novo. Engraado o quanto a gente pode
deixar de ver nas coisas que v todo dia.
De repente, Blair ficou faminta, e ela sabia que s queria uma coisa: um cachorro-quente.
Ela queria um agora  um cachorro-quente fumegante, com mostarda, ketchup, cebola e
chucrute  e ela ia comer esse cachorro-quente em trs dentadas e depois arrotar na cara da
me. Se Cyrus podia enfiar a lngua pela garganta da me diante de todos os amigos de
Blair, ento el podia comer uma droga de cachorro-quente.
 Eu j volto  disse Blair a Kati e Isabel.
Ela girou o corpo e comeou a atravessar a sala, em direo ao hall da frente. Ia colocar o
casaco, sair, pegar um cachorro-quente no carrinho, comer em trs dentadas, voltar, arrotar
na cara da me, tomar outro drinque e depois transar com Nate.
 Aonde voc vai?  gritou Kati por trs dela. Mas Blair no parou; seguiu direto para a
porta.
Nate viu Blair saindo e conseguiu se livrar de Cyrus e da me de Blair a tempo.
 Blair?  disse ele.  Que foi?
Blair parou e olhou nos olhos verdes e sensuais de nate. Eram como as esmeraldas das
abotoaduras que seu pai usava com o smoking quando ia  pera.
Ele est usando seu corao na manga, lembrou para si mesmo, esquecendo completamente
o cachorro-quente. No filme de sua vida, nate a pegava, carregava para o quarto e a violava.
Mas infelizmente esta era a vida real.
 Tenho de falar com voc.  Blair ergueu o copo.  Enche pra mim primeiro?
Nate pegou o copo e Blair o levou para o bar com tampo de mrmore pelas portas duplas
que se abriam para a sala de jantar. Nate encheu um copo de usque para cada um e depois
seguiu Blair pela sala de estar mais uma vez.
 Ei, esto indo para onde, hein?  perguntou Chuck Bass quando eles passaram. Ele ergueu
as sobrancelhas, olhando sugestivamente de banda.
Blair revirou os olhos para Chuck e continuou, bebendo quanto andava. Nate a seguia,
ignorando Chuck completamente.
Chuck Bass, filho mais velho de Misty e Bartholomew Bass, era bonito, de uma beleza de
comercial de barba. Na verdade, ele tinha feito uma propaganda do drakkar noir britnico,
para consternao pblica e orgulho secreto dos pais. Chuck tambm era o garoto mais
galinha do grupo de amigos de Blair e Nate. Uma vez, em uma festa da stima srie, Chuck
tinha se escondido no armrio do quarto de hspedes por duas horas, esperando se enfiar na
cama com kati Farkas, que estava to bbada que vomitou dormindo. Chuck no deu a
mninma. Simplesmente foi para a cama com ela. Era totalmente inabalvel quando se
tratava de garotas.
A nica forma de lidar com um garoto como Chuck era rir na cara dele, e  exatamente isso
que faziam todas as garotas que o conheciam. Em outros crculos, Chuck podia ter sido
banido como lixo da pior espcie, mas estas famlia eram amigas h geraes. Chuck era um
Bass, e portanto estavam presos a ele. Eles se acostumaram com seu anel cor-de-rosa com
monograma em ouro, o cachecol de cashmere com monograma azul-marinho e as cpias da
foto de sua cara que se alastravam pelos muitos apartamento e casas de seus pais e
cuspiam ara fora de seu armrio na Riverside Preparatory School for Boys.
 No se esqueam da camisinha  gritou Chuck, erguendo o copo para Blair e Nate quando
eles se viraram para o longo corredor atapetado em vermelho em direo ao quarto de Blair.
Blair pegou a maaneta de vidro da porta e girou, surpreendendo Kitty Minky, sua gata
Russian Blue, que estava enroscada na colcha de seda vermelha da cama. Blair parou na
soleira da porta e se inclinou para Nate, apertando seu corpo junto ao dele.
Ela estendeu o brao para pegar a mo de Nate.
Naquele momento, as esperanas dele se reanimaram. Blair estava agindo de um jeito sexy
e apaixonado e ser... que alguma coisa estava prestes a acontecer?
Blair apertou a mo de Nate e o puxou para dentro do quarto. Tropearam um no outro,
caindo na cama, e entornaram a bebida no tapete de plo de cabra. Blair riu; o usque que
ela derrubou tinha ido direto para a sua cabea.
Estou quase transando com o Nate, pensou Blair. E depois os dois iam se formar em junho e
iriam para Yale no outono, e teriam uma cerimnia de casamento enorme quatro anos
depois e encontrariam um belo apartamento na Park Avenue e o decorariam todo com
veludo, seda e peles e transariam um dia em cada cmodo.
De repente a voz da me de Blair soou, alta e clara, pelo corredor.
 Serena van der Woodsen! Que surpresa agradvel!
Nate largou a mo de Blair e se ps de p como um soldado que levou uma bronca. Blair se
sentou dura na ponta da cama, colocou o copo no cho e agarrou a colcha com fora, os ns
dos dedos esbranquiados.
Ela olhou para Nate.
Mas Nate j estava se virando para sair, andando a passos largos pelo corredor para ver se
aquilo podia ser verdade. Ser que Serena van der Woodsen tinha realmente voltado?
O filme da vida de Blair dera uma guinada sbita e trgica. Blair apertou a barriga, faminta
novamente.
No fim das contas, ela devia ter ido comer o cachorro-quente.




S voltou!

 Oi, oi, oi  cacarejou a me de Blair, beijando as bochechas macias e encovadas de cada
van der Woodsen.
Beijo, beijo, beijo, beijo, beijo!
 Eu sabia que voc no estava esperando Serena, querida  sussurrou a sra. van der
Woodsen num tom confidencial e preocupado.  Espero que esteja tudo bem.
  claro que sim. Sim, tudo timo  disse a sra. Waldorf.  Veio passar o fim de semana em
casa, Serena?
Serena van der Woodsen sacudiu a cabea e entregou seu casaco fashion Burberry para
Esther, a empregada. Empurrou uma mecha loura para trs da orelha e sorriu para a
anfitri.
Quando Serena sorria, ela usava os olhos  aqueles olhos escuros, quase azul-marinho. Era
o tipo de sorriso que voc podia tentar imitar, postando-se diante do espelho do banheiro
feito uma idiota. O sorriso magntico e delicioso "d pra parar de olhar pra mim, por favor"
que as supermodelos passavam anos aperfeioando. Bem, Serena sorria desse jeito sem
precisar se esforar.
 No, eu estou aqui para...  comeou Serena.
A me de Serena a interrompeu rapidamente.
 Serena chegou  concluso de que o internato no serve para ela  anunciou, ajeitando o
cabelo casualmente, como se no fosse uma grande coisa. Ela era a verso meia-idade do
cool total.
Toda a famlia van der Woodsen era assim. Todos eram altos, louros, magros e
superequilibrados, e nunca faziam nada  jogar tnis, chamar um txi, comer espaguete, ir
ao banheiro  sem perder a classe. Especialmente Serena. Ela era dotada do tipo de classe
que voc nao tem como adquirir comprando a bolsa certa nem os jeans certos. Ela era a a
garota que todo cara queria ter e toda garota queria ser.
 Serena vai voltar para Constance amanh  disse o sr. van der Woodsen, olhando a filha
com os olhos azuis de ao e uma mistura meio coruja de orgulho e desaprovao que o
deixavam mais assustador do que realmente era.
 Bem, Serena. Voc est adorvel, querida. Blair ficar emocionada ao ver voc  treinou a
me de Blair.
- Olha quem fala.  Serena abraou-a.  Olha s como voc est! E a casa est to
fantstica. Uau. Voc tem obras de arte maravilhosas!
A Sra. Waldorf sorriu, obviamente lisonjeada, e passou o brao pela cintura longa e delgada
de Serena.
- Querida, gostaria que voc conhecesse meu amigo especial, Cyrus Ros  disse ela.  Cyrus,
esta  Serena.
- Fabulosa  retumbou Cyrus. Ele beijou Serena no rosto e a abraou um pouco apertado
demais.  E ela abraa bem tambm  acrescentou Cyrus, dando tapinha nos quadris de
Serena.
Serena deu uma risadinha, mas no recuou. Tinha passado muito tempo na Europa nos
ltimos dois anos, e estava acostumada a ser abraada por apalpadores europeus
inofensivos e meio galinhas que a achavam completamente irresistvel. Ela era um im total
para apalpadores.
- Serena e Blair so muito amigas, muito, muito amigas  explicou Eleanor Waldorf a Cyrus.
 Mas Serena foi para Hanover Academy no inicio do segundo grau e passou o vero
viajando. Foi to difcil para a pobre Blair voc ter ido embora naquele ano, Serena  disse
Eleanor, o olhar mais vago ainda.  Especialmente por causa do divrcio. Mas agora voc
voltou. Blair ficar to satisfeita.
- Onde ela est?  perguntou Serena ansiosa, sua pele clara e perfeita adquirindo um tom de
rosa com a perspectiva de rever a velha amiga. Ela se ergueu na ponta dos ps e esticou o
pescoo para procurar por Blair, mas logo se viu cercada pelos pais  os Archibald, os
Coates, os Bass e o sr. Farkas  cada um deles beijando-a e dando-lhe boas vindas.
Serena abraou-os rapidamente. Aquelas pessoas eram o lar para ela, que ficara fora por
muito tempo. Mal podia esperar para sua vida voltar ao que era. Ela e Blair iriam a escola
juntas, passariam na Double Photography do Sheep Meadow no Central Park, deitariam de
costas, tirariam retratos dos pombos-correios e das nuvens, fumariam e beberiam Coca-Cola
e se sentiriam artistas da resistncia. Tomariam coquetis no Star Lounge no Tribeca Star
Hotel novamente, que sempre se transformavam em festinhas prolongadas, porque elas
ficavam bbadas demais para ir para casa, ento passavam a noite no quarto que a famlia
de Chuck Bass tinha ali. Elas se sentariam na cama de baldaquino de Blair e veriam filmes de
Audrey Hupburn, usando lingeries finas e bebendo gim e suco de lima. Conversariam sobre
as provas de latim como sempre fizeram  amo, amas, amat ainda estavam tatuadas na face
interna do cotovelo de Serena com marcador permanente (obrigada, meu Deus, pelas
mangas trs-quartos!). Elas iriam de carro a propriedade dos pais de Serena em Ridgefield,
Connecticut, na velha station waqgon Buick do zelador, cantando os hinos idiotas que
repetiam na escola e agindo com damas loucas. Fariam xixi na escada de arenito da entrada
da casa de seus colegas e depois tocariam a campainha e fugiriam correndo. Levariam o
irmozinho de Blair, Tyler, ao Lower East Side e o deixariam ali para ver quanto tempo ele
levaria para achar o caminho de casa  na verdade, uma obra de caridade, porque Tyler
agora era o garoto da St. George's que mais conhecia as ruas. Sairiam para danar com um
grupo enorme e perderiam uns cinco quilos suando nas calas de couro. Como se
precisassem perder peso.
Elas voltariam a ter a velha e fabulosa identidade normal, como sempre foi. Serena mal
podia esperar.
- Peguei uma bebida para voc  disse Chuck Bass, abrindo caminho pelo grupo de pais a
cotoveladas e estendendo um copo de usque para Serena.  Bem-vinda de volta 
acrescentou ele, inclinando-se para beijar-lhe o rosto e errando de propsito para que seus
lbios pousassem na boca de Serena.
- Voc no mudou nada.  Serena aceitou a bebida. Ela tomou um longo gole.  E ai, sentiu
minha falta?
- Sua falta? E pergunta  voc sentiu a minha falta? Qual , gata, fala ai. O que est fazendo
de volta? O que aconteceu? Voc tem namorado.
- Ih, sem essa, Chuck  disse Serena, apertando a mo dele.  Voc sabe que eu voltei
porque queria voc desesperadamente. Eu sempre quis voc.
Chuck deu um passo para trs de pigarreou, o rosto em brasa. Ela o pegou de guarda baixa,
uma proeza rara.
- Bem, estou com a agenda lotada este ms, mas posso coloc-la na lista de espera 
retrucou Chuck meio amuado, tentando recuperar a compostura.
Mas Serena no o estava ouvindo mais. Seus olhos azul-escuros varriam a sala, procurando
pelas duas pessoas que ela mais queria ver, Blair e Nate.
Finalmente Serena os encontrou. Nate estava na soleira da porta do corredor e Blair parada
bem atrs dele, a cabea inclinada, remexendo os botes do seu cardig preto. Nate olhava
diretamente pra Serena; quando seus olhares se encontraram, Nate mordeu o lbio inferior
do jeito que sempre fazia quando ficava envergonhado. E depois sorriu.
Aquele sorriso. Aqueles olhos. Aquele rosto.
- Vem c  gritou Serena acenando. Seu corao se acelerou quando Nate comeou a andar
na direo dela. Ele estava melhor do que ela se lembrava, muito melhor.
O corao de Nate batia mais rpido do que o dela.
- Ei e ai  murmurou Serena quando Nate a abraou. O cheiro dele era como sempre foi. O
cheiro do mais limpo, o mais delicioso garoto da face da Terra. Lgrimas vieram aos olhos de
Serena e ela apertou o rosto contra o peito de Nate. Agora ela realmente estava em casa.
As bochechas de Nate ficaram cor-de-rosa. Calma, disse a si mesmo. Mas no conseguia se
acalmar. Queria peg-la, girar com ela, beijar seu rosto repetidamente. "Eu te amo!", ele
queria gritar, mas no o fez. No podia.
Nate era filho nico de um capito da marinha e de uma anfitri da sociedade francesa. Seu
pai era um velejador mster e era extremamente bonito, mas meio fraquinho no quesito
abraos. A me era o posto completo, sempre adulando Nate, com uma tendncia a ter
crises emocionais durante as quais se trancava na cabine com uma garrafa de champanha e
ligava para a irm em Mnaco. O pobre do Nate estava sempre prestes a dizer como
realmente se sentia, mas no queria fazer uma cena ou dizer alguma coisa de que pudesse
se arrepender depois. Em vez disso, ele ficava em silncio e deixava que outros tocassem o
barco, enquanto se deitava e desfrutava o balanar estvel das ondas.
Ele podia parecer meio galinha, mas na verdade era um banana.
- E ai, o que andou fazendo?  perguntou Nate, tentando respirar normalmente.  A gente
sentiu saudades de voc.
Notou que ele no teve coragem de dizer "Eu senti saudades de voc"?
- O que eu andei fazendo?  repetiu Serena. Ela deu uma risadinha.  Nem imagina Nate. Eu
fui to, to m"
Nate cerrou os punhos involuntariamente. Ah, cara, como ele sentiu a falta dela.
Ignorado como sempre, Chuck se esquivou de Serena e Nate e cruzou a sala na direo de
Blair, que mais uma vez estava de p com Kati e Isabel.
- Aposto mil pratas como ela foi expulsa - comentou Chuck.  Ela no parece ferrada? Acho
que ela se ferrou totalmente. Vai ver tem alguma coisa de prostituio rolando por ai. A
Alegre Madame de Hanover Academy  acrescentou ele, rindo de sua piada imbecil.
- Tambm acho que ela est meio chapada  disse Kati.  Talvez seja herona.
- Ou algum remdio  sugeriu Isabel.  Tipo Valium ou Prozac. Vai ver ela ficou totalmente
biruta.
- Ela pode fazer seu prprio ecstasy  concordou Kati.  Ela sempre foi boa em cincias.
- Ouvi dizer que ela aderiu a uma espcie de seita  sugeriu Chuck.  Tipo assim, ela levou
uma lavagem cerebral e agora s consegue pensar em sexo, e ela gosta, faz isso o tempo
todo.
Quando  que esse jantar vai ficar pronto?, perguntou-se Blair, desligando-se das
especulaes ridculas dos amigos.
Blair tinha se esquecido de como o cabelo de Serena era bonito. Como a pele dela era
perfeita. Como suas pernas eram longas e finas. Como os olhos de Nate ficavam quando
olhavam para ela  como se no quisesse piscar nunca. Ele nunca olhou para Blair daquele
jeito.
- Ei, Blair, Serena deve ter contado a voc que ela estava voltando  disse Chuck.  Diz ai,
vai. Qual  a parada?
Blair o olhou confusa, sua carinha de raposa ficando rubra. A verdade era que ela no falava
com Serena havia mais de um ano.
No comeo quando Serena tinha ido para o internato depois do primeiro ano, Blair realmente
sentiu falta dela.
Mas logo ficou evidente que era mais fcil brilhar sem Serena por perto. De repente Bair era
a mais bonita, a mais inteligente, a mais bacana, a mais espetacular da sala. Ela se tornou a
garota que atra os olhares de todos. Ento Blair parou de sentir muita falta de Serena. Ela
se sentia meio culpada por no manter contato, mas at isso passou quando ela recebeu e-
mails rpidos e impessoais de Serena, descrevendo como estava se divertindo no internato.

" Fui de carona a Vermont para fazer snowboarding e passei a noite danando com uns caras
demais!"

" Uma noite doidaa a de ontem. Droga, minha cabea est estourando!"

As ltimas notcias de que Blair recebeu vieram num postal no vero passado:
" Blair: Dezessete anos no Dia da Bastilha. A Frana t fervendo!!! Saudades!!! Beijos,
Serena" era tudo o que dizia.

Blair tinha enfiado o postal na velha caixa de sapatos Frandi com todas as outras lembranas
de sua amizade. Uma amizade que ela teria acalentado para sempre, mas que agora achava
que tinha acabado.
Serena estava de volta. A tampa estava fora da caixa de sapatos, e tudo voltaria a ser como
era antes de ela partir. Como sempre, seria Serena e Blair, Blair e Serena, com Blair fazendo
o papel da melhor amiga mais baixa, mais gorda e menos espirituosa da ber-gata loura
Serena van der Woodsen.
Ou no. No se Blair pudesse evitar.
- Voc deve estar to empolgada com a Serena aqui  piou Isabel. Mas, quando vira a cara
de Blair, mudou de tom.
-  claro que a Constance vai aceit-la de volta.  to tpico. Eles esto desesperados demais
para perder qualquer uma de ns.  Isabel baixou o tom de voz.  Ouvi dizer que na
primavera passada Serena ficou com um universitrio em New Hampshire. Ela fez um aborto
 acrescentou ela.
- Aposto que no foi o primeiro  disse Chuck  Olha s pra ela.
E eles olharam. Os quatro olharam pra Serena, que ainda estava conversando com Nate.
Chuck viu a garota com quem ele queria dormir desde que se lembrava de querer dormir
com garotas - na primeira srie, talvez? Kati viu a garota que ela imitava desde que
comeou a comprar as prprias roupas - na terceira srie? Isabel viu a garota que conseguiu
representar um anso com asas de penas de verdade no prespio de Natal da igreja Heavenly
Rest, enquanto Isabel era um pastor humilde e teve de usar um saco de aniagem. De novo
na terceira srie. Mas kati e Isabel viram a garota que inevitavelmente roubaria Blair delas e
as deixaria sozinhas uma com a outra, o que era deprimente demais at de se pensar. E
Blair via Serena, sua melhor amiga, a garota que sempre amou e odiou. A garota com quem
nunca conseguiu se equiparar e a quem tentou tanto substituir. A garota que ela queria que
todos esquecessem.
Por uns dez segundos Blair pensou em contar a verdade aos amigos: ela no sabia que
Serena estava voltando. Mas como ficaria? Achavam que Blair era antenada, e como  que ia
parecer antenada se admitisse que no sabia de nada sobre a volta de Serena, enquanto os
amigso pareciam saber tanto? Blair no podia ficar parada ali, sem dizer nada. Alm disso,
quem  que vai querer ouvir a verdade quando a verdade era to incrivelmente chata? Blair
vivia para o drama. Esta era sua chance.
Blair limpou a garganta.
- Tudo aconteceu muito rpido... de repente - comeou ela num tom enigmtico.
Ela olhou para baixo e remexeu no pequeno anel de rubi no dedo mdio da mo direita. O
filme estava rodando e Blair estava esquentando.
- Acho que Serena se atrapalhou toda. Mas prometi a ela que no contaria nada a ningum -
acrescentou ela.
Seus amigos assentiram como se entendessem totalmente. Parecia srio e picante e, o
melhor de tudo, parecia que Serena havia confidenciado tudo a Blair. se Blair pudesse
escrever o roteiro do resto do filme, ela certamente terminaria com o garoto. E Serena podia
fazer o papel da garota que cai do penhasco,
arrenenta o crnio em uma pedra,  devorada viva por arbutres famintos e nunca mais 
vista novamente.
- ABre o olho, Blair - alertou Chuck, apontando com a cabea para Serena e Nate, que ainda
estavam conversando em voz baixa perto do bar, sem desviar os olhos um do outro.
- Parece que Serena j achou a prxima vtima.




                                      SeN
Serena segurava frouxamente as mos de Nate, balanandoo- as de um lado para o outro.
- Lembra do Dentuo Nu? - perguntou ela, rindo com delicadeza.
Nate deu um risinho, ainda constrangido, mesmo depois de todos aqueles anos. O dentuo
Nu era o alter ego de Nate, inventado em uma festa na sexta srie, quando a maioria deles
se embebedou pela primeira vez. Depois de beber seis cervejas, Nate tirou a camisa, e
Serena e Blair desenharam uma cara bobalhona e dentua em seu peito com marcador
preto. Por algum motivo a cara despertou o demnio em Nate e ele comeou a fazer o jogo
da bebida. Todos se sentaram em crculo e Nate ficou de p no meio, segurando um livro de
latim e gritando verbos para que os outros conjugassem. A primeira pessoa a errar tinha de
beber e beijar o Detuo Nu.  claro que todos erraram, meninos e meninas, ento o Dentuo
teve muito agito naquela noite. Na manh seguinte, Nate tentou fingir que nada tinha
acontecido, mas a prova estava pintanda em sua pele. Levou semanas para o Dentuo sair
no banho.
- E o mar Vermelho? - disse Serena. Ela analisou a expresso de Nate. Agora nenhum dos
dois estava sorrindo.
- O mar Vermelho - repetiu Nate, mergulhado no lago azul dos olhos dela.  claro que ele se
lembrava. Como poderia esquecer?
Em um fim de semana quente de agosto, no vero antes da oitava srie, Nate tinha ido 
cidade enquanto o resto fa familia Archibald ainda estava no Maine. Serena acordou em sua
casa de sampo em Ridgefield, Connecticut, to entediada que pintou uma unha de cada cor,
dos ps e das mos. Blair estava no castelo Waldorf em Gleneagles, na Esccia para o
casamento da tia. Quando Nate telefonou, Serena pulou direto num trem em New Haven
para Grand Central Station.
Nate encontrou Serena na plataforma. Ela desceu do trem usando um tomara-que-caia de
seda azul-clara e sandlias de tira de borracha cor-de-rosa. Os cabelos louros pendiam
soltos, mal tocando os embros nus. Ela no levava bolsa, nem mesmo uma carteira ou
chaves. Para Nate, parecia um anjo. Que sorte ele tinha. A vida nunca foi melhor que no
momento em que Serena desceu na plataforma de sandlias, atirou os braos em torno do
pescoo dele e o beijou na face. Que beijo maravilhoso e surpreendente.
Primeiro eles tomaram uns martnis no barzinho perto da entrada do Central Park, na
Vanderbilt Avenue. Depois pagaram um txi para a Parrk Avenue, at a casa na cidade de
Nate, na rua 82.
O pai dele estava recebendo alguns banqueiros estrangeiros e ia chegar em casa muito
tarde, ento Serena e Nate tinham a casa s para eles. O estranho  que era a primeira vez
que ficavam juntos sozinhos e eles perceberam isso.
No levou muito tempo.
Sentaram-se no jardim, bebendo cerveja e fumando cigarros. Nate usava uma camisa plo
de mangas compridas, e fazia muito calor, ento ele a tirou. Seus ombros eram cheios de
sardas pequenininhas e as costas musculosas e bronzeadas de horas nas docas, construindo
um veleiro com o pai no Maine.
Serena tambm estava com calor, ento subiu na fonte. Sentou-se no joelho da Vnus de
Milo de mrmore, borrifando gua em si mesma at que o vestido ficasse completamente
ensopado.
No era difcil ver quem era a verdadeira deusa. Comparada a Serena, Vnus parecia um
monte de mrmore encaroado. Nate cambaleou at a fonte e se juntou a ela, e logo os dois
estavam arrancando o resto das roupas um do outro. Afinal, era vero. A nica forma de
suportar a cidade no vero  ficando completamente nu.
Nate ficou preocupado com as cmeras de segurana ligadas na casa o tempo todo, na
frente e nos fundos, ento levou Serena para o quarto dos pais no andar de cima.
O resto  histria.
Os dois transaram pela primeira vez. Foi desajeitado e doloroso, excitante e divertido, e to
doce que eles se esqueceram de ficar constrangidos. Foi exatamente como voc quer que
seja sua primeira vez, e eles no se arrependeram.
Em seguida, ligaram a tv, sintonizada no History Channel, em um documentrio sobre o Mar
Vermelho. Serena e Nate deitaram-se na cama abraados e ficaram olhando as nuvens pela
clarabia acima deles, enquanto ouviam o narrador do programa falar de Moiss dividindo o
Mar Vermelho.
Serena achou aquilo hilrio.
- Voc dividiu meu Mar Vermelho!  lamentou ela, esmagando Nate com os travesseiros.
Nate riu e se enrolou no lenol feito uma mmia.
- E agora vou deixar voc como sacrifcio para a Terra Santa!  disse ele com uma voz
gutural de filme de terror.
E ele a deixou por algum tempo. Levantou-se e pediu um festival de comida chinesa e um
vinho branco vagabundo, e eles ficaram deitados na cama, comeram e beberam e ele dividiu
o Mar Vermelho de Serena novamente antes que o cu escurecesse e as estrelas brilharam
na clarabia.
Uma semana depois, Serena foi para o internato na Hanover Academy, enquanto Nate e
Blair ficaram em Nova York. A partir da, Serena passou todos os feriados e as frias fora 
nos Alpes austracos do Natal, na Republica Dominicana na Pscoa, viajando pela Europa no
vero. Esta era a primeira vez que ela voltava, a primeira vez que eles se viam desde a
diviso do Mar Vermelho.
- Blair no sabe, n?  perguntou Serena a Nate em voz baixa.
Quem  Blair?, pensou Nate, com um ataque momentneo de amnsia. Ele sacudiu a
cabea.
- No. Se voc no contou a ela, ento ela no sabe.
Mas Chuck sabia, o que era quase pior. Nate tinha deixado escapar a informao em uma
festa duas noites antes num acesso de porre totalmente idiota.
Eles tinham tomado todas e Chuck perguntou: "E ai, Nate? Qual a sua melhor foda? Se  que
voc j comeu algum." "Bem, foi com a Serena van der Woodsen", gabou-se Nate, como
um imbecil.
E Chuck no ia guardar segredo por muito tempo. Era picante demais e til demais. Chuck
no precisava ler aquele livro, Como fazer amigos e influenciar pessoas. Ele estava cagando
para quem o escreveu. Apesar de ser meio fraquinho no quesito amigos.
Serena pareceu no perceber o silncio constrangido de Nate. Ela suspirou, inclinando a
cabea para descansar no ombro dele. Serena no tinha mais o cheiro de Cristalle de Chanel,
que costumava ter. Cheirava a mel, sndalo e lrio  sua prpria mistura de leos essenciais.
Era muito Serena, completamente irresistvel, mas se outra pessoa tentasse usar,
provavelmente federia a coc de cachorro.
- Que merda. Morri de saudades, Nate  disse ela.  Queria que voc visse as coisas que eu
fiz. Eu fui to m.
- Como assim? O que voc fez de to ruim?  perguntou, Nate com um misto de medo e
expectativa. Por um curto segundo ele a imaginou dando orgias em seu alojamento na
Hanover Academy e tendo casos com homens mais velhos em quartos de hotis em Paris.
Ele queria ter podido visit-la na Europa neste vero. Ele sempre quis transar num hotel.
- E eu tambm fui uma amiga horrvel  prosseguiu Serena.  Mal falei com a Blair desde
que eu fui embora. E aconteceu tanta coisa. Sei que ela est puta comigo, pois nem me
cumprimentou.
- Ela no est puta. Talvez seja s timidez.
Serena olhou rapidamente para ele.
- Ah, ta  zombou ela.  Blair tmida. Desde quando Blair  tmida?
- Bom, ela no est puta  insistiu Nate.
Serena deu os ombros.
- Bem, de qualquer jeito,  irado estar aqui com vocs de novo. Vamos fazer tudo o que a
gente costumava fazer. A Blair e eu vamos matar aula e encontrar voc na escada do Met,
depois vamos naquele cinema antigo no Plaza Hotel pra ver algum filme esquisito at
comear happy hour. E voc e Blair vo ficar juntos para sempre e eu serei a dama de honra
do casamento de vocs. E vamos ser felizes para sempre, como nos filmes.
Nate franziu o cenho.
- No faa essa cara, Nate. No  assim to ruim n?
Nate deu os ombros.
 No, parece legal  disse ele, embora claramente no acreditasse nisso.
- O que parece legal?  perguntou uma voz rspida.
Assustados, Nate e Serena desviaram os olhos um do outro. Era Chuck, e com ele estavam
Kati, Isabel e, por ltimo mas no menos importante, Blair, parecendo mesmo muito tmida.
Chuck deu um tapa nas costas de Nate.
- Desculpe, Nate. Mas voc no pode roubar a van der Woodsen a noite toda, sabe como .
Serena olhou para Blair. Ou, pelo menos, tentou olhar. Blair estava muito concentrada
puxando as meias pretas, centmetro por centmetro, dos tornozelos ossudos aos joelhos
ossudos, e mais para cima, em volta das coxas musculosas de jogar tnis. Ento Serena
desistiu e beijou primeiro Kati, depois Isabel e por fim foi na direo de Blair.
Blair s podia passar uma quantidade limitada de tempo puxando as meias antes que ficasse
ridculo. Quando Serena estava a centmetros de distncia, ela olhou para cima e fingiu
surpresa.
- Oi, Blair  disse Serena, animada. Ela colocou as mos nos ombros da garota mais baixa e
se inclinou para beij-la no rosto.  Desculpe por no ter ligado para voc antes de voltar.
Eu quis. Mas as coisas foram to doidas. Tenho tanta coisa para contar a voc!
Chuck, Kati e Isabel assentiram um para o outro e encararam Blair. Era bvio que ela
mentira. Ela no sabia nada sobre a volta de Serena.
O rosto de Blair pegou fogo.
Acabada.
Nate percebeu a tenso, mas pensou que fosse por um motivo completamente diferente.
Ser que Chuck j contou a Blair? Ser que ele  estava acabado? No sabia. Blair nem
mesmo olhou para ele.
Foi um instante meio gelado. No o tipo de momento que voc espera ter com os amigos
mais ntimos e mais antigos.
Os olhos de Serena dardejaram de um rosto a outro.  claro que tinha dito alguma coisa
errada, e rapidamente tentou deduzir o que seria. Eu sou uma imbecil, resmungou Serena
consigo mesma.
- Quer dizer, desculpe por no te ligar ontem a noite. Eu literalmente estava voltando de
Ridgefield. Meus pais me esconderam l at pensar no que fazer comigo. Fiquei to
entediada.
Boa sada.
Ela esperou que Blair sorrisse de gratido por dar cobertura a ela, mas s o que Blair fez foi
olhar Kati e Isabel de lado para ver se elas tinham percebido o deslize. Blair estava agindo
de um jeito estranho, e Serena tentou controlar uma crise de pnico. Talvez Nate estivesse
errado, talvez Blair estivesse realmente puta com ela. Serena deixou de acompanhar muita
coisa. O divrcio, por exemplo. Tadinha da Blair.
- Deve ser muito ruim sem o seu pai aqui. - tentou Serena. - Mas sua me parece to bem,
e Cyrus  um doce,  s a gente acostumar com ele. - Ela deu uma risadinha.
Mas Blair ainda no estava sorrindo.
- Pode ser. Ela olhou a carrocinha de cachorro-quente pela janela. - Acho que ainda no me
acostumei com ele.
Os seis ficaram em silncio por um longo tempo, tensos.
O que eles precisavam era de outro bom drinque bem forte.
Nate sacudiu os cubos de gelo do copo.
- Quem vai querer outro? - ofereceu ele. - Vou pegar.
Serena estendeu o copo.
- Obrigada, Nate. Estou com uma sede danada. Eles trancaram a porcario do armrio de
bebidas em Ridgefild. D pra acreditar nisso?
Blair sacudiu a cabea.
- No, obrigada.
- Se eu tomar outro, vou para a escola de ressaca amanh. - desculpou-se Kati.
- Voc sempre vai  escola de ressaca - disse Isabel e estendeu o copo para Nate. - Aqui, eu
divido o meu com a Kati.
- Eu ajudo voc - ofereceu-se Chuck. Mas, antes que pudesse ir muito longe, a sra. van der
Woodsen se juntou a eles tocando o brao da filha.
- Serena - disse a sra. van der Woodsen. - Eleanor gostaria que nos sentssemos. Ela
colocou outro prato para voc perto de Blair; assim vocs podem colocar tudo em dia.
Serena olhou ansiosa para Blair, mas esta j havia se virado e se dirigia  mesa, sentando-
se perto do seu irmo de 11 anos, Tyler. que estava em seu lugar h mais de uma hora,
lendo a Rolling Stone. O dolo de Tyler era o cineasta Cameron Crowe, que tinha feito uma
turn com o Led Zeppelin quando tinha 15 anos. Tyler se recusava a ouvir CDs, insistindo
em que s os discos de vinil prestavam. Blair se preocupava com a possibilidade de o irmo
se transformar num fracassado.
Serena se recomps e puxou uma cadeira no espao perto de Blair.
- Blair, me desculpe por ter sido uma imbecil total - disse ela, retirando se guardanapo de
linho do anel de prata e colocando-o aberto no colo. - A separao de seus pais deve ter sido
um horror.
Blair deu de ombros e pegou um pozinho fresco de um cesto namesa. Partiu-o em dois e
enfiou metade na boca. Os outros convidados ainda estavam se dirigindo  mesa e
procurando lugar para se sentar. Blair sabia que era uma grosseria comer antes que todos se
sentassem, mas, se sua boca estivesse cheia, ela no poderia falar, e ela realmente no
estava com vontade de conversar.
- Eu queria estar aqui - insistiu Serena, observando Blair besuntar a outra metade de
pozinho com uma grossa camada de manteiga francesa. - Mas tive um ano totalmente
doido. Tenho as histrias mais malucas pra te contar.
Blair assentiu e mastigou lentamente o pozinho, como uma vaca ruminando. Serena
esperava que ela perguntasse que tipo de histrias, mas Blair no disse nada, s ficou
mastigando. Blair no queria saber das coisas incrveis que Serena tinha feito enquanto
estava fora e ela ficara presa em casa, vendo os pais brigando pelas cadeiras antigas nas
quais ningum se sentava, xcaras que ningum usava e telas feias e caras.
Serena queria conta a Blair sobre Charles, o nico rastafri da Hanover Academy, que lhe
pediu que fugisse para se casar com ele na Jamaica. Sobre Nicholas, o universitrio francs
que nunca usava cueca e que perseguiu seu trem em um minsculo Fiat em todo o caminho
de Paris a Milo. Sobre fumar haxixe em Amsterd e dormir em um parque com um grupo de
prostitutas bbadas porque tinha esquecido de onde estava hospedada. Ela queria contar a
Blair o quanto foi chato descobrir que a Hanover Academy no a aceitaria de volta no ano
seguinte s porque matou as primeiras semanas de aula. Queria contar a Blair como estava
assustada de voltar para a Constance amanh, porque no tinha estudado muito no ano
anterior e se sentia completamente fora de ritmo.
Mas Blair no estava interessada. Pegou outro pozinho e deu uma mordida.
- Vinho, senhorita? - ofereceu Esther, parado do lado esquerdo de Serena com a garrafa.
- Sim, obrigada. - Serena viu o Ctes de Rhne ser vertido na taa e pensou no mar
Vermalho outra vez. Talvez a Blair saiba, pensou Serena. Ser que  por isso que est to
estranha?
Serena olhou para Nate, quatro cadeiras  direita, mas ele estava envolvido numa conversa
com o pai. Falando de barcos, sem dvida.
- E a, voc e Nate ainda esto totalmente juntos? - Perguntou Serena arriscando-se. -
Aposto que acabaram de casar.
Blair engoliu o vinho, seu anelzinho de rubi tilintando na taa. Alcanou a manteiga, passou
uma grossa camada no po.
- Oi? Blair? - disse Serena, cutucando o brao da amiga. - Voc t legal?
- Estou - balbuciou Blair. Era menos uma resposta  pergunta de Serena do que uma
declarao vaga e genrica para preencher o vazio enquanto se inclinava para outro
pozinho. - Eu t legal.
Esther trouxe o pato, o sufl de abobrinha, a acelga e o molho de lingonberry, e a mesa se
encheu do som de pratos e talheres da prata se chocando e murmrios de "delicioso". Blair
fez uma pilha alta de comida no prato e atacou como se no comessa h semanas. No se
importava em parecer repugnante, desde que no tivesse de conversar com Serena.
- Caraca! - exclamou Serena , olhando Blair se empanturrando. - Voc deve estar morrendo
de fome.
Blair assentiu e enfiou uma garfada de acelga na boca. Um gole de vinho ajudou-a engolir.
- Estou faminta - disse ela.
- E ento, Serena - interveio Cyrus Rose da cabeceira da mesa. - Fale-me da Frana. Sua
me disse que voc esteve no sul da Frana nesta vero.  verdade que as francesas no
usam a parte de cima do biquni na praia?
- Sim,  verdade. - Serena ergueu uma sobrancelha de jeito sacana. - Mas no s as
francesas. Eu nunca usei o suti do biquni l tambm. Como  que ia conseguir um
bronzeado decente?
Blair tinha abocanhado um enorme pedaodo sufl e o cuspiu no vinho. Ele flutuou na
superfcie no lquido carmeliu como um bolinho encharcado at que Esther o levou e he
trouxe uma taa limpa.
Ningum percebeu. Serena tinha a ateno da mesa, e ela manteve p pblico cativo com
histrias de suas viagens pela Europa at a sobremesa. Quando terminou a segunda poro
de pato, Blair comeu uma tigela imensa cheia de pudim de tapioca com calda de chocolate,
desligando-se da voz de Serena enquanto enfiava as colheradas na boca. Finalmente seu
estmago e rebelou e ela se levantou de repente, arrastando a cadeira para trs e correndo
pelo corredor at sua sute, direto para o banheiro.
- Blair? - chamou Serena atrs dela e se levantou. - Com licena - disse Serena e correu
para ver qual era o problema. Ela no precisava ir to rpido; Blair no ia a lugar nenhum.
Quando Chuck viu Blair se levantar da mesa, e depois Serena, assentiu reconhecimentoe
cutucou Isabel com o cotovelo.
- Blair vai soltar a porcaria toda - cochichou ele. - Que porra sinistra.
Nate se sentia cada vez mais inquieto ao ver as duas meninas sarem correndo da mesa. Ele
tinha certeza de que a nica coisa de que as meninas falavam no banheiro era sexo.
E na maioria das vezes ele estava certo.
Blair se ajoelhou diante da privada e colocou o dedo mdio o mais fundo que pde na
garganta. Seus olhos comearam a lacrimejar e o estmago se sacudiu. Ela j fizera isso
antes, muitas vezes. Era nojento e horrvel, e ela sabia que no devia saber, mas pelo
menos se sentia melhor quando acabava.
A porta de seu banheiro estava s meio fechada, e Serena pde ouvir a amiga vomitando.
- Blair, sou eu  disse Serena baixinho.  Voc est bem?
- Vou sair em um minuto  rebateu Blair, enxugando a boca. Ela se levantou e deu a
descarga.
Serena empurrou a porta e Blair se virou para ela.
- Eu t legal  disse Blair. - Srio.
Serena baixou a tampa da privada e se sentou.
- Ah, no seja to chata, Blair.  Qual  o problema? Sou eu, lembra? A gente sabe tudo
uma da outra.
Blair pegou a pasta e a escova de dentes.
- A gente era assim.  Blair comeou a escovar os dentes furiosamente. Cuspiu um monte de
espuma verde.  Quando foi a ultima vez que conversamos, alis? Tipo assim, no vero
retrasado?
Serena olhou para baixo, para as prprias botas de couro marrom desgastado.
- Eu sei. Desculpe. Eu estraguei tudo  disse ela.
Blair enxaguou a escova de dentes e a enfiou de volta no suporte. Encarou o reflexo no
espelho do banheiro.
- Bem, voc perdeu muita coisa  tornou Blair esfregando um pouco de creme para olheiras
com a ponta do dedo mnimo.  Quer dizer, o ano passado foi realmente... diferente.  Ela
quase disse "difcil", mas "difcil" faria ela parecer vitima. Como se mal conseguisse
sobreviver sem Serena por perto. "Diferente" era melhor.
Blair deu uma olhada em Serena, sentada na provada com um senso repentino de poder.
- Nate e eu ficamos muito ntimos, sabe. Conversamos sobre tudo.
, t legal.
As duas meninas se olharam desconfiadas por um minuto. Depois Serena deu os ombros.
- No se preocupe com Nate e eu. Somos s amigos, voc sabe disso. E depois, estou
cansada dos garotos.
Os cantos da boca de Blair crisparam. Serena obviamente queria que ela perguntasse por
qu, por que ela estava cansada dos garotos? Mas Blair no ia lhe dar essa satisfao. Puxou
a suter para baixo e olhou seu reflexo mais uma vez.
- A gente se v  disse ela e saiu de repente do banheiro.
Merda, pensou Serena, mas ficou onde estava. No valia a pena ir atrs de Blair agora,
enquanto ela estava to obviamente naquele humor horroroso. As coisas iam melhorar
amanh na escola. Ela e Blair teriam uma de suas famosas conversas sinceras no refeitrio,
junto dos iogurtes de limo e de alface romana. No  que tenham deixado de ser amigas.
Serena se levantou e examinou as sobrancelhas no espelho do banheiro, usando a pina de
Blair para arrancar uns fios extraviados. Pegou um brilho Urban Decay Gash na bolsa e
passou outra camada nos lbios. Depois pegou a escova de Blair e comeou a escovar os
cabelos. Por fim, fez xixi e se reuniu  festa, esquecendo o batom na pia de Blair.
Quando Serena se sentou, Blair estava comendo a segunda poro de pudim e Nate
desenhava para Cyrus um retrato em pequena escala de seu poderoso veleiro nas costas de
uma caixinha de fsforo. Do outro lado da mesa, Chuck ergueu a taa de vinho para brindar
com Serena. Ela no tinha idia de por que brindava, mas estava pronta para tudo.




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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
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                                        oi, gente!

S VISTA TRAFICANDO NA ESCADARIA DO MET

Bem, certamente este  um bom comeo. Vocs me mandaram toneladas de e-mails, e tive
muito tempo para ler todos. Muito obrigada. No  legal ser cruel?

Seu E-mail

P: oi, gossip girl,
eu soube de uma garota em New Hampshire que a policia encontrou nua em um campo, com
um monte de galinhas mortas. eca. eles acham que ela estava metida numa merda vodu ou
coisa assim. voc acha que era S? bem que parece ela n? at mais.
- catee3
R: No sei, mas no me surpreende mais. S  to f de galinhas. Uma vez, no parque eu a
vi comer um saco inteirinho de frango frito sem parar para respirar. Mas parece que ela
estava com uma tremenda larica naquele dia.
- GG

P: Cara GG,
Meu nome comea com S e eu sou loura!!! Acabo de voltar do internato para minha antiga
escola em NY. Fiquei de saco cheio de todas aquelas regras, tipo no poder fumar, nem
beber, nem levar meninos no quarto: (De qualquer forma, eu agora tenho meu prprio
apartamento e vou dar uma festa no sbado  quer ir? :-)
- S969

R: Cara S69,
A S de quem estou escrevendo ainda mora com os pais como a maioria das garotas de 17
anos, sua putinha de sorte.
- GG


P: e ai, gossip girl?
ontem  noite uns caras que eu conheo conseguiram um monte de comprimidos com uma
garota loura na escadaria do metropolitan museum of art. tinham a letra S impressa em
todos. coincidncia, ou o qu?
- Semnome

R: Caraca  s o que eu posso dizer.

- GG


3 GUYS E 2 GAROTAS

I e K vo ter um probleminha para caber naqueles vestidos bonitinhos que compraram na
Bendel's se continuarem parando na 3 Guys Coffee Shop para tomar chocolate quente e
comer batata frita todo dia. Fui l eu mesma para ver o babado, e acho que posso dizer que
o garom era uma gracinha, para quem gosta de ouvir abobrinha, mas a comida  pior que
na Jackson Hole e as pessoas em l tm em mdia uns 100 anos.


Flagra

C foi visto na Tiffany, comprando outro par de abotoaduras com monograma para uma
festa. Olha ai! Estou esperando meu convite. A me de B foi vista andando de mos dadas
com um homem novo na Cartier. Hmmm, quando ser o casamento? Tambm vistas: uma
garota, com uma tremenda semelhana com S, saindo de uma clinica de DST no Lower East
Side. Estava de peruca preta e culos de sol enormes. Tipo disfarce. E ontem, bem de
madrugada, S se inclinando na janela do quarto dela na Quinta Avenida, parecendo meio
perdida.

No quica no, meu bem, que as coisas s esto comeando a melhorar.

Isso  tudo por hoje. Vejo vocs na escola amanh.

                                  Para voc que me ama,

                                        Gossip girl.

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ouam os anjos da anunciao cantando

- Bem-vindas de volta, meninas  disse a sra. McLean de p no pdio na frente do auditrio
da escola.  Espero que todas tenham tido um timo fim de semana prolongado. Passei o
meu em Vermont e foi absolutamente divino.
As setecentas alunas da Constance Billard School for Girls, do jardim de infncia a terceira
srie do segundo grau, e seus cinqenta funcionrios e professores abafaram o riso
discretamente. Todos sabiam que a sra. McLean tinha uma namorada em Vermont. O nome
dela era Vonda e dirigia um trator. A sra. McLean tinha uma tatuagem na coxa esquerda que
dizia: "Me monta, Vonda."
 verdade, juro por Deus.
A sra. McLean, ou sra. M, como as meninas a chamavam, era a diretora da escola. Era a
tarefa dela encaminhar a nata da escola  mandar as garotas para as melhores faculdades,
os melhores casamentos, a melhor vida possvel  e ela era muito boa no que fazia. No
tinha pacincia com fracassados. Se apanhasse uma das meninas agindo dessa maneira 
persistentemente alegando doena ou saindo mal nos exames de aptido escolar -, chamaria
psicanalistas, conselheiros e orientadores e se certificaria de que a menina tivesse a ateno
pessoal de que precisava para ter boas notas, uma alta pontuao e uma recepo calorosa
na faculdade de sua preferncia.
A sra. M tambm no tolerava maldade. A Constance era considerada uma escola livre de
panelinhas e preconceitos de qualquer tipo. Sua frase favorita era "Quem dissimula diz sim a
uma lua". A mais leve calnia de uma menina a outra era punida com um dia de isolamento
e designao de um trabalho muito difcil. Mas estes castigos raramente eram necessrios. A
sra. M felizmente no tinha conhecimento do que de fato se passava na escola. Sem dvida,
no podia ouvir os cochichos que corriam no fundo do auditrio, onde as veteranas estavam
sentadas.
- Achei que voc tinha dito que a Serena ia voltar hoje  cochichou Rain Hoffstetter para
Isabel Coates.
Naquela manh, Blair, Kati, Isabel e Rain tinha se reunido no ponto habitual na esquina para
fumar e beber antes das aulas comearem. Elas faziam a mesma coisa toda manh havia
dois anos, e meio que esperavam que Serena se juntasse a elas. Mas a aula comeara dez
minutos antes e Serena no tinha aparecido.
Blair no pde evitar se irritar com Serena por criar ainda mais mistrio em torno de sua
volta. As amigas estavam praticamente se contorcendo na cadeira, ansiosas para ter o
primeiro vislumbrante de Serena, como se ela fosse uma espcie de celebridade.
- Vai ver ela est chapada demais para vir  escola hoje  cochichou Isabel em resposta. 
Juro que ela passou tipo uma hora no banheiro ontem  noite na casa de Blair. S Deus sabe
o que estava fazendo ali.
- Ouvi dizer que ela est vendendo aqueles comprimidos impressos com a letra S. Ela 
totalmente viciada neles  afirmou Kati.
- Espera s, voc vai ver  disse Isabel.  Ela t numa rabuda danada.
-   cochichou Rain.  Eu soube que ela entrou num tipo de seita vodu em New Hampshire.
Kati riu.
- Imagina se ela convida a gente para entrar.
- Que isso!  disse Isabel.  Ela pode danar nua com galinhas e fazer tudo o que quiser,
mas eu no entro nessa De jeito nenhum.
- E depois onde  que voc vai conseguir galinhas vivas na cidade?  perguntou Kati.
- Indecente  alfinetou Rain.
- Agora eu gostaria de comear cantando um hino. Se puderem se levantar e abrir o hinrio
na pgina quarenta e trs  instruiu a sra. M.
A sra. Weeds, a professora hippie de msica com o cabelo frisado, comeou a martelar ao
piano, no canto, os primeiros acordes de um hino conhecido; depois todas as setecentas
meninas se levantaram e comearam a cantar.
Suas vozes flutuaram para a rua 93, onde Serena van der Woodsen estava virando a
esquina, xingando a si mesma por estar atrasada. Ela no acordava cedo desde as provas
finais do segundo ano da Hanover Academy em junho passado, e tinha se esquecido de
como isso era um saco.

"Ouam os anjos da anunciao cantan-do!
Gl-ria ao rei que nasceu!
Paz na Terra e misericr-dia,
Deus e pecadores se harmonizam."


A aluna da stima srie da Constance, Jenny Humphrey, pronunciava as palavras em
silncio, compartilhando com a vizinha o hinrio que a prpria Jenny fora encarregada de
redigir numa caligrafia excepcional. Levou todo o vero, mas o hinrio ficou lindo. Daqui a
trs anos o Pratt Institute of Art and Desing estaria batendo na sua porta. Apesar disso,
Jenny se sentia doente de vergonha toda vez que usava o hinrio, e era por isso que no
conseguia cantar em voz alta. Cantar parecia um ato de bravata, como se ela estivesse
dizendo: "Olhe s para mim, estou cantando com o hinrio que eu fiz! Eu no sou tima?"
Jenny preferia ser invisvel. Por sue uma caloura baixinha de cabelos crespos, no era ao
difcil ficar invisvel. Na verdade, seria mais fcil se seus peitos no fossem to grandes. Aos
14 anos, ela usava tamanho 42.
D para imaginar?

"Ouam os hostes celestiais proclamando,
Cristo nas-ceu em Be-lm!"

Jenny estava de p no fim de uma fila de cadeiras dobrveis, perto das grandes janelas do
auditrio que davam para a rua 93. De repente um movimento na rua chamou sua ateno.
Cabelos louros voando. Casaco xadrez Burberry. Botas de camura marrom se arrastando.
Um uniforme marrom novo  uma escolha estranha, mas que deu certo. Parecia... no pode
ser... ser possvel... No!... Era?
Sim, era mesmo.
Um minuto depois Serena van der Woodsen empurrava a pesada porta de madeira do
auditrio e parava, olhando para sua turma. Estava sem flego e os cabelos emaranhados.
As bochechas estavam rosadas e os olhos brilhavam de correr as 12 quadras na Quinta
Avenida at a escola. Ela estava ainda mais perfeita do que Jenny se lembrava.
- Oh, Meu Deus - cochichou Rain para Kati no fundo da sala. - Ser que ela pegou as roupas
no abrigo dos sem-tetono caminho pra c?
- Ela nem penteou o cabelo. - Isabel riu. - Vai ver nem dormiu essa noite.
A sra. Weeds terminou o hino com um acorde ruidoso.
A sra. M limpou a gargata.
- E agora, um minuto de silncio por aqueles menos afortunados que ns. Especialmente
pelos nativos americanos que oram massacrados na fundao deste pas, a quem pedimos
que no se aborraam por termos comemorado o Dia do Cescobrimento da Amrica ontem.
A sala caiu em silncio. Bem, quase.
- Olha s como Serena fica com as mos na barriga. Vai ver est grvida - cochichou Isabel
Coates para Rain Hoffstetter. - Voc s faz isso quando est grvida.
- Ela pode ter feito um aborto hoje de manh. De repente,  por isso qu est atrasada -
cochichou Rain em resposta.
- Meu pai d dinheiro  Phoenix House - disse Kati a Laura Salmon. - Vou descobrir se
Serena esteve l. Aposto que  por isso que ela voltou no meio do ano letivo. Ela est em
reabilitao.
- Eu soube que fazem essas coisas no internato, misturam Comet com canela e caf
instantneoe viram num gole s.  tipo speed, s que deixa sua pele verde se voc tomar
por muito tempo - piou Nicki Button. - Voc fica cega e depois morre.
Blair pegou uns fragmentos da conversa das amigas e isso a fez sorrir.
A sra. M vltou a cumprimentar Serena.
- Meninas, gostaria que todas dessem as boas-vindas a nossa amiga Serena van dr
Woodsen. Serena est se reintegrando ao terceiro ano hoje. - A sra. M sorriu. - Por que no
se sent, Serena?
Serena andou lpida para o corredor central do auditrio e se sentou em uma cadeira vaga
perto de uma aluna da segunda srie com uma coriza crnica chamada Lisa Sykes.
Jenny mal conseguiu se conter. Serena van der Woodsen! Ela estava ali, na mesma sala, a
alguns metros de distncia. Era de verdade. E parecia to madura agora.
Quantas vezes ser que ela transou?, perguntou-se Jenny.
Ela imaginou Serena e um louro da Hanover se inclinando contra o tronco de um a rvore
antiga, o casaco dele envolvendo os dois. Serena tinha fugido de seu alojamento sem o
casaco. Sentia muito frio e tinha seiva da rvore nos cabelos, mas valeu a pena. Depois
Jenny imaginou Serena e outro garoto qualquer em um telefrico de esqui. O telerico
empacou e Serena caiu no colo do garoto para se aquecer. Eles comearam a se beijar e no
conseguiram se conter. Depois de transarem, o telefrico voltou a andar e seus esquis
estavam embolados, ento eles ficaram na cadeira e desceram a montanha transando
novamente.
Que legal, pensou Jenny. Serena era tranqilamente a garota mais cool do mundo todo.
Definitivamente mais cool do que qualquer uma das outras veteranas. E to cool que chegou
atrasada, no meio do tempo, daquele jeito.
No importa se voc  rica e fabulosa, o internato de algum jeito te deixa parecida com uma
sem-teto. Uma sem-teto glamourosa, no caso de Serena.
Ela no cortava o cabelo havia mais de um ano. Nanoite passada, tinha amarrado os cabelos
para trs, mas hoje estavam soltos e pareciam bem desgranhados. A camisa masculina
branca estava puda no colarinho e nos punhos, e davav para ver o suti de renda prpura
atravz dela. Nos ps estavam suas botas marrons favoritas e tinha um buraco enorme no
joelho de uma das meias pretas. O pior de tudo  que ela teve de comprar todos os
uniformes novos, porque tinha jogado os antigos na lata de lixo quando foi para o internato.
O uniforme novo dela no tinha nada a ver.
Os uniformes novos eram a praga da quarta srie, o ano em que as meninas da Constance
passavam do manto para a saia. As saias eram feitas de polister e tinham pregas durs e
artificiais. O tecido tinha um brilho pegajoso horrorosoe vinha numa nova cor: marron. Era
medonho. E era essa uniforme marron que Serena tinha decidido usar no primeiro dia de
volta  Constance. Alm disso, o dela vinha at os joelhos! Todas as outras veteranas
usavam a mesma saia azul-marinho que vestiam desde a quarta srie. As meninas
cresceram tanto que as saias estavam extremamente curtas. Quanto mais curta a saia, mais
cool a garota.
Blair na verdade no tinha crescido tanto, ento ela encurtou a saia escondido.
- Que porra de roupa  aquela? - sibilou Kati Farkas.
- Vai ver ela pensa que o marrom parece Prada ou algo assim - respondeu Laura.
- Acho que ela est tentando afirmar alguma coisa - cochichou Isabel. - Tipo assim, olha pra
mim, eu sou Serena, sou linda, posso usar o qeu quiser.
E pode mesmo, pensou Blair. Essa era uma das coisas que sempre a enfureciam em Serena.
Ela ficava bem em qualquer coisa.
Mas pouco importava a aparncia de Serena. O que Jenny e todas as outras na sala queriam
saber era: Porque ela voltou?
Elas esticaram o pescoo para ver. Ser que estava com um olho roxo? Estava grvida?
Estava chapada? Ser que ainda tem todos os dentes? E ser que havia alguma coisa
diferente nela?
- Aquilo na bochecha  uma cicatriz?  cochichou Rain.
- Ela levou uma facada uma noite dessas quando estava traficando  sussurrou Kati em
resposta.  Eu soube que ela fez plstica na Europa nesse vero, mas fizeram um trabalho
meio porco.
A sra. McLean estava lendo em voz alta agora. Serena se sentou novamente em sua cadeira,
cruzou as pernas e fechou os olhos, aquecendo-se na velha sensao de estar sentada nesta
sala cheia de garotas, ouvindo a voz da sra. M. Ela no sabe por que ficou to nervosa antes
de vir para a escola nesta manh. Perdeu a hora e se vestiu em cinco minutos fazendo
buraco em uma meia preta com uma unha pontuda do p. Escolheu a camisa surrada do
irmo Erik porque tinha o cheiro dele. Erik tinha ido para o mesmo internato que Serena,
mas agora estava na faculdade, e ela morria de saudades dele.
Quando estava saindo do apartamento, sua me deu uma olhada nela e a teria feito trocar
de roupa se Serena no estivesse to atrasada.
- Neste fim de semana  disse sua me -, vamos fazer compras, e vou levar voc no meu
salo. Voc no pode sair por ai desse jeito, Serena. Pouco importa como eles a deixavam se
vestir no internato  depois beijou a filha no rosto e voltou para a cama.
- Ai, meu Deus, acho que ela dormiu  cochichou Kati para Laura.
- Vai ver ela est s cansada  cochichou Laura de volta.  Eu soube que ela foi expulsa
porque dormiu com um garoto no campus. Tinha umas marcas na parede acima da cama
dela. A colega de quarto dela contou e foi assim que eles descobriram.
- E depois, toda aquela dana com galinhas de madrugada  acrescentou Isabel, dando uma
risadinha meio frentica para as meninas.
Blair mordeu o lbio, lutando para prender o riso. Era engraado demais.



outra f de s
Se Jenny Humphrey pudesse ouvir o que as meninas do segundo grau estavam falando de
Serena van der Woodsen, seu dolo, teria expulsado todas a socos. Assim que as oraes
acabaram, Jenny passou pelas colegas de turmas aos empurres e disparou para o telefone
para dar um telefonema. Seu irmo Daniel ia se borrar todo quando ela contasse.
- Al?  Daniel Humphrey atendeu ao celular no terceiro toque. Estava parado na esquina da
rua 77 com a West End Avenue na calada da escola preparatria Riverside, fumando um
cigarro. Semicerrou os olhos castanhos-escuros, tentando bloquear a forte luz solar de
outubro. Dan no ficava no sol. Ele passava a maior parte do seu tempo livre no quarto,
lendo poemas existencialistas mrbidos sobre o destino amargo do ser humano. Era plido,
os cabelos desgrenhados, e magro como uma estrela de rock.
De alguma maneira o existencialismo acabava com o apetite dele.
- Adivinha quem voltou?  Dan ouviu sua irmzinha guinchar excitada ao telefone.
Como Dan, Jenny era meio solitria. Quando precisava conversar com algum, ela sempre
ligava para ele. Foi ela quem comprou celulares para os dois.
- Jenny, d para esperar...  Dan comeou a dizer, parecendo irritado como s os irmos
mais velhos ficam.
- Serena van der Woodsen!  Jenny o interrompeu.  Serena voltou para a Constance. Eu a
vi nas oraes. D para acreditar nisso?
Dan olhava um copo de caf de plstico sendo evado pelo vento na calada. Um Saab
vermelho passou voando pela West End Avenue atravs de uma luz amarela. Suas meias
estavam midas dentro dos Hush Puppies de camura marrom.
Serena van der Woodsen Ele deu um longo trago em seu Camel. Suas mos tremiam tanto
que ele quase errou a boca.
- Dan?  guinchou a irm ao telefone.  Est me ouvindo? Ouviu o que eu disse? Serena
voltou. Serena van der Woodsen.
Dan respirou fundo.
- , eu ouvi  resmungou ele, fingindo desinteresse.  E da?
- E da?  disse Jenny incrdula.  Ah, t legal, como se voc no estivesse tendo um
minienfarte. Voc  to presunoso, Dan
- No, eu sou srio.  Dan, estava irritado.  Para que voc me ligou? O que eu tenho com
isso?
Jenny suspirou alto. s vezes Dan era to irritante. Por que no podia parecer feliz pelo
menos uma vez? Ela estava to cansada daquele modelito introspectivo plido e infeliz.
- T legal. Deixa pra l. A gente se fala mais tarde.
Ela desligou e Dan enfiou o celular de volta no bolso da cala de veludo cotel preta e
desbotada. Pegou um mao de cigarros do bolso de trs e acendeu outro com a guimba do
que j estava fumando. Seu polegar se queimou, mas ele nem sequer sentiu.
Serena van der Woodsen.
Eles se conheceram numa festa. No, essa no era exatamente a verdade. Dan a vira numa
festa, na festa dele, a nica que ele deu no apartamento da famlia na rua 99 com a West
End Avenue.
Era abril, na sexta srie. A festa foi idia de Jenny, e o pai dels, Rufus Humphrey, o infame
editor aposentado de poetas beat pouco conhecido e um fominha de festas, ficou feliz em
concordar. A mo j havia se mudado para Praga alguns anos antes para "se concentrar em
sua arte". Dan convidou toda a turma e disse a eles que podiam chamar quantas pessoas
quisessem. Mais de cem crianas apareceram, e Rufus manteve a cerveja rolando de um
barrilete na banheira, deixando muitos garotos bbados pela primeira vez na vida. Foi a
melhor festa que Dan j viu, mesmo que ele dissesse isso s para si mesmo. No por causa
da bebedeira, mas porque Serena van der Woodsen estava l. Pouco importa que ela tenha
perdido tempo com um jogo imbecil de latim e tenha beijado a barriga toda rabiscada com
marcador de um cara que estava l. Dan no conseguiu tirar os olhos dela.
Depois, Jenny disse a ee que Serena ia  escola dela, a Constance, e a partir da Jenny era
sua pequena espi, relatando tudo que via Serena fazer, dizer, vestir, etc., informando
a Dan de qualquer evento futuro que ele pudesse v-la novamente. Esses eventos eram
raros. No porque no fossem muitos  porque eram -, mas porque no havia muitos deles
que Dan tivesse oportunidade de ir. Dan no vivia no mesmo mundo que Serena, Blair, Nate
e Chuck. Ele no era ningum. Era s um garoto comum.
Por dois anos Dan seguiu Serena, ansiosamente, a distncia. Ele nunca falou com ela.
Quando Serena foi para o internato, Dan tentou se esquecer dela, certo de que nunca a veria
de novo, a no ser que por mgica eles terminassem na mesma faculdade.
E agora ela estava de volta.
Dan andou metade do quarteiro, depois se virou e fez o caminho de volta. Sua cabea
estava a mil. Ele podia dar uma festa. Podia fazer os convites e Jenny enfiaria um no armrio
de Serena na escola. Quando Serena chegasse na casa dele, Dan iria direto a ela e pegaria
seu casaco, dando-lhe as boas-vindas a Nova York.
Choveu o tempo todo em que voc esteve fora, diria ele poeticamente.
Depois escapuliriam para a biblioteca do pai e tirariam as roupas um do outro, e se beijariam
no sof de couro na frente da lareira. E, quando todos tivessem ido embora da festa, eles
dividiriam uma tigela de sorvete de caf Breyers, o favorito de Dan. A partir da, passariam
cada minuto juntos. Chegariam a se transferir para uma escola mista como a Trinity pelo
resto do segundo grau porque no poderiam ficar separados. Depois iriam para a Colmbia e
morariam em um estdio perto de lugar nenhum, mas com uma cama enorme. Os amigos
de Serena tentariam seduzi-la a voltar para a antiga vida, mas nenhum baile de caridade,
nenhum jantar exclusivo em black-tie, nenhuma festa cara poderia tent-la. Ela no se
importaria de abrir mo de seu fundo de fideicomisso e dos diamantes da bisav. Serena
estaria disposta a viver num chiqueirinho se fosse para ficar com Dan.
- Porra, a sineta vai tocar daqui a cinco minutos  Dan ouviu algum dizer em uma vozinha
chata.
Dan se virou, e  claro que era Chuck Bass, ou o "Porta-cachecol", como Dan gostava de
cham-lo, porque Chuck sempre usava aquele cachecol de cashmere ridculo com o
monograma. Chuck estava parado a apenas seis metros com dois colegas da Riverside Prep,
Roger Paine e Jeffrey Prescott. Eles no falavam com Dan e nem o cumprimentavam com a
cabea quando o encontravam. Porque deveriam? Toda manh esses caras atravessavam o
Central Park de nibus para ir  escola, pegando na rua 79, saindo do pretensioso Upper
East Side, s se aventurando ao West Side para ir  escola ou comparecer a uma festa
espordica. Estavam na turma de Dan na Riverside Prep, mas certamente no eram da
turma dele Ele nada tinha a ver com eles. Certamente eles nem o notavam.
- Cara  disse Chuck aos amigos. Acendeu um cigarro. Chuck fumava seus cigarros como se
fosse de maconha, segurando-os entre o dedo indicador e o polegar e puxando forte.
Ridculo demais para merecer ateno.
- Adivinha quem eu vi ontem  noite?  insistiu Chuck, bafejando um jorro de fumaa cinza.
- Liv Tyler?  sugeriu Jeffrey.
- , e ela deu em cima de voc, n?  brincou Roger.
- No, ela no. Serena van der Woodsen  disse Chuck.
Os ouvidos de Dan se aguaram Estava quase na hora de entrar na sala de aula, mas
acendeu outro cigarro e ficou quieto para poder ouvir.
- A me de Blair Waldorf deu uma festinha e Serena van der Woodsen foi com os pais dela 
continuou Chuck.  E ela deu em cima de mim. Tipo assim, ela  a garota mais devasse que
eu j vi  Chuck tirou outro trago do cigarro.
-  mesmo?  disse Jeffrey.
-  verdade. Primeiro eu descobri que ela estava fodendo com o Nate Archibald desde a
oitava srie. Depois ela definitivamente se educou no internato, t ligado? Eles puseram
Serena para fora, de to piranha que ela .
- De jeito nenhum  discordou Roger.  Qual , cara, ningum  expulso por ser galinha.
-  expulso se voc registra cada cara que voc dormiu e mete os caras nas mesmas drogas
que voc toma. Os pais dela tiveram de ir l para busc-la. Ela estava, tipo assim,
assumindo o controle da escola!  Chuck estava cada vez mais exaltado. Seu rosto estava
vermelho e ele cuspia enquanto falava.  Eu soube que ela pegou doenas tambm. Tipo
assim, DSTs. Algum viu Serena indo a uma clinica no East Village. Ela estava de peruca.
Os amigos de Chuck sacudiram a cabea, grunhindo de espanto.
Dan nunca tinha ouvido uma porcaria dessas. Serena no era piranha, era perfeita, no era?
No era?
Isso ainda tinha de ser descoberto.
- E ai, t sabendo daquela festa dos pssaros?  perguntou Roger.  Vocs vo?
- Que festa dos pssaros?  disse Jeffrey.
- Aquela festa para os falces peregrinos do Central Park  acrescentou Chuck.  , a Blair
me falou disso. Vai ser na antiga loja da Barneys  deu outro trago no cigarro.  Cara, todo
mundo vai.
Todo mundo no inclua Dan,  claro. Mas definitivamente inclua Serena van der Woodsen.
- Esto mandando um monte de convites essa semana  tornou Roger. - Tem um nome
engraado, no consigo lembrar qual , um troo de mulherzinha.
- Beijo na Boca  Chuck esmagou o cigarro com os detestveis sapatos Church of England. 
 a festa Beijo na Boca.
-  isso ai  disse Jeffrey.  E aposto que vai rolar muito mais que beijo na boca por l  deu
uma risada.  Ainda mais com Serena por l.
Os garotos riram, congratulando-se por sua incrvel inteligncia.
Dan j ouvira o bastante. Atirou o cigarro na calada a poucos centmetros dos sapatos de
Chuck e foi para a entrada da escola. Quando passou pelos trs meninos, virou a cabea e
fez um beicinho, produzindo um som de beijo trs vezes, como se estivesse dando em cada
garoto um beijo estralado na boca. Depois se virou e entrou, batendo a porta atrs de si.
Dem um beijinho misto, babacas.


no corao de cada desastre da moda existe uma romntica incurvel

- O que eu procuro  tenso - explicou Vanessa Abrams  pequena turma de estudos
avanados de cinema da Constance. Ela estava de p diante da turma, apresentando sua
idia para o filme que realizava. - Vou fazer uma tomada dos dois conversando em um banco
do parque  noite. S que no d pra ouvir o que eles esto dizendo. - Vanessa fez uma
pausa dramtica, esperando que uma das colegas dissessem alguma coisa. O sr. Beckhan, o
professor, sempre dizia que elas deviam manter as cenas mais vivas com dilogos e ao, e
Vanessa estava fazendo deliberadamente o contrrio.
- Ento no tem dilogo? - perguntou o sr. Beckham de onde estava, parado no fundo da
sala. Ele estava dolorosamente consciente de que ningum mais na turma ouvia uma s
palavra do que Vanessa dizia.
- Vocs vo ouvir o silncio dos prdios, do banco e da calada, e ver as luzes da rua no
corpo deles. Depois vero suas mos se mexerem e os olhos falando. E a  que vo ouvir os
dois falando, mas no muito.  uma cena emocional - explicou Vanessa.
Ela pegou o controle remoto do projetor de slides e comeou a passar as fotos preto-e-
branco que tinha tirado para demonstrar a viso que queria para seu curta-metragem. Uma
banco de madeira no parque. Um pedao de asfalto. A tampa de um beiro. Um pombo-
correio em uma camisinha usada. Uma bola de cliclete pendurada na beirada de uma lata de
lixo.
- R! - exclamou algum do fundo da sala. Era Blair Waldorf, rindo alto enquanto lua o
bilhete que Rian Hoffstetter tinha acabado de passar para ela.

Pelos bons tempos
Ligar para Serena v.d. Woodsn
Voc entende de... doena venrea??

Vaessa olhou para Blair. Ciname era a matria favorita de Vanessa, o nico motivo para ela
ir  escola. Ela levava o curso muito a srio, enquanto a maioria das outras meninas, como
Blair, s considerava o curso de cinema um intervalo para os malditos cursos de
conhecimentos avanados - clculo avanado, biologia avanada, histria avanada,
literatura inglesa avanada, francs avanado. Iam direto para Yale, Harvard ou Brown,
aonde suas famlias iam h geraes. Vanessa no era igual a elas. Seus pais nem sequer
foram  faculdade. Eles eram artistas, e Vanessa s queria uma coisa da vida: ir para a
Universidade de Nova York e se formar em cinema.
Na verdade, ela queria outra coisa. Ou outro algum, para ser mais preciso, mas vamos falar
nisso daqui a pouquinho.
Vanessa era uma anomalia na Constance, a nica menina da escola que tinha cabea quase
raspada, usava suter preto de gola alta todo dia, lia Guerra e paz de Tolstoi repetidamente
como se fosse Bblia, ouvia Belle e Sebastian e bebia ch preto sem acar. No tinha
amigas no Constance e morava em Williamsburg, no Brooklyn, com a irm de 22 anos, Ruby.
Mas ento o que ela estava fazendo na minscula e exclusiva escola particular para meninas
no Upper West Side com princesas como Blair Wakdorf? Era uma pergunta que Vanessa se
fazia todo dia.
Os pais de Vanessa eram artistas revolucionrios da antiga que moravam em uma casa feita
de pneus de carro reciclados em Vermont. Quando ela fez 15 anos, eles permitiram que a
ternamente infeliz Vanessa se mudasse pata a casa da irm mais velha, baixista, no
Brooklyn. Mas eles queriam se certificar de que ela tivesse uma boa e segura educao no
secundrio, enti a matricularam na Constance.
Vanessa odiava a escola, mas nunca disse nada aos pais. S faltavam oito meses para se
formar. Mais oito meses e ela finalmente escaparia para o centro da cidade, para
Universidade de Nova York.
Mias oito meses da piranhazinha da Blair Waldorf e, pior ainda, de Serena van der Woodsen,
que estava de volta em todo seu esplendor. Blair Waldorf parecia absolutamente orgsmica
com a volta da melhor amiga. Na verdade, toda a fila de trs da sala de cinema
escrevinhava, passando bilhetes enfiados nas mangas de seus irritantes suteres de
cashmere.
Bem, que se fodam. Vanessa ergueu o queixo e prosseguiu na apresentao. Ela era superior
quela bobajada. S mais oito meses.
Se Vanessa tivesse visto o bilhete que Kati Karkas acabara de passar a Blair, talvez ela se
solidarizasse um pouquinho com Serena.

Querida Blair,
Me empresta 50 mil dlares? Sniff, sniff, sniff. Se eu no pagar o que devo a meu traficante
de coca, vou me dar mal.
Que merda, minha virinha est coando.
Me d uma resposta sobre o dinheiro.
Um beijo,
Serena v.d. Woodsen

Blair, Rain e Kati riram ruidosamente.
- Shhhhh - sussurrou o sr. Beckhan, olhando para Vanessa com simpatia.
Blair virou o papel e rabiscou uma resposta.

Claro, Serena. O que voc quiser. Me liga da cadeia. Eu soube que a comida l  muito boa.
Nate e eu vamos visitar voc quando tivermos tempo, o que pode ser... sei l... NUNCA?!
Espero que a doena venrea melhore logo.
Beijos,
Blair

Blair passou o bilhete a Kati, sentindo s a mais leve pontada de remorso por ser to cruel.
Havia tantas histrias sobre Serena que ela sinceramente no sabia em quem acreditar mais.
Alm disso, Serena ainda no tinha contado a ningum o que estava fazendo de novo ali,
ento por que Blair devia dizer alguma coisa para defend-la? Talvez parte daquela histria
toda fosse verdade. Talvez algumas dessas coisas realmente renham acontecido.
E, alm de tudo, passar bilhetes pe muito mais divertido do que peg-los.
- Ento eu vou escrever, dirigir e filmer isto. Eu j coloquei meu amigo, Daniel Humphrey, da
Riverside Prep, como o princpe Andrei - explicou Vanessa. As bochechas arderam quando
ela falou no nome do Dan. - Mas ainda preciso de uma Natasha para cena. Vou fazer a
seleo amanh depois da aula, no Madison Square Park, ao anoitecer. Algum est
interessado?
A pergunta era uma piadinha particular. Vanessa sabia que ningum na sala sequer a estava
ouvindo; estavam ocupadas passando bilhetes.
O brao de Blair se ergueu.
- Eu vou dirigir! - anunciou ela. Obviamente no tinha ouvido a pergunta, mas Blair estava
to desesperada para impressionar os funcionrios de admisso de Yale, que sempre era a
primeira voluntria para tudo.
Vanessa abriu a boca para falar. Dirija isto, ela queria dizer, mostrando o dedo mdio a Blair.
- Abaixe a mo, Blair - suspirou o sr. Beckhan, cansado. - Vanessa acabou de nos dizer que
ela  a diretora, roteirista e cinegrafista. A no ser que voc queria fazer o papel de Natasha,
sugiro que se concentre em seu prprio projeto.
Blair olhou para ele de mau humor. Ela odiava professores como o sr. Beckham. Ele era
agressivo porque era de Nebraska e finalmente tinha conseguido realizar seu triste sonho de
morar em NY s para se ver ensinando em um curso intil em vez
de dirigir filmes de vanguarda e ficar famoso.
- No faz mal - disse Blair, enfiando o cabelo escuro por trs das orelhas.- Acho que no
tenho tempo mesmo.
E no tinha.
Blair era presidente do conselho de Servio Social e dirigia o clube de Francs; era
orintadora da 1 srie em leitura; trabalhava numa sopa dos pobres uma vez por semana;
tinha aulas de preparao para os exames de aptido escolar nas teras-feiras e, nas quintas
 tardinha, fazia um curso de design de moda com Oscar de la Renta. Nos fins de semana,
jogava tnis para manter a pontuao no ranking nacional.
Alm disso tudo, estava no comit de planejamento de cada funo social que qualquer um
se preocupasse em inventar, e o calendrio de outono-inverno estava ocupado, ocupado,
ocupado. Seu PalmPilot vivia com memria insuficiente.
Vanessa acendeu as luzes e voltou para a carteira na frente da sala.
-Tudo bem, Blair, eu queria uma loura para o papel de Natasha. - Vanessa alisou o uniforme
em volta das coxas e se sentou delicadamente, numa imitao quase perfeita de Blair.
Blair deu um sorrisinho afetado para a cabea espinhosa e careca de Vanessa e olhou para o
sr. Beckham, que limpou a garganta e se levantou. Ele estava com fome, e a sineta ia tocar
em 5 minutos.
- Bem  isso, meninas. Podem sair um pouco mais cedo hoje. Vanessa, por que no coloca
um cartaz no corredor para a seleo de amanh?
As meninas comearam a guardar suas coisas e a sair da sala. Vanessa rasgou uma folha em
branco do bloco e escreveu detalhes necessrios no alto da pgina. Guerra e Paz. Curta-
metragem.Seleo para Natasha. Quinta-feira, ao pr-do-sol. Madison Square Park. Banco
do parque, esquina noroeste. Ela resistiu a escrever a descrio exata da garota que estava
procurando, porque no queria espantar ningum. Mas tinha um quadro claro em sua mente,
e no ia ser fcil encontrar a menina certa.
A Natasha perfeita seria clara e loura, de um louro escuro natural. No teria uma beleza
bvia demais, mas o tipo de rosto que atrai os olhares. Seria o tipo de garota para fazer Dan
inflamar- cheia de movimentos e risos-, exatamente o oposto da energia silenciosa de Dan,
que ardia por dentro dele e fazia suas mos tremerem s vezes.
Vanessa abraou a si mesma. S de pensar em Dan ela sentia vontade de urinar. Sob a
cabea careca e a inacreditvel gola rul, ela era s uma garota.
Encare a realidade: ns somos todas iguais.




um almoo das poderosas

- Os convites, as bolsas de brindes e o champanha. - s o que est faltando-disse Blair. Ela
ergueu uma fatia de pepino do prato e a mordiscou pensativa.- Kate Spade ainda est
fazendo as bolsas de brinde, mas eu no sei... acha que Kate Spade  chata demais?
- Acho a Kate Spade perfeita-respondeu Isabel, enrolando os cabelos em um n no alto da
cabea. - Quer dizer,acho que  muito bacana ter uma bolsa totalmente preta em vez de
todas aquelas figuras de animais e as porcarias militares que todo tem.  tudo to... de mau
gosto, no acha?
- Totalmente - concordou Blair.
- Ei, e pele de leopardo? - disse Kati, parecendo magoada.
- , mas no  pele de leopardo de verdade-argumentou Blair.-  diferente.
As trs estavam sentadas no refeitrio da Constance, discutindo a festa beneficente Beijo na
boca que aconteceria em breve, para levantar fundos para a Fundao Falco Peregrino do
Centarl Park. Blair era presidente do comit organizador,  claro.
- Aqueles pobres pssaros - suspirou Blair. Como se ela desse a mnima para a porcaria dos
pssaros. -Eu quero muito que essa festa seja tima. Os caras vo vir na reunio amanh,
n?
-  claro que viro - disse Isabel.- E Serena...j falou com ela da festa? Ela vai ajudar?
Blair a encarou bestificada.
Kati franziu o narizinho arrebitado de rampa salto de esqui e cutucou Isabel com o cotovelo.
- Aposto que Serena est ocupada demais, sabe como , lidando com tudo. Todos os
problemas dela. Provavelmente ela no vai ter tempo para ajudar a gente - comentou ela,
dando um risinho afetado.
Blair assentiu. Do outro lado do refeitrio, Serena acabava de entrar na fila do almoo. Ela
percebeu Blair de imediato e sorriu, acenando animadamente como se dissesse: " Chego a
num minutinho!" Blair piscou, fingindo ter esquecido de colocar as lentes de contato.
Serena deslizou a bandeja pelo Balco de metal, escolhendo um iorgute de limo e pulando
os pratos quentes at chegar  garrafa trmica com gua quente, de onde encheu um xcara
e colocou um saquinho de ch Lipton, uma fatia de limo e um saquinho de acar no pires.
Depois ela levou a bandeja para o balco de saladas, onde encheu o prato com uma pilha de
alface romana e colocou uma pocinha de molho de queijo bleu ao lado do alface. Preferia um
misto quente na Gare du Nord em Paris, comido s pressas antes de saltar para o trem
London, mas isso era quase igualmente bom. Era o mesmo almoo que ela comia na
Constance todo dia desde a 4 srie. Blair sempre fazia a mesma coisa. Elas o chamavam de
"prato de dieta".
Blair ficou olhando Serena pegar a salada, temendo o momento em que se sentaria perto
dela em toda sua glria e comearia a tentar ser amiga novamente. Eca.
- Oi, gente. -Serena sentou-se ao lado de Blair, sorrindo radiante. - Como nos velhos
tempos, heim? - Ela riu e abriu a tampa do iorgute. Os punhos da camisa velha do irmo
estavam pudos e uns fios balanaram no soro aquoso do iorgute.
- Oi, Serene - disseram Kati e Isabel em unssono.
Blair olhou para Serena e virou os cantos dos lbios brilhantes para cima. Era quase um
sorriso.
Serena misturou o iorgute no pote e fez sinal para a bandeja de Blair, onde os restos do po
de centeio com cream cheese e pepino estavam espalhados.
- Parece que voc superou o prato de dieta-observou ela.
- Parece que sim.- Blair esmagou um pedao do cream cheese no guardanapo de papelcom o
polegar, encarando os punhos pudos de Serena meio atordoada. Era legal usar as roupas
velhas do irmo na 7 e na 8 sries. Depois era bacana. Mas agora? S parecia...sujo.
- Meu currculoo est um porre-disse Serena,lambendo a colher.- No tenho aula nenhua
com vocs, meninas.
- Hmmm,  porque voc no est em nenhuma turma avanada-observou Kati.
- Sorte sua-suspirou Isabel.-  tanto trabalho para fazer que eu no tenho tempo nem de
dormir.
- Bem, pelo menos vou ter mais tempo para me divertir-disse Serena. Ela cutucou o cotovelo
de Blair.- O que vai fazer esse ms? Estou me sentindo to fora de tudo.
Blair se sentou reta e pegou o copo de plstico, descobrindo que no havia mais gua. Ela
sabia que devia contar a Serena rudo sobre a festa Beijo na Boca, como Serena podia
ajudarcom os preparativos e como tudo ia ser divertido. Mas no conseguiu fazer isso.
Serena estava fora, tudo bem. E Blair queria que ela ficasse desse jeito.
- Est bem satisfatrio. No h muita coisa para fazer at o Natal-mentiu Blair, lanando um
olhar de alerta a Kati e Isabel.
-  mesmo?-disse Serena, decepcionada.- E hoje  noite? Vocs vo sair?
Blair olhou para as amigas. Estava louca para sair, mas ainda era tera-feira. O mximo que
podia fazer numa tera  noite era alugar um filme com Nate. De repente Blair se sentiu
seriamente velha e chata. Deixando que Serena a fizesse se sentir chata.
- Tenho uma prova de francs avanado amanh. Desculpe, Serena.- Blair se levantou.-Na
verdade, tenho uma reunio com a Madame Rogers agora mesmo.
Serena franziu a testa e comeou a roer o polegar, um novo hbito que adquirira no
internato.
- Bem, talvez eu ligue pro Nate. Ele vai sair comigo.
Blair pegou a bandeja e se controlou para no atir-la na cara de Serena. Mantenha as mos
longe dele!, ela queria gritar, saltando na mesa no estilo ninja. Iaaa-r!
- A gente se v depois, meninas-disse ela e se afastou toda dura.
Serena suspirou e sacudiu uma folha de alface para fora do prato. Blair estava sendo uma
chata. Quando iam comear a se divertir? Ela olhou para Kati e Isabel com esperana, mas
elas j estavam prontas para sair tambm.
- Tenho uma reunio idiota com o conselho da faculdade-desculpou-se Kati.
- E eu tenho de ir para a sala de arte e guardar meu quadro.-justificou-se Isabel.
- Antes que algum veja?-brincou Kati.
- Ah, cala essa boca-disse Isabel.
As duas se levantaram com a bandeja.
-  to bom ter voc de volta, Serena-entoou Kati em sua voz mais falsa.
- -concordou Isabel.-  mesmo.
E depois elas se afastaram.
Serena ficou rodando a colher pelo pote de iorgute,perguntando-se o que tinha acontecido
com todo mundo. Elas estavam agindo como anormais. O que foi que eu fiz?.perguntou-se,
roendo o polegar novamente.
Boa pergunta.




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advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                          oi, gente!

Onde esto os meninos

Obrigado por aparecerem, apesar de a maioria de vocs ter pouco a dizer sobre S ou B. A
maioria de vocs s quer saber mais sobre os meninos.

Seu E-mail:

P: Cara GG,
D parece um doce. Por que se assanha tanto por S? Ela  s uma putinha.
- Bebe

R: Cara Bebe,
Acontece que eu sei que D no  esse inocente todo. Ele andou com uma merdinha
pervertida quando voltou do acampamento de vero na 6 srie.
- GG

P: Cara GG,
O que N faz na hora do almoo? Vou a escola particular dele, e ser que eu vejo o cara o
tempo todo sem perceber que ele est ali? Caramba!
- Tmida

T legal, j que quer tanto saber, eu vou te contar.

A St. Jude's deixa os meninos do ltimo ano sarem para almoar.Ento agorinha mesmo N
provavelmente est indo para aquela pizzaria na esquina da 80 com a Madison. A Vino's?
Vinnie's? Sei l. De qualquer forma, eles tm umas fatias boas e um dos caras da entrega
vende um bagulho bem decente. N  um dos clientes regulares. Em geral fica um grupo de
garotas da L'cole parado na calada da pizzaria, ento N pra por ali e fica azarando aquela
menina que vou chamar de Claire, que banca a tmida e finge que no fala ingls, mas a
verdade  que ela tem um francs horroroso e  uma piranha das brabas.
N sempre faz a gracinha de comprar duas fatias de pizza e oferecer uma a Claire. Ela fica
segurando a fatia o tempo todo em que os dois conversam e finalmente d uma mordidinha
na ponta da fatia. E a N diz "No acredito no que voc est fazendo, est comendo a minha
pizza!" e arranca a coisa das mos dela e come tudo em duas dentadas. Isto faz Claire rir
to alto que seus peitos quase saltam para fora da blusa.
Todas as meninas da L'cole usam roupa apertada, saia curta e salto alto.
So tipo as putinhas do sistema educacional do Upper East Side. N gosta de azarar todas, e
fica nessa o tempo todo, mas se B o enganar por mais tempo, ele pode comear a dar a
Claire mais do que uma mordida na pizza. S que dessa vez Claire o surpreendeu
perguntando se ele conhece S. E Claire afirma ter ouvido que S no s engravidou no ano
passado, mas que deu  luz na Frana. O nome de seu beb  Jules e ele passa muito bem,
morando em Marselha.
E quanto a D,bem, ele est se sentando no ptio da Riverside Prep novamente, lendo poesia
e comendo PB & J. Sei que isso parece triste, mas no se preocupe com D. A hora dele est
chegando. Fique ligada.

Flagra

K estava devolvendo uma bolsa cor-de-rosa com estampa do exrcito na Barneys.
Pessoalmente, achei a bolsa uma graa. Mas algum deve ter falado mal dela.


                           Para voc que me ama,
                                 Gossip Girl
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recados

- Oi, Nate.  Serena. S estou ligndo para saber como voc est. Achei que talvez a gente
pudesse sair  noite, mas sabe de uma coisa? Estou cansada. So s 10 horas, mas acho
que vou dormir. Vejo voc ni fim de semana, t bom? Mal posso esperar. Te adoro. Boa
noite.
Serena desligou. Seu quarto parecia muito silencioso. At a 5 Avenida estava parada,
exceto pelo ocasional txi que passava.
De onde estava sentada, na cama com dossel, ela podia ver a foto da sua famlia no pota-
retratos de prata, tirada na Grcia quando Serena tinha 12 anos. O capito do veleiro que
eles alugaram tinha batido a foto. Estavam todos em trajes de banho, e seu irmo, Erik, que
tinha 14 anos na poca, dava um grande e barulhento beijo na bochecha de Serena
enquanto os pais olhavam, rindo. Serena tinha menstruado pela primeira vez naquela
viagem. Ficou to constrangida que no conseguiu contar aos pais, mas o que ela devia
fazer, presa num barco? Eles estavam ancorados perto da ilha de Rodes, e enquanto seus
pais mergulhavam com snorkel e Serena e Erik deviam ter aulas de windsurf. Erik nadou at
a praia, roubou uma Vespa e comprou para ela uns absorventes tamanho grande. Ele voltou
com eles num saquinho plstico, amarrado no alto da cabea, seu heri.
Serena atirou a calcinha acabada ao mar. Provavelmente ainda estava l, presa num recife
em algum lugar.
Agora Erik era um calouro da Brown e Serena nunca o via. Ele foi  Frana no vero, mas os
dois passaram todo o tempo na pegaoe no tiveram tempo para conversar.
Serena pegou o telefone novamente e pressionou o boto de discagem rpida para o
apartamento do irmo, perto do campus. O telefone tocou at que finalmente a secretria
eletrnica atendeu.
- Se voc quer deixar um recado para Dillon, aperte 1. Se quer deixar recado para Tim,
aperte 2. Se quer deixar recado para Drew, aperte 3. Se quer deixar recado para Erik, aperte
4.
Serena pressionou 4 e depois hesitou.
- Oi... Serena. Desculpe por no ter ligado antes. Mas voc podia me telefonar tambm,
seu babaco. Fiquei presa em Ridgefield, cheia de tdio, at este fim de semana, e agora
voltei para a cidade. Hoje foi meu primeiro dia na escola. Foi meio estranho. Naverdade, foi
um saco. Todo mundo est...tudo est...sei l...esquisito... De qualquer forma, me liga.
Sinto sua falta, sua besta. Vou te mandar comida assim que puder. Te adoro. Tchau.




a vida  frgil e absurda

- Voc  to cheio de merda, Dan - disse Jenny Humphrey ao irmo. Eles estavam sentados
 mesa da cozinha do grande apartamento de 3 andares e 4 quartos na West End Avenue.
Era um lugar bonito e antigo, com p-direito de 3,5 metros, muitas janelas ensolaradas,
grande armrios e banheiros enormes com ps, mas no era reformado desde a dcada de
1940. As paredes estavam manchadas de umidade e rachadas, e o piso de madeira era
arranhado e fosco. Montes antigos e enormes de poeira se acumulavam nos cantos e juntos
dos rodaps como musgos. De vez em quando o pai de Jenny e Dan, Rufus Humphrey,
contrata um servio de limpeza para dar uma faxina no lugar; seu enorme gato, Marx,
mantinha as baratas em ordem, mas na maior parte do tempo a casa parecia um sto
aconchegante e bagunado. Era o tipo de lugar em que voc espera encontrar tesouros
perdidos como fotos antigas, sapatos finos ou um osso da ceia de Natal do ano passado.
Jenny comis metade de um grapefruit e bebia um copo de ch de menta. Desde que tinha
menstruado na ltima primavera, ela comia cada vez menos. De qualquer modo, Tudo o que
comia ia direto para os peitos. Dan se preocupava com os hbitos alimentares de sua
irmzinha, mas Jenny estava t vigorosa e cheia de energia como sempre foi; ento, o que
ele sabia? Por exemplo, ele no sabia que Jenny comprava um bolo de chocolate tostado e
amanteigado quase todo dia no caminho para a escola em uma pequena delicatessen na
Broadway.
Dan comia um donut de chocolate da Entenmann - o segundo - e bebia caf instantneo com
mate e 4 colheres de acar. Ele gostava de acar e cafena, e isso provavelmente era
parte do motivo para as mos tremerem. Dan no se preocupava em ser saudvel. Ele
gostava de ser tenso.
Enquanto comia, Dan lia o roteiro de Vanessa Abram para o curta-metragem, o filme que ele
devia estrelar. Ficou lendo a mesma frase repetidamente, como um mantra: A vida  frgil e
absurda.
- Vai me dizer que voc no se importaria que Serena van der Woodsen tenha voltado -
dasafiou-o Jenny. Ela colocou um gomo do grapefruit na boca e chupou. Depois enfiou os
dedos na boca, poxou a pele branca da polpa e colocou no prato. - Voc tem de ver Serena.
Ela est completamente cool.  como se tivesse de visual novinho. No estou falando das
roupas;  a cara dela. Ela parece mais velha, mas no tem ruga nem nada disso.  como se
fosse a Kate Moss ou uma modelo que foi a tudo que  canto, viu de tudo e saiu do outro
lado. Ela parece totalmente, tipo assim, vivida.
Jenny esperou que o irmo respondesse, mas ele encarava a xcara de caf.
A vida  frgil e absurda.
- Voc no quer nem mesmo ver a Serena? - insistiu Jenny.
Dan pensou no que tinha ouvido de Chuck Bass sobre Serena. Ele no queria acreditar em
nada daquilo, mas, se Serena parece to vivida como disse Jenny, talvez o que Chuck disse
seja verdade. Talvez Serena realmente fosse a msi piranha, a mais drogada e a mais doente
de NY.
Dan deu de ombros e apontou a pilha de casca de grapefruit no prato de Jenny.
- Isso  ridiculo. No d para voc comer sucrilhos ou coisa assim, como uma pessoa
normal?
- Qual  o problema de grapefruit?  refrescante.
- Ver voc comer desse jeito, no .  nojento. - Dan enfiou o resto do donut na boca e
lambeu o chocolate dos dedos, com o cuidado de no sujar o roteiro.
- Ento no olha. E, depois, voc no respondeu a minha pergunta.
Dan olhou para cima.
- Que pergunta?
Jenny colocou os cotovelos na mesa e se inclinou para a frente.
- Sobre Serena. Eu sei que voc quer v-la.
Dan voltou a olhar o roteiro e deu de ombros.
- Pode ser.
- Ah, pode ser - disse Jenny, revirando os olhos. - Olha, vai ter uma festa na sexta-feira que
vem. Uma festona beneficente para salvar os falces no Central Park. Sabia que tem falco
no Central Park? Eu no sabia. Mas a, a Blair Waldorf est organizando, e voc sabe que ela
e Serena so muito amigas, ento claro que Serena vai.
Dan continuou lendo o roteiro, ignorando completamente a irm. E Jenny continuou,
ignorando o fato de que Dan a estava ignorando.
- E a s o que a gente tem de fazer  dar um jeito de ir nessa festa.- Jenny pegou um
guardanapo na mesa, amassou em uma bola e atirou na cabea do irmo. - Dan, por favor-
implorou ela.-A gente tem que ir!
Dan colocou o roteiro de lado e olhou para a irm, os olhos castanhos srios e tristes.
- Jenny eu no quero ir a essa festa. Na sexta que vem, provavelmente, vou na casa do
Deke para jogar no playStation, e depois devo ir para o Brooklyn para ficar com a Vanessa, a
irm dela e os amigos. Como fao toda sexta  noite.
Jenny batia nas pernas da cadeira como uma garotinha.
- Mas por qu, Dan? Por que no vai na festa?
Dan sacudiu a cabea, sorrindo com amargura.
- Porque no fomos convidados? Porque no vamos ser convidados? Desista, Jen. Desculpe,
mas  assim que as coisas so. Somos diferentes deles, voc sabe disso. No vivemos no
mundo de Serena van der Woodsen ou Blair Waldorf, nem de nenhuma dessas pessoas.
- Ai, como voc  covarde! Voc me deixa maluca - disse Jenny, revirando os olhos. Ela se
levantou e colocou os pratos na pia, esfregando-os furiosamente com a esponja. Depois
girou o corpo e colocou as mos nos quadris. Estava usando um pijama de flanela rosa e seu
cabelo castanho crespo estava todo para a frente porque tinha ido dormir com ele molhado.
Ela parecia uma minidona-de-casa insatisfeita com peitos que eram dez vezes maiores que o
corpo.
- No ligo para o que voc diz. Eu vou nessa festa! - insistiu ela.
- Que festa? - perguntou seu pai, aparecendo na soleira da porta da cozinha.
Se existisse um prmio para o pai mais constrangedor do universo, Rufus Humphrey
ganharia. Estava usando uma camiseta regata branca manchada de suor e cales de
boxeador em xadrez vermelho, e coava a virilha. No tomava banho h dias e a barba
grisalha parecia crescer a intervalos diferentes. Parte dela estava grossa e comprida, mas no
meio havia trechos e mais trechos com plos curtos. Os cabelos grisalhos e crespos estavam
emaranhados e os olhos castanhos remelentos. Tinha um cigarro atrs da orelha.
Jenny e Dan olharam para o pai em silncio por um tempinho.
Depois Jenny suspirou e voltou aos pratos.
- Deixa pra l - disse ela.
Dan deu um risinho e inclinou a cadeira para trs. O pai odiava o Upper East Side e todas as
suas presunes. Ele s matriculou Jenny na Constance porque era uma escola muito boa e
porque ele andou namorando uma das professoras de ingls de l. Mas ele odiava a idia de
Jenny ser influenciada pelas colegas de turma, ou "aquelas debutantes", como ele as
chamava.
Dan sabia que o pai ia adorar essa.
-- Jenny quer ir numa festa beneficente na semana que vem -- disse ele.
O sr. Humpherey puxou um dos cigarros da orelha e enfiou na boca, brincando com ele entre
os lbios.
-- Em benefcio de qu? -- perguntou ele.
Dan balanava a cadeira para a frente e para trs, com um ar presunoso na cara. Jenny
fechou a torneira e o encarou, desafiando-o a continuar.
-- Saca s -- continuou Dan. --  uma festa para levantar dinheiro para aqueles falces
peregrinos que vivem no Central Park. Provavelmente vo construir umas manses para
eles, ou coisa parecida. Como se no houvesse milhares de sem-teto precisando de dinheiro.
-- Ah, cala a boca -- disse Jenny, furiosa. -- Voc acha que sabe de tudo.  uma festa idiota.
Eu nunca disse que era uma tima causa.
-- Chama isso de causa? -- berrou o pai. -- Que vergonha. Aquelas pessoas s querem os
pssaros por perto porque eles so bonitos. Porque fazem com que elas se sintam no
interior, como nas casas que tm em Connecticut ou no Maine. Eles so decorativos. As
classes ociosas que se dediquem a uma obra de caridade que no faz absolutamente
nenhum bem a ningum!
Jenny se inclinou contra a bancada da cozinha, encarando o teto, e se desligou do pai. Ela j
ouviu o mesmo discurso antes. Isso no mudava nada. Ela ainda quer ir quela festa.
-- Eu s quero me divertir um pouco. Por que fazer esse au todo?
--  um au porque voc vai acabar se acostumando com esse absurdo idiota de debutantes
e vai acabar como um grande simulacro como a sua me, que anda por a com gente rica o
tempo todo porque tem medo de pensar em si mesma -- gritou seu pai, o rosto barbado
ficando vermelho-escuro. -- Mas que droga, Jenny. Voc a cada dia me lembra mais a sua
me.
Dan de repente se sentiu mal.
A me tinha fugido para Praga com um conde ou prncipe ou coisa assim e era basicamente
uma mulher sustentada, deixando que o conde ou prncipe ou o que fosse a vestisse e a
hospedasse em hotis de toda a europa. O que ela fazia o dia todo era comprar , comer,
beber e pintar quadros de flores. Ela escrevia cartas para eles algumas vezes por ano e lhes
mandava um presente ou outro. No ltimo Natal ela mandou para Jenny um vestido de
camponesa da Alemanha. Era uns 10 nmeros menor.
No foi uma coisa legal seu pai dizer que Jenny lembrava a me. No foi nada legal.
Jenny parecia estar a ponto de chorar.
- Deixa pra l, pai -tornou Dan. -No fomos convidados para a festa, de qualquer forma.
Ento nenhum de ns pode ir, mesmo que queira.
- Viu o que eu quis dizer? - disse o sr. Humphrey, triunfante. - Por que voc quer andar com
essa gente esnobe?
Jenny encarou o piso sujo e vitrificado da cozinha.
Dan se levantou.
- V se vestir rpido, Jen. Eu vou com voc at o ponto de nibus.



n recebe um convite

No intervalo de 6 minutos entre o toque da sineta para o fim da aula de latim e o toque de
incio da aula de educao fsica, Nate se esgueirou para o laboratrio de computao da St.
Jude's School. Ele e Blair se acostumaram a trocar um bilhete de amor por e-mail toda
quarta-feira (todo bem, foi idia da Blair), para ajudar a atravessar a chatice da semana de
aulas. S mais 2 dias para o fim de seman, quando eles podiam passar o tempo que
quisessem juntos.
Mas hoje Nate no estava pensando em Blair. Ele queria ver como Serena estava indo. Na
noite passada ela havia deixado um recado na secretria eletrnica de seu quarto quando ele
estava assistindo ao jogo dos Yankees com os amigos. A voz dela parecia solitria, triste e
muito distante, embora ela morasse a apenas uma quadra e meia dele. Nate nunca ouviu a
voz de Serena to deprimida. E desde quando Serena van der Woodsen ia dormir cedo?
Nate se sentou diante de um dos PCs que zumbiam no laboratrio. clicou na janela de Nova
Mensagem e digitou o e-mail para o velho endereo de Serena na Constance. Ele no sabia
sa ela ia verificar ou no, mas valia a pena tentar.


Para: serenavdw@constancebillard.edu
De: narchibald@stiudes.edu

Oi. como  que t? Recebi seu recado ontem  noite. Desculpa por no estar l. Vejo voc
definitivamente na sexta, t legal?
Beijos, Nate.



Depois ele abriu sua caixa postal. Surpresa, surpresa, havia um bilhete de Blair. Eles no se
falavam desde a festa da me dela duas noites antes.


Para: narchibald@stiudes.edu
De: blairw@constancebillard.edu

Querido Nate,
Estou com saudades. Segunda  noite acho que foi realmente especial. Antes de sermos
interrompidos, eu estava planejando para a gente uma coisa de que falamos por um bom
tempo. Acho que voc sabe do que estou falando. Acho que o timing no foi dos melhores.
Eu s queria dizer a voc que estou pronta para isso. Eu no estava pronta antes, mas agora
estou. Minha me e Cyrus vo viajar na sexta e eu realmente quero dormir com voc.
Eu te amo. Me liga.
Beijos,
Blair.

Ele leu o e-mail de Blair 2 vezes e depois fechou o arquivo para no ter de olhar aquilo de
novo. Era s quarta-feira. Ser possvel que Blair continuasse sem saber sobre ele e Serena
at sexta, apesar de ela estar na escola com Serena todo dia e elas serem amigas e
contarem tudo uma  outra?  mais provvel que no. E o Chuck Bass? Ele no era
exatamente muito competente em guardar segredos.
Nate esfregou furiosamente os olhos verdes. No importava como Blair descobrisse. Para
qualquer lado que olhasse, ele estava fodido. Tentou preparar um plano, mas o nico plano
em que conseguiu pensar foi esperar e ver o que ia acontecer quando encontrasse Blair na
sexta  noite. No tinha sentido ficar agitado com isso agora.
Nesse momento a porta do laboratrio de computao se abriu e Jeremy Scott Tompkinson
ps a cabea na porta.
- Ei, Nathaniel, vamos matar a educao fsica. Vem com a gente para o parque, vamos
jogar bola.
A 2 sineta tocou. Nate estava atrasado esmo para a aula de educao fsica, e depois dela
tinha o almoo. Matar aula parecia uma idia excelente.
- T, certo. Pera um minutinho. - Nate clicou no e-mail de Blair e o arrastou para a lixeira.
-Tudo bem - disse ele, levantando-se. -Vamos l.
Hmmm, se ele realmente a amasse, teria salvado o e-mail, ou pelo menos teria respondido,
n?


Era um dia ensolarado de outubro no Central Park. Do lado de fora da Sheep Meado, grupos
de garotos matavam aula, deitados na grama, fumando ou jogando Frisbee. As rvores que
cercavam o gramado eram um esplendor de amarelo, laranja e vermelhos, e alm dar
rvores avultavam os belos apartamentos antigos do Central Park West. Um cara vendia
erva, e Anthony e Charlie Dern passaram um enorme cigarro entre eles enquanto brincavam
com uma bola de futebol no gramado. Charlie deu um tapa e passou para Jeremy. Nate
atirou-lhe a bola e Charlie tropeou nela. Ele tinha 1,80m de altura sua cabea era grande
demais para o seu corpo. As pessoas o chamavam de Frankenstein. Sempre o louro atltico,
at quando estava chapado, Anthony avanou para a bola e a chutou, pelo alto, para
Jeremy. Ela atingiu Jeremy no peito magricela, que a "matou" e a deixou rolar pelo corpo,
dominando-a entre os ps.
- Caraca, esse troo  forte - exclamou Jeremy, puxando a cala para cima. Ela sempre
escorregava por seus quadris, independentemente de o quanto ele apertasse o cinto.
- ,  mesmo  concordou Nate. - Estou totalmente fodido  os ps de Nate coavam.
Parecia que a grama estava crescendo pelo solado de borracha dos tnis.
Jeremy manteve a bola.
- Ei, Nate. J viu Serena van der Woodsen?  perguntou.  Eu soube que ela voltou.
Nate olhou para a bola por um longo tempo, desejando estar com ela para poder driblar para
fora do campo e fingir que no tinha ouvido a pergunta de Jeremy. Ele podia sentir os outros
trs garotos olhando para ele. Ele se abaixou e puxou os cadaros do tnis para poder coar
a sola do p. Droga, como coa.
- , eu vi a Serena na segunda  disse ele casualmente pulando em um p s.
Charlie limpou a garganta e cuspiu na grama.
- Como  que ela est?  perguntou ele.  Eu soube que ela teve todo tipo de encrenca na
Hanover.
- Eu tambm soube  disse Anthoy, dando um tapa do fumo.  Ouvi dizer que ela foi expulsa
porque transou com todo o grupo de caras da turma dela  ele riu.  Tipo assim, no dava
para pagar um quarto de hotel?
Charlie riu.
- Eu soube que ela tem um filho.  srio. Ela teve o filho na Frana e deixou l. Os pais dela
esto pagando para ele ser criado em um convento francs chique. Parece a porra de um
filme, cara.
Nate no conseguiu acreditar no que estava ouvindo. Deixou cair o tnis e se sentou na
grama. Depois tirou o outro tnis e arrancou as meias. Ele no disse nada, s ficou sentado
ali, coando os ps nus.
- D para imaginar Serena com todos aqueles caras fortes no quarto dela? Tipo assim,
Ooooh, gato, mais forte, mais forte!  Jeremy se jogou na grama, agarrado  barriga e
gargalhando histericamente.  Ah, cara!
- Ser que ela sabe quem  o pai?  perguntou Anthony.
- Ouvi dizer que rolou droga pra caramba tambm  disse Charlie.  Ela estava traficando e
ficou viciado no troo. Passou o vero todo na reabilitao na Sua. Depois que o beb
nasceu, eu acho.
- Caraca, isso  foda  exclamou Jeremy.
- Voc e ela tm um lance, n, Nate?  disse Charlie.
- Onde foi que voc ouviu isso?  perguntou Nate carrancudo.
Charlie sacudiu a cabea e sorriu.
- Sei l, cara. Por ai. O que  que tem? Ela  gostosa.
- , bom, eu j vi mais gostosa...  Nate imediatamente se arrependeu. Do que  que ele
estava falando?
- , a Blair  bem gostosa tambm, eu acho  disse Charlie.
- Aposto que ela  doidaa na cama  concordou Jeremy.
- O cara ai fica cansado s de pensar nisso!  interveio Anthony apontando para Nate e
gargalhando.
Nate riu e sacudiu a cabea, tentando sacudir as palavras de seus ouvidos.
Ele se deitou na grama e olhou para o cu azul e vazio. Se inclinasse a cabea para trs,
veria os telhados das coberturas da Quinta Avenida, inclusive as da Serena e Blair. Nate
deixou o queixo pender para que s pudesse ver o cu azul. Estava quente demais para lidar
com qualquer uma dessas coisas. Desligou-se dos amigos e tentou limpar a mente
completamente, a cabea to vazia e azul quanto o cu. Mas no conseguia se livrar da
imagem de Serena e Blair flutuando nuas acima de sua cabea. "Voc sabe que me ama",
elas estavam dizendo. Nate sorriu e fechou os olhos.




                                       Gossipgirl.net

    ___________________________________________________________________
                 temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                         oi, gente!

Eu sei que no faz muito tempo. Mas eu resisto a escrever mais sobre N. Meu novo tema
favorito. Afinal de contas, ele  to absurdamente bonito. Mesmo que seja meio fraquinho no
quesito colhes.

CHAPADO NO CENTRAL PARK

Na verdade, meu novo tema favorito  o mauricinide - a verso da elite inutilide, ou
chapado. Ao contrrio do inutilide chapado mdio, o mauricinide no gosta de RPG, nem
faz skate, nem tem uma dieta vegan. Ele tem um corte de cabelo bonitinho e uma boa pele.
Cheira bem, veste os suteres de cashmere que a namorada compra para ele , tira notas
decentes e  um doce com a me. Veleja e joga futebol. Ele sabe como amarrar uma
gravata. Sabe danar.  sexy! Mas o mauricinide nunca investe totalmente em nada nem
em ningum. Ele no  entro e nunca diz o que pensa. Ele no assume riscos, e  por isso
que  to arriscado se apaixonar por ele.
Voc pode ter percebido que eu sou o contrrio - eu nunca sei quando calar a boca! E
acredito seriamente que os opostos se atraem. Tenho de confessar que estou me
transformando numa tiete de mauricinide.

E, pelo visto, eu no sou a nica.

Seu E-mail:

P: Cara Gossip Girl,
andei rolando com N em um cobertor no central park, pelo menos, acho que era o mesmo N,
ele  sardento, n? tem cheiro de bronzeador e maconha?
- garotadocobertor

R: Cara garotadocobertor,
Hmmmm. Aposto que era.

- GG


Flagra

B comprando camisinhas na farmcia Zitomer. Extragrande reforada! O que quero saber 
como ela sabia que tamanho usar. Acho que j fizeram de tudo, exceto. Depois, B foi direto
para o salo J. Sisters para sua primeira depilao com cera quente na virilha. Ai. Mas, pode
acreditar, vale a pena. Tambm peguei S nos correios, mandando um pacote grande. Roupas
para beb da Barneys para o francesinho, quem sabe? Peguei I e K na 3 Gyus Coffe Shop,
comendo fritas e chocolate quente de novo. Tinham acabado de devolver aqueles vestidinhos
bonitinhos que compraram na Bendel's outro dia - ah, meu bem, ficaram gordas demais
neles? - e estavam discutindo outras opes para o que usar na festa Beijo na Boca. Que
pena que no  uma festa de toga.


Vocabulrio

Como muitos de vocs tm perguntado, vou responder  grande pergunta que est
frustando a todos desde que descobriram sobre a festa para os falces peregrinos.

Tudo bem. De acordo com meu dicionrio tijolo aqui:

Falco: s. 1. qualquer das vrias aves de rapina da famlia Falconidae, esp. do gnero Falco,
em geral distinguidas por asas longas e em pontas, um bico em gancho com chanfrado em
forma de dente de cada lado do bico superior, e um vo veloz e gil, em geral mergulha para
pegar a presa: algumas espcies de falco esto em risco de extino. Falco peregrino, um
falco distribuido em todo o mundo, Falco peregrinus, muito usado em falcoaria por causa do
vo rpido.

Tenho certeza que ficaram na beiradinha da cadeira com essa. Mas s estou tentando
manter vocs informados - esse  meu trabalho.

Vejo vocs no parque!

                                Para voc que me ama,
                                      gossip girl

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s tenta se aperfeioar


-Bem,  maravilhoso que voc tenha voltado, querida - disse a srta. Glos, orientadora
universitria da Constance, Serena. Rla pegou os culos pendurados no pescoo com uma
correntinha de ouro e os deslizou no nariz para poder examinar o histrico de Serena,
colocado em cima da sua mesa. - Agora, vamos ver. Hmmmm. Sim. Tudo bem - murmurou
ela, lendo o histrico novamente.
Serena estava sentada diante da srta. Glos, com as pernas cruzadas, esperando
pacientemente. No havia diplomas nas paredes da srta. Glos, nenhuma evidncia de
qualquer credencial, s retratos dos netos.  de se pensar que, se  para ela dar conselhos
sobre o assunto, podia pelo menos provar que sabe.
A srta. Glos pigarreou.
- Sim, bem, seu histrico  perfeitamente aceitvel. No  estelar, lembre-se, mas 
adequado. Imagino que voc tenha atividades extracurriculares, sim?
Serena deu de ombros. Se voc chama beber Pernod e danar nua em uma praia Cannes de
atividade extracurricular.
-Na verdade, no. Quer dizer, no estou matriculada em nenhuma atividade extracurricular
atualmente.
A srta. Glos baixou os culos. Suas narinas ficavam muito vermelhas, e Serena se perguntou
se ela estava a ponto de ter uma hemorragia nasal. A srta. Glos era famosa pelas
hemorragias nasais. Tinha a pela muito branca, com um toque amarelado. Todas as meninas
pensavam que a srta. Glos tinha alguma doena contagiosa terrvel.
- Nenhuma atividade extracurricular? Mas o que voc est fazendo para se aperfeioar?
Serena olhou a srta. Glos de um jeito educado e vago.
Desde quando ela precisava se aperfeioar?
- Vejamos. Bem, vamos ter de colocar voc em alguma coisa, no vamos? - disse a srta.
Glos. - Temo que as faculdades no se disponham a considerar voc sem atividades
extracurriculares. - Ela se inclinou e puxou um mao de folhas soltas de uma gaveta de mesa
e comeou a folhear pginas e mais pginas de folhetos impressos em papel colorido.
- Aqui est uma coisa que comea esta semana. ''Flores no Feng Shui, a Arte do Design
Floral''.
Ela olhou para Serena, que fazia uma careta de dvida.
- No, tem razo. Isso no vai levar voc a Harvard, no ? - disse a srta. Glos com uma
risadinha.
Ela arregaou as mangas da blusa e franziu o cenho para o mao de papis enquanto
folheava rapidamente as pginas. No desistiria apenas com uma tentativa. Ela era muito
boa em seu trabalho.
Serena roeu o polegar. No tinha pensado nisso. Essas faculdades realmente exigiam que ela
fosse um pouco mais do que era . E ela definitivamente queria ir para a faculdade. Uma
faculdade boa. Seus pais certamente esperavam que ela fosse pra uma das melhores
universidades. No que eles a pressionassem - mas faziam isso sem dizer nada. E quanto
mais Serena pensava no assunto, mais percebia que realmente no havia nada que ela
pudesse fazer. Fora expulsa do internato, as notas estavam caindo, ela no tinha idia do
que ia acontecer em qualquer uma de suas aulas e no tinha idia do que ia acontecer em
qualquer uma de suas aulas e no tinha nenhum hobby nem atividade legais depois
daescola. Sua pontuao nos testes de aptido era terrvel porque a mente dela sempre
divagava durante aquelas provas idiotas de encheo de linguia. E quando ela as fizesse de
novo, provavelmente seriam ainda piores. Em suma, ela estava ferrada.
- Que tal teatro? Suas notas de ingls so muito boas, voc deve fazer teatro - sugeriu a
srta. Glos. - Eles s vo ensaiar esta aqui por pouco mais que uma semana. O Clube de
Teatro Interescolar est fazendo uma verso moderna de ...E o vento levou. - Ela olhou para
Serena novamente. - Que tal?
Serena balanava o p para cima e para baixo e ro a unha cor-de-rosa. Tentou se imaginar
sozinha no palco interpretando Scarlett O'Hara. Teria de chorar na hora certa, Fingir
desmaiar e usar vestidos imensos com corpetes e saias-balo. Talvez at uma peruca.
Eu nunca vou ter fome de novo! , gritava ela dramaticamente, em sua melhor voz do sul.
Podia ser meio divertido.
Serena pegou o folheto da mo da srta. Glos., com o cuidado de no tocar onde a srta. Glos.
havia tocado.
- Claro, por que no? Parece legal.

Serena saiu da sala da srta. Glos. quando a ltima aula do dia estava terminando. Os
ensaios de ...E o vento levou aconteciam no auditrio, mas s iam comear s seis, para que
os alunos que praticavam esportes logo depois da aula pudessem participar da pea. Serena
subiu a ampla escadaria central da Constance at o quarto andar para pegar o casaco no
armrio e ver se algum queria ficar ali at as seis. Em volta dela, as meninas passavam
voando, um borro de energia de fim dedia, correndo para a prxima reunio, exerccios,
ensaio ou clube. Por hbito, elas paravam por meio segundo para cumprimentar Serena,
porque, desde que se entendiam por gente, ser vista falando com Serena van der Woodsen
era ser vista.
- Oi, Serena - gritou Laura Salmon antes de descer s pressas a escada para o Clube do
Madrigal na sala de msica do poro.
- At mais, Serena - disse Rain Hoffstetter, enquanto passava deslizando com seu short de
ginstica, em direo a um treino de futebol.
- A gente se v amanh, Serena - garantiu Lily Reed delicadamente, corando porque estava
usando os culotes de montaria o que sempre a constrangia.
- Tchau - disse Carmen Fortier, mascando o chiclete, com sua jaqueta de couro e jeans. Ela
era umadas poucas meninas com bolsa de estudos no primeiro grau e morava no Brounx.
Dizia que no podia usar uniforme em casa para no apanhar. Carmen era presidente do
Clube de Design e Arte Floral, embora sempre mentisse aos amigos do bairro e dissesse que
fazia carat.
De repente o corredor ficou vazio. Serena abriu seu armrio, puxou o casaco Burberry do
cabide e o vestiu.
Depois fechou o armrio com estrondo e trotou pelas escadas, saindo pelas portas da escola,
virando  esquerda para a rua 93 em direo ao Central Park.
Tinha uma caixa de tic tac de laranja no bolso, com apenas um tic tac. Serena pescou o tic
tac e o colocou na lngua, mas estava to preocupada com o futuro que mal sentiu o gosto.
Ela atravessou a Quinta Avenida, andando pela calada que margeava o parque, Folhas
cadas se espalhavam pelo asfalto. Mais  frente no quarteiro, duas menininhas do Sagrado
Corao com uns aventais xadrezes vermelhos e branco bonitinhos passeavam com um
rottweiler preto enorme. Serena pensou em entrar no parque na rua 89 e se sentar um
pouco para matar o tempo at o ensaio da pea. Mas sozinha? O que ela ia fazer, olhar as
pessoas? Ela sempre foi uma daquelas pessoas que todos os outros olhavam.
Ento ela foi pra casa.

A casa ficava no nmero 994 da Quinta Avenida, um prdio elegante e branco perto do
Stanhope Hotel e bem em frente do Metropolitan Museum of Art. Os van der Woodsens
possuam metade da cobertura. O apartamento tinha 14 cmodos, incluindo cinco sutes,
dependncias completas de empregada, uma sala de estar do tamanho de um salo de baile
e duas salas elegantrrimas com bar e home theaters imensos.
Quando Serena chegou em casa, o enorme apartamento estava vazio. Os pais raramente
estavam em casa. Seu pai administrava a mesma empresa de navegao holandesa que o
trisav fundava na dcada de 1700. os pais pertenciam ao conselho diretor de todas as
grandes organizaes de arte e de caridade da cidade e sempre tinham de comparecer a
reunies, almoos ou levantamentos de fundos. Deidre, a empregada, estava fazendo
compras, mas o lugar estava imaculado e havia vasos de flores frescas em casa cmodo,
inclusive nos banheiros.
Serena abriu a porta corredia da menor das salas e reclinou a poltrona favorita de veludo
azul, Pegou o controle remoto e pressionou os botes para abrir o armrio da tv e ligar o
aparelho de tela plana. Zapeou pelos canais com impacincia, incapaz de se concentrar no
que quer que visse, parando finalmente do TRL, muito embora achasse Carson Daly o
homem mais irritante do mundo.
No assistia muito a tv ultimamente. No internato, as colegas de quarto fariam pipoca e
chocolate para ver, de pijama, o Saturday Night Live ou Jackass, mas Serena referia fugir
para beber schnapps de pra e fumar cigarros com os meninos do poro da capela.
Mas o que mais a aborrecia agora no era Carson Daly ou mesmo o gato de ela estar
sentada sozinha em casa sem anda para fazer, era idia de que podia passar o resto da vida
fazendo exatamente isso - vendo tv sozinha no apartamento dos pais -, se no fizesse
alguma coisa decente e fosse para a faculdade! Por que ela era to idiota? Todo mundo
recia estar fazendo uma merda qualquer. Ser que tinha perdido a importantssima
conversa '' est na hora de fazer alguma cois adireito''? Por que ningum a avisou de nada?
Bem, no tinha sentido ficar to anciosa. Ainda tinha tempo. Ela podia se divertir tambm.
No tinha de virar freira s porque estava entrando no Clube de Teatro Interescolar, ou o
que fosse.
Serena desligou a tv e foi para a cozinha. A cozinha dps van der Woodsens era gigantescas.
Armrios de vidro junto s paredes sobre as brilhantes bancadas de ao inos. Tinha dois
foges de restaurante e trs geladeiras Sub-Zero. Uma enorme mesa de aougueiro ficava
no meio da cozinha, e em cima da mesa havia uma pilha de correspondncia.
Serena deu uma olhada na correspndncia. A maioria era de convites para os pais -
envelopes quadrados brancos, impressos em tipologia antiquada- a bailes, jantares
beneficentes, levantamentos de fundos e leiles. Depois havia os vernissages - cartes-
postais com a foto de uma obra do artista de um lado e os detalhes do vermissage no verso.
Um deles chamou a ateno de Serena.
Obviamente estava esquecido na correspondncia havia algum tempo, porque parecia
surrado, e o vernissage que anunciava comeava s quatro da tarde na quarta-feira, que
era..agora. Serena virou o carto olhou a foto da obra do artista. Parecia um close em preto-
e-branco de um olho, pintado de rosa. O ttulo da obra era Kate Moss. E o nome da
exposio era ''Ns Bastidores''. Serena semicerrou os olhos. Havia alguma coisa de inocente
e bela naquilo, e ao mesmo tempo era meio grosseiro. Talvez no fosse um olho. Ela no
sabia bem o que era. Mas era definitivamente bacana. Isso era inquestionvel; Serena
descobriu o que ia fazer na duas horas seguintes.
Foi correndo para o quarto, tirou o uniforme marrom e pegou a cala preta de couro favorita.
Depois pegou o casaco e chamou o elevador. E minutos ela estava saindo de um taxi diante
da Whitehot Gallery em Chelsea.

No minuto em que entrou ali, Serena tratou de pegar um martni e assinou a lista de
convidados. A galera estava cheia de hipsters de vinte e poucos anos com roupas
moderninhas, bebendo martni e admirando as fotos penduradas nas paredes. Cada
fotografia era parecida com um carto-postal, aquele mesmo close de um olho em preto-e-
branco ampliado, em diferentes formatos e tamanhos pintados em cores diferentes. Debaixo
de cada um deles havia uma etiqueta, e em cada etiqueta o nome de uma celebridade: Kate
Moss, Kate Hudson, Joaquin Phoenix, Jude Law, Gisele Bndchen, Cher, Eminem, Christina
Aguilera, Madonna, Elton John.
Saa msica pop francesa de alto-falantes invisveis. Os fotgrafos, os irmos Remi, gmeos
idnticos de uma modelo francesa e um deque ingls, estavam sendo entrevistados e
fotografados por Art Forum, Vogue, W, Harper's Bazaar e o New Your Times.

Srena analisou cada fotografia cuidadosamente. No era olhos, concluiu ela, agora que as
via ampliadas. Mas o que eram? Umbigos?

-Oi, ma chrie. Linda garota, Qual  o seu nome?
Era um dos irmos Remi. Tinha 26 anos e 1,90m, a mesma altura de Serena. Tinha cabelos
pretos crespos e olhos azuis brilhantes. Falava com sotaque francs e britnico. Estava
vestido da cabea aos ps de azul-marinho, tinha lbios vermelho escuro que se curvavam
para cima como os de uma raposa. Ele era absolutamente lindo, como tambm seu irmo
gmeo.
Garota de sorte.
Serena no resistiu quando ele a colocou em uma foto com ele e o irmo para a seo Styles
da edio de domingo do New York Times. Um irmo ficou ao lado de Serena e a beijou no
pescoo, enquanto o outro se ajoelhou diante dela e abraou seus joelhos. Em volta deles,
as pessoas olhavam cobiosamente, ansiosas para ter um vislumbre da nova garota ''da
hora''.
Todo mundo em Nova York queria ser famoso. Ou pelo menos ver algum que fosse famoso,
para poder falar disso depois.
O colunista social do New York Times reconheceu Serena das festas a que compareceu a um
ano ou mais atrs, mas no tinha certeza de quem era ela.
-Serena van der Woodsen?, estou certo? - disse ele, desviando os olhos do notepad para
olhar para ela.
Serena enrubesceu e assentiu. Estava acostumada a ser reconhecida.
-Voc precisa posar pra ns - arfou um dos irmos Remi, beijando a mo de Serena.
-Precisa mesmo - concordando o outro, dando uma azeitona a ela.
-Claro. Por que no? - Serena riu, embora no tivesse idia de com o que estava
concordando.
Um dos irmos Remi apontou uma porta com a placa Privativo do outro lado da galera.
-Vamos conversar ali - sugeriu ele. - No fique nervosa. Ns dois somos gays.
Serena riu e tomou um longo gole de seu drinque. Ser que estavam brincando?
O outro irmo deu-lhe um tapinha na bunda.
-Est tudo bem, querida. Voc  absolutamente estoneante, ento no precisa se preocupar
com nada. Vamos. Voltaremos rapidinho.
Serena hesitou, mas s por um segundo. Ela podia se equiparar a gente como Christina
Aguilera e Joaquin Phoenix. Sem problema. De queixo erguido, ela foi em direo porta com
a placa Privativo.
Mas a um cara de Associao Pblica de Artes e uma mulher do Departamento de Trnsito
de Nova York apareceram para falar com os irmos Remi sobre um novo programa pblico
de vanguarda. Eles queriam colocar uma foto dos irmos Remi nas laterais dos nibus, no
metr e na publicidade em cima de txis em toda a cidade.
-Sim, claro que sim - concordaram os Remi. - Se puder esperar um minuto, vamos fazer
uma nova agora. Podemos d-la excluisivamente para vocs!
-Como ela se chama? - perguntou ansiosa a mulher do Departamento de Trnsito.
-Serena - disseram os rapazes Remi em unssono.



o despertador social est prximo de santidade

-Encontrei uma grfica que far isso para amanh  tarde e vai subscritar cada um dos
convites para que estejam aqui na sexta-feira de manh - disse Isabel, satisfeita consigo
mesma por ser to eficiente.
- Mas olha como ficou caro. Se a gente usar, depois vai ter que cortar custos em outras
coisas. Viu quanto a Takashimaya est cobrando pelas flores?
Assim que terminaram as atividades da quarta-feira depois da aula, o comit organizador da
Beijo na Boca se reuniu com batatas fritas e chocolate quente em um reservado da 3 Guys
Coffee Shop - Blair, Isabel, Kati e Tina Ford, da Seaton Arms School - para tratar dos ltimos
preparativos para a festa.
A crise com que lidavam estava no fato de que a festa ia acontecer em nove dias e ningum
ainda tinha recebido o convite . Os convites tinham sido encomendados semanas antes, mas
graas a uma confuso sobre o local da festa, que aconteceria no The Park - um novo
restaurante de sucesso no baixo Chelsea - e foi tranferida para o antido prdio da Barneys
na rua 17 com a Stima Avenida, os convites prontos eram inteis. As meninas passavam
por um aperto. Tinham de conseguit convites novos, e rpido, ou no haveria festa
nenhuma.
-Mas a Takashimaya  s um dos lugares para a gente comprar flores. E no custa to caro
assim. Ah, vamos l Blair, pense em como vai ser legal - gemeu Tina.
- Sai caro, sim - insistiu Blair. - E tem um monte de lugares para se compara flores.
-Bem, talvez a gente possa pedir ao pessoal do falco peregrino para arrumar isso - sugeriu
Isabel. Ela pegou uma batata frita, mergulhou em ketchup e enfiou na boca. -Eles quase no
fizeram nada.
Blair revirou os olhos e soprou seu chocolate quente.
-A  que est o problema. Ns  que estamos levantando dinheiro para eles.  uma causa.
Kati enrolou uma mecha de seu cabelo louro frisado no dedo.
-O que  um falco peregrino, afinal de contas?  tipo um pica-pau?
-No, acho que  maior - explicou Tina. - Eles comem outros animais, entendeu, tipo coelho,
rato, essas coisas.
-Eca! - disse Kati.
-Eu li uma definio de um deles um dia desses - refletiu Isabel. - No consigo lembrar onde
foi.
GossipGirl.net, talvez?
-Eles esto quase extintos - acrescentou Blair. Ela passou o dedo pela lista de convidados
para a festa. Havia trezentas e sessenta ao todo. Todos jovens - sem os pais graas a Deus.
Os olhos de Blair automaticamente foram atrados para um nome perto do fim da lista:
Serena van der Woodsen. O endereo dado era de seu quarto no alojamento Hanover
Academy, em New Hampshire. Blair baixou a lista na mesa sem corrigir o endereo de
Serena.
-Vamos ter de gastar dinheiro extra com a grfica e cortar onde pudermos - disse ela
rapidamente. - Eu posso cortar onde pudermos - disse ela rapidamente. - Eu posso falar com
a Takashimaya para usar lrios em vez de orqudeas e deixar pra l as penas de pavo em
volta dos vasos.
-Posso fazer os convites - ofereceu-se uma vozinha atrs delas. - De graa.
As quatro meninas se ciraram para ver quem era.
Olha s,  a menininha-boneca, pensou Blair. Da stima srie que faz a caligrafia dos
hinrios da escola.
Posso fazer os convites a mo hoje  noite e coloc-los no correio. S vai ter o custo do
material, mas eu sei onde conseguir papel de boa qualidade por um preo bom - disse Jenny
Humphrey.
-Ela fez todos os hinrios da escola - cochichou Kati para Tina. - Ficaram muito bons.
-  - concordou Isabel. - So muito bacanas.
Jenny corou e encarou o brilhante piso de linleo da cafeteria, esperando que Blair se
decidisse. Ela sabia que era Blair quem importava.
- E vai fazer tudo de graa? - perguntou Blair desconfiada.
Jenny ergueu os olhos.
Blair pesou os prs e os contras mentalmente. Prs: Os convites seriam exclusivos e, melhor
de tudo, gratuitos, e assim elas no teriam de economizar nas flores. Contras: No havia
absolutamente nenhum.
Blair olhou para a garota-boneca de cima a baixo. Sua ajudantezinha da stima srie com
um peito enorme. Ela era do tipo que gosta de dar duro, ficaria totalmente deslocada na
festa... e quem ligaria para isso?
-Claro, voc pode fazer os convites. Faa um para seus amigos tambm - disse Blair
entregando a lista de convidados a Jenny.
Quanta generosidade.
Blair deu todas as informaes necessrias a Jenny, que saiu esbaforida da cafeteria. As
lojas logo estariam fechadas e ela no tinha muito tempo. A lista de convidados era maior do
que previra, e ela teria de ficar trabalhando a noite toda nos convites, mas ia  festa; era s
o que importa.
Espere s at ela contar a Dan. Ele vai ficar doente. E ela vai fazer com que ele v  festa,
goste ele ou no.



e o vento levou tudo pras cucuias

Dois martnis e trs rolos de filmes dos irmos Remi depois, Serena saltou de um txi na
frente do Constance e subiu correndo as escadas para o auditrio, onde o ensaio da pea
interescolar j havia comeado. Como sempre, ela estava meia hora atrasada.
O som de uma msica do Talking Heads tocado no piano vinha pelo corredor. Serena
empurrou a porta do auditrio e e via seu velho amigo, Ralph Bottoms III, cantando Burning
Down the South, com uma cara completamente sria. Estava vestido com Rhett Butler, de
bigode falso e botes de bronze. Ralph tinha engordado nos ltimos dois anos e seu rosto
estava corado, com ose ele andasse comendo carne demais. Ele estava de mos dadas com
uma garota atarracada de cabelos castanhos crespos e um rosto em forma de corao -
Scarllet O'Hara. Ela tambm cantava, cingindo as palavras com um sotaque forte do
Brooklyn.
Serena se apoiou de costas na parede para ouvir, com um misto de horror e fascnio. A cena
na galeria de arte no havia perturbado, mas isto.. era apavorante.
Quando a msica terminou, os outros membros do Clube do Teatro Interescolar aplaudiram
e gritaram, e depois a professora de teatro, uma inglesa meia velha, comeou a dirigir a
cena seguinte.
- Coloque as mos nos lbios, Scalett- insistiu ela. -Mostre-me, mostre-me. Isso. Imagine
que voc  a sensao adolescente do sul da Guerra Civil. Voc est quebrando todas as
regras!
Serena se virou para olhar pela janela e viu trs meninas saindo juntas de um txi na
esquina da rua 93 com a Madison. Semicerrou os olhos e reconheceu Blair, Kati e Isabel.
Serena se abraou, afastando a estranha sensao que a assaltava desde que voltara 
cidade, Pela primeira vez em toda a vida, ela se sentiu excluda.
Oi! Tchau! -, Serena deslizou para fora do auditrio e saiu pelo corredor. A parede estava
cheia de folhetos e notcias e ela parou para ler. Um dos folhetos era da seleo de elenco do
filme de Vanessa Abrams.
Conhecendo Vanessa, o filme ia ser srio e obscuro, mas era melhor do que gritar msicas
bobalhonas e ficar embromando com o vermelho gordo do Ralph Bottoms III. A seleo de
Vanessa tinha comeado havia uma hora, em um banco do Madison Square Park, mas talvez
ainda desse tempo. Mais uma vez Serena se viu correndo atrs de um txi, direto para o
centro.

- assim que quero que voc faa - disse Vanessa a Marjorie Jaffe, segundanista da
Constance e a nicamenina que apareceu para se candidatar ao papel de Natasha no filme
de Vanessa . Marjorie tinha cabelos ruivos crespos e sardas, um narizinho arrebitado e no
tinha pescoo. Mascava chiclete sem parar e era completamente errada para o papel, um
pesadelo.
O sol estava, se pondo e o Madison Square Park ficou imerso em um brilho rosado. O ar
tinha cheiro de Nova York no outono, uma mistura de fumaa de lareira, folhas mortas,
cachorro-quente fervendo, xixi de cachorro e escapamento de nibus.
Daniel estava deitado de costas no banco do parque como Vanessa lhe tinha dito para fazer,
um soldado ferido, o corpo esparramado pateticamente, Ferido na guerra e no amor, ele
estava tragicamente plido e parecia amardanhado. UM pequeno cachimbo de crack de vidro
estava pousado em seu peito. Por sorte Vanessa o achou na rua em Williamsburg no fim de
semana. Era o objeto de cena erfeito para seu prncepe sensualmente prejudicado. Vou ler a
parte de Natasha. Preste bem ateno - explicou ela a Marjorie. - Tudo bem, Dan, vamos l.
Vanessa respirou fundo.
-Voc no dormiu? - comeou Vanessa-como-Natasha, examinando Dan-como-prncipe-
Andrei.
-No, procurei voc por muito tempo. Eu sabia, por insitinto que voc estaria aqui. S voc
me d essa sensao de repouso suave... que luz! Sinto-me exsudando de pura alegria -
respondeu baixinho Dan-como-prcipe-Andrei.
Vanessa se ajoelhou junto a cabea de Dan, o rosto radiante de deleite solene.
-Natasha, eu a amo com tanta ternura! Mais que o mundo todo! - arfou Dan, tentando se
sentar e caindo de volta ao banco como quem sente dor.
Ele disse que a amava! Vanessa pegou a mo dele, o rosto enrubescendo de emoo. Ela foi
completamente apanhada pelo momento. Depois se lembrou, soltou a mo de Dan e se
levantou.
-Agora  sua vez, Marjorie.
-T legal. - Majorie mascava o chiclete de boca aberta. Puxou os cabelos vermelhos e duros
e os afofou para o alto com a mo. Depois se ajoelhou junto ao banco de Dan e ergueu o
roteiro. - Pronto? - perguntou ele.
Dan assentiu.-Voc no dormiu? - disse Marjorie, piscando os olhos como quem paquera e
estalando o chiclete.
Dan fechou os olhos e disse sua fala. Podia passar por isso sem riri desde que ficasse de
olhos fechados.
Na metade da cena, Marjorie usou um sotaque russo falso. Foi inacreditavelmente ruim.
Vanessa sofria em silncia, perguntando-se o que ia fazer sem uma Natasha. Por um
momento imaginou-se comprando uma peruca e fazendo ela mesmo o papel, deixando que
outra pessoa a filmasse. Mas era o projeto dela; Vanessa tinha de filmar isso.
Foi ento que agum cutucou o brao e sussurou:
-Voc se importa se eu fizer o teste quando ela acabar?
Vanessa se virou e deu com Serena van der Woodsen parada atrs dela, sem flego de
correr pelo parque. As bochechas estavam rubras e os olhos eram to escuros quanto o cu
do crepsculo. Serena era sua Natasha, se  que j existiu alguma.
Daniel ps-se de p num salto, esquecendo-se dos ferimentos e da fala. O cachimbo de
crack rolou para o cho.
-Pera, eu no terminei. - Marjorie cutucou Dan no brao. - Acho que voc tem que beijar
minha mo.
Dan a encarou com o olhar vazio.
- Claro - disse Vanessa a Serena. - Marjorie, voc se importa de dar seu roteiro a Serena?
Serena e Marjorie trocaram de lugar. Dan agora estava com os olhos abertos. Nem piscava.
Eles comearam a ler.
- Procurei voc por muito tempo. - Cada palavra de Dan era verdadeira.
Serena se ajoelhou ao lado dele e pegou sua mo. Dan achou que ia desmaiar e ficou grato
por estar deitado.
Ei, calma a, garoto.
Dan j participara de vrias peas, mas nunca tinha sentido tal "qumica" com algum antes.
E estar sentindo essa qumica com Serena van der Woodsen era como ter uma morte
primorosa. Ele sentia que ele e Serena estavam compartilhando o mesmo ar. Ele inalava e
ela exalava. Dan estava parado em silncio, enquanto Serena explodia ao lado dela como
fogos de artifco.
Serena tambm estava gostando. O roteiro era bonito e apaixonado, e esse cara sujinho, o
Dan, era mesmo bom ator.
Essa eu posso fazer, pensou ela meio emocionada. Serena nunca pensou realmente no que
queria fazer a vida, mas talvez atuar fosse a dela.
Eles ficaram lendo alm do ponto de parada. Era como se esquecessem de que estavam
atuando. Vanessa franziu o cenho. Serena era tima-eles eram timos juntos-,mas Dan
estava tendo uma sncope. Era um nojo total.
Os homens so to previsveis, pensou Vanessa e limpou a garganta ruidosamente.
- Obrigada, Serena. Obrigada, Dan.- Ela fingiu rabiscar uns comentrios em seu bloco.-Vou
comunicar a voc aman, tudo bem?- disse ela a Serena. Vai sonhando, escreveu ela.
- Foi divertido!- Serena sorriu para Dan.
Dan olhou para ela sonhadoramente do banco, ainda extasiado.
- Marjorie, digo a voc amanh tambm, t? - disse Vanessa  ruiva.
- T legal- respondeu Marjorie. - Obrigada.
Dan se sentou, piscando.
- Muito obrigada por me deixar fazer o teste. - Serena falou com doura, virando-se para ir
embora.
- Te vejo depois- disse Dan, parecendo drogado.
- Tchau. - Marjorie acenou para ele e correu atrs de Serena.
- Vamos ensaiar sem monlogo, Dan - disse Vanessa rpispida. - Quero filmar isso primeiro.

- Que metr voc pega? - perguntou Marjorie a Serena, enquanto se afastavam do parque.
- Hmmm - disse Serena. Ela nunca pegou o metr, mas no morreria se acompanhasse
Marjorie. - O 6, eu acho.
- Ei, eu tambm. Podemos ir juntas.
Era a hora do rush e o metr estava lotado. Serena se viu encalhada entre uma mulher com
uma enorme sacola da Daffy e um garotinho gordo que s podia se segurar no casaco de
Serena, em que se agarrava toda vez que o trem arrancava. Marjorie se segurava no
corrimo acima da cabea, mas s as pontas dos dedos podiam alcan-lo e ela ficava
tombando para trs, pisando no p das pessoas.
- Voc no acha que o Dan  uma gracinha? - perguntou marjorie a Serena. - Mal posso
esperar o incio das filmagens. Vou grudat nele todo dia!
Serena sorriu. Claro que Marjorie pensava que tinha conseguido o papel, o que era meio
triste, porque Serena estava certa de que o papel era dela. Estava totalmente agarrada nele.
Serena imaginou como conhecer Dan. Ela se perguntou que escola ele freqentava. Ele tinha
olhos escuros e obsessivos, e disse sua fala como se fosse real. Ela gostou disso. Iam ter de
ensaiar bastante juntos depois da escola. Ela se perguntou se ele gostava de sair e o que
preferia beber.
O trem parou de repente na rua 59 com a Lexington - Bloomingdale. Serena caiu em cima do
garotinho.
- Ai- resmungou ele, olhando para ela.
-  aqui que eu fico - disse Marjorie, abrindo caminho at a porta. - Desculpe se voc no
ficou com o papel. Te vejo amanh na escola.
- Boa sorte! - gritou Serena. O vago do metr esvaziou e ela escorregou para um assento,
sua mente ainda em Dan.
Ela se imaginou bebendo Irish coffes com ele em cafeterias escuras e discutindo literatura
russa. Dan parecia que lia muitos. Ele podia dar livros a ela e ajud-la com a interpretao.
Talvez eles ficassem amigos. Agora ela podia ter novos amigos.
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             temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

  Advertncia:Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram alterados ou
                  abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                         oi, gente!

Participei de uma pea interescolar uma vez. Tive uma tima fala: ''Iceberg!'' Adivinha em
que pea eu estava e o que estava vestindo? A centsima pessoa qye acertar ganhar um
pster dos irmos Remi.

Chega de falar de mim

A ESTRIA DE S COMO MODELO

Fiquei de tocaia este fim de semana para o novo pster que decora os nibus, dentro do
metr e o teto dos txis, e disponvel online para ser todo seu (eu sei disso porque estou
conectada).  uma foto grande de S- no gosto do rosto dela, mas com o nome para voc
saber que  ela mesmo. Parabns a S por sua estria como modelo!

Flagra

B, K e I na 3 guys comendo fritas e bebendo chocolate quente com grandes sacolas gordas
da intermix debaixo da mesa.
Ser que essas garotas no tem outro lugar para ir? E ns aqui pensando que elas sempre
saem para beber e cair na farra. Que decepo. Mas eu vi B colocar uns goles de conhaque
no chocolate. Boa garota. Tambm vi a mesma menina de peruca indo na clnica de DST no
centro se era S , ela definitivamente est com um caso dos brabos. Ah, e para o caso de
voc se perguntar porque eu freqento o bairro da clnica de DST - eu corto meu cabelo num
salo muito bacana do outro lado da rua.


Seu E-mail

P: cara gossip girl,
voc  mulher mesmo? parece o tipinho que finge ser mulher e na verdade  um jornalista
de 50 anos entediado sem nada melhor para fazer do que sacanear gente como eu. man.
-jdwack

R: Carissimo Jdwack,
Sou a garota mais mulher que voc j conheceu. E sou pr-universitria, pr-votante
tambm. Como  que eu vou saber se voc no  um cara amargurado de 50 anos cheio de
pereba na cara atirando sua angstia para cima de meninas inocentes como eu?
-GG.


P: Cara GG,
Eu adoooooro tanto sua coluna que mostrei pro meu pai, que amou total! Ele tem amigos
que trabalham na paper e na Village Voice e em outras revistas. No se surpreenda se sua
coluna ficar muito, muito maior! Espero que voc no se importe! Te adoro sempre!!!!
-JNYHY

R: Me importar?! De jeito nenhum. Estou prestes a ficar grande. Eu serei imensa. Chega de
papis de merda uma fala em peas interescolares. Voc vai ver a mim na lateral de um
nibus um dia desses.
 nessa!


                                  Pra voc que me ama,
                                         gossip girl

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maltratada no recreio

-Hmmmm - Serena olhou os biscoitos sobre uma mesa no refeitrioda Constance. Creme de
amendoim, pedaos de chocolate, aveia. Perto dos biscoitos estavam copos de plstico
cheios de suco de laranja ou leite. Uma funcionria controlava os biscoitos, certificando-se
que cada menina ganhasse apenas dois. Era o recreio, o intervalo dirio de vinte minutos
que a Constance dava s meninas depois do segundo tempo, independentemente da seie
em que estivessem.
Quando a funcionria do refeitriovirou a cabea, Serena pegou seis biscoitos de creme de
amemdoim e se afastou correndo para se empanturrar. No era exatamente um caf da
manh saudvel, mas teria de ser esse mesmo. Tinha ficado a noite todo acordada tentando
ler a edio encadernada em couro de seu pai de Guerra e paz para se preparar melhor para
o filme de Vanessa.
Caramba, Guerra e paz tem tipo dois milhes de pginas Saca a Bblia?
Serena viu Vanessa, vestindo a blusa preta gola alta de sempre e com uma expresso
entediada, saindo da cozinha do refeitrio com uma xcara de ch na mo. Serena acenou
um biscoito para ela, e Vanessa se aproximou.- Oi - disse Serena alegremente. - J decidiu?
Vanessa bebericou o ch. Passou metade da noite acordada tentando decidir entre Serena e
Marjorie para o papel. Mas no conseguia torar da cabea a cara de Dan lendo o roteiro com
Serena. E no importava o quanto Serena fosse boa, ela no queria de jeito nenhum ver
aquela cara do Dan de novo. Ela certamente no queria capturar aquilo no filme.
-Na verdade, sim. - No falei com a Marjorie ainda - disse Vanessa calmamente-, nas vou
dar o papel a ela.
Serena deixou cair o biscoito que estava comendo no cho, estarrecida.
-Oh.
-. - Vanessa era obviamente perfeita para o papel. - A Marjorie  bem crua e inocente.  o
que estou procurando, Dan e eu achamos que seu desempenho foi meio...hmmmmm...
educado demais.
-Oh - repetiu Serena. Ela no conseguia acreditar nisso. At Dan a havia vetado? Ela pensou
que eles seriam amigos.
- Desculpe - disse Vanessa, sentindo-se meio mal. Ela sabia que no devia ter metido o Dan
na histria. Ele nem sabia que ela estava dispensando a Serena. Mas parecia mais
profissional desta forma. Como se ela no tivesse nada de pessoal contra Serena, de jeito
nenhum. Era uma deciso estrritamente profissional. - Mas voc  uma boa atriz -
acrescentou ela. - No fique desanimada.
- Obrigada - disse Serena. Agora no ia mais sair com Dan e ensaiar as falas como tinha
imaginando. E o que ia dizer  srta. Glos? Ela ainda no tinha nenhuma atividade
extracurricular, e nenhuma faculdade meio decente ia aceit-la.
Vanessa se afastou, procurando por Marjorie para dar as boas novas. Agora que Marjorie era
a estrela, teria de mudar o filme todo. Teria de ser uma comdia. Mas pelo menos ela se
safou de fazer Amor sem fim no parque ao anoitecer, estrelando Serena van der Woodsen e
Daniel Humphrey. Bleargh.
Serena ficou de p no canto do refeitrio, os biscoitos restantes esfarelados na mo... E o
vento levou era um imbecilidade total e ela era educada demais para Guerra e paz. O que
mais ela podia fazer? Serena roeu a unha do polegar, imersa em pensamentos.
Talvez pudesse fazer seu prprio filme. Blair fazia cinema- ela podia ajudar. Quando eram
mais novas, sempre falavam de fazer filmes, Blair sempre ia ser a estrela, usando roupas
Givenchy de classe como Audrey Hepburn, s que Blair preferia Fendi. E Serena sempre quis
dirigir. Ela usaria cala de linho largona, gritaria num megafone e se sentiria em uma cadeira
com a palavra ''diretora''.
Essa era a chance delas.
-Blair. - Serena quase gritou quando viu Blair na mesa do leite. Correu at l, tomada pelo
brilhantismo da idia. - Preciso de sua ajuda - disse Serena, apertando o brao de Blair.
Blair enrijeceu o corpo at Serena larg-la.
-Desculpe. Olha s, eu quero fazer um filme, e achei que voc podia me ajudar, sabe como
, tipo com as cmeras e essas coisas, j que voc faz cinema.
Blair olhou de lado para Kati e Isabel, que estavam bebendo leite em silncio atrs dela.
Depois sorriu para Serena e sacudiu a cabea.
-Desculpe, mas eu no posso. Estou cheia de atividades todo dia depois da escola. No
tenho tempo.
-Ah, vamos, Blair - insistiu Serena, pegando a mo de Blair. - Lembra, a gente sempre quis
fazer isso. Voc queria ser Audrey Hepburn.
Blair retirou a mo e cruzou os braos no peito, olhando novamente para Kati e Isabel.
-No se preocupe, vou fazer todo o trabalho - acrescentou Serena rapidamente. - S o que
voc tem de fazer  me mostrar como usar a cmera e a iluminao, essas coisas.
No posso - insistiu Blair. - Desculpe.
Serena franziu os lbios ra evitar que tremessem. Seus olhos pareciam aumentar cada vez
mais e seu rosto estava ficando manchado.
Blair tinha visto essa transformao em Serena muitas vezes quando eram crianas. Uma
vez, quando as duas tinham oito anos, elas andaram cinco quilmetros de casa de campo de
Serena at a cidade de Ridgefield para cpmrar sorvete de casquinha. Serena saiu da
sorveteria com a casquinha tripla de morango com flocos de chocolate e tropeou num
cachorro deitado na calada. As trs bolas de sorvete caram no cho. Os olhos de Serena
ficaram imensos e seu rosto parecia ter sarampo. As lgrima comearam a rolar, e Blair
estava prestes a se oferecer para dividir sua casquinha com Serena quando o dono da loja
saiu com uma casquinha nova para ela.
Ver Serena  beira das lgrimas mais uma vez tocou alguma coisa no fundo de Blair, com
oum impulso involuntrio.
-Hmmm. Mas vamos sair na sexta-feira - disse ela a Serena. -Vamos beber l pelas oito no
Tribeca Star, se quiser aparecer.
Serena respirou fundo e assentiu.
-Como nos velhos tempos. - Ela afastou as lgrimas e tentou sorrir.
-Isso - disse Blair.
Ela fez uma anotao em seu PalmPilot mental para dizer a Nate para no aparecer na sexta,
agora que Serena ia. O novo plano de Blair era virar uns drinques com Serena no Tribeca
Star, sair cedo, ir para casa, encher o quarto de velas, tomar banho e esperar por Nate. E
depois eles transariam a noite toda com uma msica romntica. Ela j gravou um CD
sensual para tocar quando eles transassem.
At as garotas da classe recorrem a coisas vulgares como gravar CDs quando vo perder a
virgindade.
A sineta tocou e as meninas tomaram caminhos separados para a aula; Blair para a aula da
tarde de realizao acadmica avanada e Serena para sua sala chata de artesanato
americano. Serena no conseguia acreditar que tinha sido rejeitada no uma vez, mas duas,
em menos de dez minutos. E enquanto pegava os livros no armrio, tentou preparar um
novo plano de ao. No ia desistir to fcil. Sua foto no estava na lateral de um nibus 
toa.


sonho romntico e enfumaado de uma moradora do west side

Vanessa matou os primeiros cinco minutos da aula de clculo para ligar para Daniel em seu
celular. Ela sabia que ele tinha o quarto tempo livre para estudar s quintas-feiras, e
provavelmente estava fora da sala, lendo poesia ou fumando. Uma garota estav usando o
telefone pblico da Constance no corredor perto da escada, ento Vanessa escapuliu para o
telefone pblico da esquina da rua 93 com a Madison.
os garotos do primeiro grau jogavam queimado no ptio da Riverside Prep School, ento
quando o telefone celular tocou, Dan estava sentado em um banco no canteiro central no
meio da Broadway. Ela tinha acadado de abrir O Estrangeiro, de Albert Camus, que estava
lendo na aula de francs daquele ano. Dan ficou siderado. J havia lido a traduo para o
ingls, mas era especialmente legal ler o original em francs, em particular sentado na
calada bebendo caf e fumando um cigarro no meio da barulhenta e fedorenta Broadway.
Era bem hardcore. Enquanto as pessoas passavam apressadas para chegar a algum lugar,
Dan se sentia distante e afastado do caos do dia-a-dia, exatamente como o cara do livro.
Dan tinha crculos escuros em volta dos olhos porque nao consguira dormir na noite anterior.
S no que conseguia pensar era em Serena van der Woodsen. Eles iam estrelar um filme
juntos. Iam at se beijar. Era bom demais para ser verdade.
Coitadinho, ele tinha esse direito.
O celular ainda estava tocando.
-Fala - disse Dan, respondendo.
-Oi.  a Vanessa.
-Oi.
-Olha s, tenho de falar rapidinho. S queria que voc soubesse que eu disse a Marjorie que
o papel  dela.
-Quer dizer Serena - disse Dan, batendo a cinza e tirando outro trago do cigarro.
-No, eu quis dizer Marjorie.
Dan expirou e aperto o aparalho no ouvido.
-Pera. Do que  que voc est falando? A Marjorie, do cabelo vermelho e do chiclete?
- , ela mesma. Eu no estou confundindo os nome- disse Vanessa pacientemente.
-Mas a Marjorie fedia, voc no pode usar essa garota! - insistiu Dan.
- bom , eu meio que prefiro aquele fedor dela.  tipo meio cheia de arestas. Acho que vai
ficar mais cortante, entendeu? Tipo assim, no  o que voc esperava - disse Vanessa.
-Ah, no  mesmo- zombou Dan. - Olha Eu acho realmente que voc est cometendo um
erro. Serena  totalmente adequada. No sei por que voc no a quer.
Ela foi maravilhosa.
-, bom, eu sou a diretora, ento quem decide sou eu. E eu escolhi a Marjorie, t legal? -
Vanessa no queria ouvir sobre como Serena tinha sido maravilhosa. - E, alm disso, andei
ouvindo todas aquelas histrias sobre Serena. No acho que ela seja assim to confivel.
Vanessa tinha pelan certeza de que todo o que ouvira era completamente falso, mas no ia
se dar ao trabalho de mencionar isso a Dan.
-Como assim? Que tipo de histrias?
-Tipo ela fabricar a prproa droga chamada S, e ela ter uma doena venra das brabas. Eu
realmente no quero lidar com isso.
-Onde foi que voc ouviu essas coisas? - perguntou Dan.
-Eu tenho minhas fontes.
Um nibus roncou na Madison, indo para os Cloisters. Na lateral havia uma imensa foto de
um umbigo. Ou era uma ferida de tiro? Rabiscado com uma letra azul de menina ao lado do
pster estava o nome ''Serena''.
Vanessa viu o nibus passar. Ser que estava ficando maluca? Ou Serena realmente estava
em toda parte? Cada pedao dela?
- Eu s no acho que ela seja certa para ns - insistiu Vanessa, esperando que Dan mudasse
de idia se ela usasse a palavra "ns". O filme era dela, e no dele.
- T legal - retrucou Dan friamente.
- Ento, voc vai comigo e com a Ruby no Brooklyn na sexta-feira? - perguntou Vanessa,
ansiosa pata mudar de assunto.
- No. Acho que no. A gente se v. - Dab desligou e enfiou o telefone com raiva na sua
bolsa preta de carteiro.
Naquela manh, Jenny tinha entrado cambaleando no quarto dele, os olhos injetados e as
mos cobertas de tinta preta, e largou no cho, ao lado da cama dele, um convite para
aquela festa idiota do falco. Ele realmente ousou pensar que, como ia co-estrelar o filme
com Serena, podia realmente lev-la na porcaria da festa. Agora, aquele sonhozinho tinha
ido pro inferno.
Dan no conseguia acreditar. A nica chance de ele conhecer Serena acabara porque
Vanessa queria exercitar sua licena artstica pata fazer o pior filme de todos os tempos. Era
inacreditvel. Mais inacreditvel aqinda era que Vanessa, rainha da cena alternativa rebelde,
realmente se dava ao trabalho de espalhar boatos sobre uma garota que ela mal conhecia.
Talvez a Constance finalmente estivesse acabando com ela.
Ah, deixa de ser desmancha-prazeres. Fofoca  sexy. Fofoca  bom. Nem todo mundo faz,
mas devia!
Um nibus parou no sinal bem na frente dele. Primeiro Dan percebeu o nome de Serena.
Estava garatujado em azul, numa caligrafia de menina em um pster gigante em preto-e-
branco do que parecia um boto de rosa. Era bonito.


uma f conhece sua dolo

Jenny era um zumbi na quinta-feira por ter perdido toda uma noite de sono, mas conseguira
terminar os convites de Beijos na Boca e agora ela e Dan tinham convites s deles.
Ela tambm estava faminta, porque s comeu uma banana e uma laranja no jantar na noite
anterior. No comeu o bolo de chocolate da manh. Ento, no almoo, Jenny pegou dois
queijos quentes e dois iogurtes de caf com as funcionrias da Constance e levou seu
banquete para o refeitrio, procurando um lugar em uma mesa tranqila. Enquanto
comesse, teria de preparar o dever de casa que ela no fez na noite passada.
Jenny escolheu uma mesa na frente de uma parede espelhada no canto mais afastado do
refeitrio. Nenhuma das meninas mais velhas almoava perto dos espelhos porque eles a
faziam se sentir gordas, ento aquela messa estava sempre vazia. Jenny baixou a bandeja, e
estava prestes a comear a comer, quando percebeu uma convocao colada com fita
adesiva no espelho.
Jenny fuou a mochila atrs de uma caneta. Escreveu seu nome no alto da lista - era a
primeira a assinar! - e depois se sentou diante da bandeja transbordando de comida, o
corao aos saltos. A vida era cheia de milagres. E estava ficando cada vez melhor.
Mais miraculoso ainda, Serena van der Woodsen em pessoa estava saindo da fila do almoo
indo direto para Jenny, levando sua bandeja. Ser que Serena realmente ia se sentar com
ela? Em pessoa?
Respire fundo, respira fundo.
- Oi - disse Serena, sorrindo para Jenny e baixando a bandeja.
Meu Deus, como ela era bonita. Os cabelos eram de uma cor dourada clara que algumas
garotas de Constance tentavam atingir gastando quatro horas no cabelereiro no andar de
cima da Bergdorf Goodman para fazer luzes. Mas o de Serena era natural, dava para saber.
- Eu vi voc assinando para ajudar com meu filme? - perguntou Serena.
Jenny assentiu, sem fala na presena de tanta grandeza.
-- Bom, voc  a nica at agora  suspirou Serena, sentando-se de frente para Jenny,
encarando a parede espelhada. Ela no tinha de se preocupar com se sentir gorda quando
comia. Serena no tinha gordura nenhuma. Ela ergueu as sobrancelhas louras para Jenny. --
E a, o que voc pode fazer?
Jenny empurrou o sanduche de queijo. No conseguia acreditar que tinha pegado dois
sanduches. Serena provavelmente estava pensando que ela era uma porca nojenta.
-- Bem, sou meio artista. Fiz os hinrios da escola, sabe, em caligrafia. E publiquei algumas
fotos em Rancor este ano, e um conto  explicou Jenny
Rancor era a revista de arte das alunas da Constance. Vanessa Abrams era editora.
-- Ah, e acabei de fazer os convistes para a festona que vai ter na semana que vem que todo
mundo vai  disse Jenny, ansiosa para impressionar.  Blair Waldorf me pediu para fazer. Na
verdade...  Jenny pegou a mochila e puxou um envelope com o nome de Serena escrito
numa caligrafia ornamentada.  A liasta de convidadeos que Blair me deu tinha o endereo
de seu internato. Eu ia colocar no seu armrio ou coisa assim  disse Jenny, corando.  Mas,
j que voc est aqui...  Ela estendeu o envelope a Serena.
Ser que estou parecendo uma manaca?, perguntou-se Jenny.
--Obrigada.  Serena pegou o envelope. Ela abriu e leu o convite, os olhos escuros, a testa
franzina.
Ai, meu Deus. Ela acha que est feio!, pensou Jenny, entrando em pnico.
Serena colocou o convite na bolsa e pegou novamente o garfo, parecendo distrada. Pegou
um pedao de alface e o mastigou.
Jenny estava fazendo anotaes mentais sobre como agir como misteriosa, equilibrada e
cool como Serena agia naquele momento. Se ao menos ela pudesse ouvir os pensamento
plidos de Serena, zangada com Blair.
Ela no queria que eu fosse  festa. Ela nem me falou que tinha uma festa.
-- Uau  tornou Serena finalmente, ainda mastigando sua alface.  Tudo bem, est
contratada.  Estendeu a mo e sorriu com doura pra Jenny.  Eu sou Serena.
-- Eu sei  disse Jenny, ficando cada vez mais vermelha.  Meu nome  Jenny.


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            temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

  Advertncia:Todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram alterados ou
                  abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                         oi, gente!

Essa veio de uma fonte annima: aparentemente, numa volta ao tempo em que eram
ligadas, S e B dividiram um banho quente numa hidromassagem no quarto de C no Tribeca
Star. Ser que o beijo foi uma expresso de seus verdadeiros sentimentos? Ou elas s
estavem aprontando um pouco, como duas garotas de porre? De qualquer forma, isso
definitivamente coloca alguma tenso na mistura. Que divertido!
E no caso de voc no ter visto o pester colado em todos os nibus, txis e metrs da
cidade toda, a foto original de S pode ser vista na Whitehot Gallery em Chelsea, entre
retratos de outras estrelas em cena, inclusive eu. , eu sei. Os irmos Remi eram sexy
demais para resistir. Os fabulosos so fabulosos por algum motivo gente.

Seu E-mail

P: Cara Gossip Girl,
No vou te dizer quem eu sou, mas tambm estou na exposio dos irmos Remi. Eu adoro
o trabalho deles, e adoro a foto que tiraram de mim, mas de jeito nenhum eu deixaria que
eles a colocassem num nibus. Se quer saber, acho que S est pedindo. E, pelo que eu
soube, ela vai ter.
- Annima.
R: Cara Annima,
 legal ser modesta, mas, pessoalmente, se voc quisesse colocar qualquer pedacinho de
mim na lateral de um nibus, eu deixaria. Sou uma puta da fama.
- GG

Flagra

A pequena J comprando um livro enorme sobre filmagem na Shakespeare and Co. na
Broadway. N grudado em C num bar na Quinta Avenida. Imagina que N quer grudar o olho
em C para que C no d com a lngua nos dentes, hein? E B comprando montes de velas em
uma loja na Lex para sua grande noite com N.

Por hoje  s. Divirtam-se no fim de semana  eu vou, definitivamente.

                                  Pra voc que me ama,
                                       Gossip Girl




tribeca star

O Star Lounge do Tribeca Star Hotel era grande e presunoso, cheio de poltronas
confortveis, sofs e banquetas circulares, para que os hspede pudessem se sentir como se
estivessem tendo sua festinha particular em cada mesa. Uma parede era iluminada por
dezenas de velas pretas espalhadas, bruxuleando na sala meio escura, e um DJ tocava uma
batida suave em uma mesa de som. Eram s oito horas, mas o bar j estava cheio de gente,
vestida na moda mais atual e bebericando coquetis de tom pastel.

Blair no estava nem a para a hora - ela precisava de um drinque.

Estava sentada em uma poltrona perto do bar, mas a idiota da garonete a ignorava,
provavelmente porque Blair no se preocupara em de produzir. Vestia sua jeans Earl surrada
e desbotada e um suter preto comum porque s ia se encontrar com Serena para um
drinque rpido antes de ir para casa preparar-se para a noite de sexo que teria com Nate. E
ela no ia se produzir para isso tambm. Blair decidiu receber Nate na porta completamente
nua.

O rosto esquentava s de pensar nisso, ela deu uma olhada na sala, constrangida. Sentia-se
uma man sentada ali sozinha, sem nem mesmo uma bebida. Onde estava Serena? Blair no
tinha a droga da noite toda para esperar.
Blair acendeu um cigarro. Se Serena no vier a tempo, termino este cigarro e vou embora,
disse para si mesma, amuada.
- Olha s pra ela. - Blair ouviu uma mulher dizer  amiga. - No  linda?
Blair se virou para olhar.  claro que era Serena.
Estava usando botas de camura azul at os joelhos e um vestido Pucci de verdade. As
mangas compridas com gola alta e um cinto com contas de cristal, em azul, laranja e verde.
Estava superincrvel. Os cabelos estavam presos em rabo-de-cavalo no alto da cabea e ela
usava sombra azul-clara nos olhos e batom cor-de-rosa cremoso. Ela sorriu e acenou para
Blair do outro lado da sala, abrindo caminho pela multido. Blair viu as cabeas se virando
enquanto ela passava e seu estmago revirou. J estava cheia de Serena e nem tinha falado
com ela ainda.
- Oi - disse Serena, atirando-se em um sof quadrado ao lado da poltrona de Blair.
Imediatamente a garonete apareceu.
- Oi Serena, h quanto tempo. Como est seu irmo? - perguntou a garonete.
- Oi Missy. Erik est bem. Est ocupado demais para me ligar. Acho que deve ter tipo umas
oito namoradas diferentes por l. - Serena riu. - Como  que est?
- Estou tima - disse Missy. - Olha s, minha irm trabalha para um buf, e ela disse que te
viu dias atrs em uma festa que estava dando em uma galleria de Chelsea. Ela disse que 
voc naquela foto em todos os nibus.  verdade?
- . Que loucura, n?
- Irado! - guichou Missy. Ela olhou para Blair que estava olhando para ela. - E a, o que
vocs vo querer?
- Ketel One e tnica - disse Blair a ela, olhando-a direto nos olhos, desafiando-a a pedir sua
identidade. - Com muita lima.
Mas Missy poderia perder o emprego se discutisse com Blair Waldorf por ela ser menor.
Esse  o motivo para se ir em bares de hotis: ningum pede sua identidade.
- E para voc, bonitinha? - perguntou Missy a Serena.
- Ah,  melhor eu comear com um Cosmo - disse Serena e riu. - Preciso de alguma coisa
rosa para combinar com meu vestido.
Missy se afastou s pressas para pegar os drinques, ansiosa para contar ao bartender que a
garota da foto dos irmos Remi em toda a cidade estava sentada no bar e elas eram amigas!
- Desculpe pelo atraso - disse Serena a Blair, olhando em volta. - Achei que todo mundo
estaria aqui com voc.
Blair deeu de ombros e deu um longo trago em seu cigarro j reduzido.
- Achei que a gente podia sair s ns duas dessa vez. A galera vem aqui mais tarde, na
verdade.
- Tudo bem. - Serena ajeitou o vestido e vasculhou a bolsinha vermelha procurando pelo
mao de cigarros. Gauloises, da Frana. Pegou um e enfiou na boca. - Aceita?
Blair sacudiu a cabea em negativa.
- So meio fortes, mas o mao  to bacana que eu no ligo. - Serena riu. Estva prestes a
acender o cigarro com uma caixa do fsforos do bar quando o bartender apareceu de
repente com um isqueiro.
- Obrigada. - Disse ela, levantando os olhos para olhar para ele.
O bartender piscou os olhos e voltou rapidamente para o bar. Missy trouxe as bebidas.
- Aos velhos tempos! - Serena bateu seu copo no de Blair e tomou um longo gole do
Cosmopolitan cor-de-rosa. Encostou-se novamente no sof e suspirou de prazer. - Voc no
adora hotis? So to cheios de segredos.
Blair ergueu a sombrancelha para Serena numa resposta silenciosa, certa de que Serena
estava prestes a contar a ela todas as coisas malucas que aconteceram nos hotis quando
ela estava na Europa ou o que fosse, como se Blair se importasse.
- Quer dizer, voc no fica pensando no que as pessoas fazem nos quartos? Tipo assim, elas
podem estar vendo filmes porns e comendo biscoitos de queijo, ou podem estar numa
trepada pervertida no banheiro. Ou talvez s estejam dormindo.
- Sim - disse Blair sem interesse, dando um gole em seu drinque. Ela teria de ficar meio
bbada se quisesse atravessar aquela noite, especialmente a parte da nudez. - E a, que
papo  esse de sua foto em todos os nibus e essas coisas? Eu no vi ainda.
Serena deu uma gargalhada e se inclinou confidencialmente para Blair.
- Mesmo que voc veja, provavelmente no vai reconhecer. Meu nome est l, mas no 
uma foto do meu rosto.
Blair franziu o cenho.
- No entendi.
-  arte - disse Serena misteriosamente e gargalhou de novo. Ela tomou um gole do drinque.
O rosto das duas meninas estavam a centmetros de destncia e Blair podia sentir a mistura
de leos essenciais que Serena comeara a usar.
- Eu ainda no entendi,  alguma coisa suja? - Insistiu Blair, confusa.
- Na verdade no - respondeu Serena com um sorriso malicioso. - Muita gente fez a mesma
coisa. Sabe como ... Celebridades.
- Tipo quem?
- Tipo Madonna, Eminem e Christina Aguilera.
- Ah - disse Blair, parecendo impressionada.
Os olhos de Serena se estreitam.
- Tem algum problema? - perguntou ela.
Blair empinou o queixo e enfiou o cabelo castanho atrs das orelhas.
- Sei l,  que eu acho que voc est disposta a fazer de tudo para impressionar as pessoas.
Voc no tem orgulho?
Serena sacudiu a cabea, ainda encarando Blair.
- Tipo o que? O que foi que eu fiz? - perguntou roendo freneticamente as unhas.
- Tipo ser expulsa do internato - disse Blair vagamente.
Serena bufou.
- O que h de to ruim nisso? Um monte de gente  expulsa todo ano. Eles tm tantas
tantas regras imbecis que  quase impossvel no ser expulsa de l.
Blair apertou os lbios, medindo cuidadosamente as palavras.
- O que eu quis dizer  por que voc foi expulsa. - Pronto. Ela fez. Agora tinha se
comprometido. Ia ter de ficar sentada e ouvir Serena contar tudo sobre as seitas que
frenqentou e os caras com quem transou e as drogas que tomou. Merda.
Mas no acredite nem por um minuto que ela estava curiosa.
Blair remexou no anel de rubi no dedo, girando-o sem parar. Serena ergueu o corpo para
Missy, pedindo outro drinque.
- Blair, o nico motivo para eu ter sido expulsa foi porque eu no apareci no incio das aulas.
Eu fiquei na Frana. Meus pais nem sabem disso. Eles acham que eu voltei no fim de agosto,
mas eu fiquei at a terceira semana de setembro. Eu estava morando naquele chteau
maravilhoso nos arredores de Cannes, e era tipo uma festa eterna. No acho que eu tenha
dormido uma noite inteira no tempo que fiquei l. Era tipo aquelas festas na casa do Grande
Catsby. Tinha dois caras, um irmo mais velho e o outro mais novo, e eu estava totalmente
apaixonada pelos dois. Na verdade, eu estava mais apaixonada pelo pai deles, mas ele era
casado.
O DJ do Star Louge tocou os vibes e comeou a tocar um acid jazz meio agitado com uma
batida cool. As luzes se reduziram, as velas bruxuleavam. Serena batia o p ao ritmo da
msica e olhava para Blair, cujos olhos estavam arregalados.
Serena acendeu outro cigarro e tragou profundamente.
- De qualquer forma,  claro que eu aprontei muito na escola, mas s como todo mundo. O
que irritou a escola foi o fato de que eu no me importei em aparecer no comeo do ano. Eu
no culpo a escola, eu acho. Mas vou te contar a verdade, eu ralmente no ligava de voltar
pra l. Eu estava me divertindo pra caramba.
Blair revirou os olhos de novo. Ela sinceramente no se importava se era verdade ou no.
- J pensou no fato de que esta poca  a mais importante da vida da gente? Tipo assim,
para entrar na faculdade e tudo? - perguntou Blair.
Missy trouxe a bebida de Serena, e desta vez ela s assentiu em agradecimento. Olhou para
o cho. A unha cor-de-rosa entre os dentes.
- , estou percebendo isso agora - admitiu ela. - No pensei nisso antes.. como eu devia
estar entrando em times e clubes. Sabe como , entrar pra valer nesse negcio de
faculdade.
Blair sacudiu a cabea.
Eu lamento por seus pais - disse ela baixinho.
Os olhos de Serena estavam crescendo e seus lbios tremiam. Mas ela estava decidida a no
permitir que Blair a fizesse chorar. Blair s estava sendo cretina,  isso. Talvez ela estivesse
com TPM.
Serena deu um longo gole em sua bebida e enxugou a boca com guardanapo.
- E a, voc nunca me contou o que voc e Nate fizeram o vero todo. Voc foi para o Maine
ver o barco que ele construiu? - perguntou ela, mudando completamente de assunto.
- Eu tive acampamento de tnis. Foi um porre.
- Ah.
Elas beberam os drinques em um silncio constrangido. Serena endireitou o corpo de
repente, lembrando-se de uma coisa.
- Ei - disse ela. - Sabia que uma menina realmente assinou a lista para me ajudar no filme?
Uma garota da stima srie. O nome dela  Jenny. E ela me deu um convite para a festa da
semana que vem. Sabe qual , aquela que voc estava planejando.
Touch, amiga, Touch.
Blair pegou outro cigarro do mao e colocou na boca. Pegou a caixa de fsforos, fazendo
uma pausa antes para ver se o bartender ia saltar com um isqueiro. No saltou. Blair
acendeu o cigarro ela mesmo e soltou uma grande nuvem de fumaa diretamente na cara de
Serena.
Ento Serena sabia da festa. Ela estava com um convite. Bem, ela ia acabar descobrindo
mesmo.
- A da caligrafia. - Blair sorriu com doura. - Ela  boa, n?
- , ela fez um timo trabalho. E foi muito legal ela perceber que eu endereo estava errado
na lista. Ela diz que o endereo que voc deu era do alojamento da Hanover.
Blair enfiou o cabelo por trs da orelha e deu de ombros.
- Ih - disse ela fingindo no ter a menor idia disso. - Desculpe.
- Ento me fala da festa, para o que  desta vez?
Blair no conseguia falar da causa sem sorrir de constragimento porque parecia inaceitvel e
nada sexy.  por isso que ela chamou a festa de Beijo na boca. Para ter algum apelo.
-  para aqueles dois falces peregrinos que moram no Central Park. So espcies
ameaadas, e todo mundo est preocupado se eles vo morrer ou definhar, ou se os esquilos
vo destruir o ninho deles, ou coisa assim. Ento criaram uma fundao para eles - explicou
ela. - No ria. Eu sei que  meio idiota.
Serena soltou uma baforada do cigarro e gargalhou.
- Bem,  que existe pessoas que precisam ser salvas.
Quer dizer, e os sem-teto?
-  uma boa causa tambm. Queremos alguma coisa que no seja pesada demais para
comear a estao - disse Blair ofendida, aborrecida. Tudo bem que ela risse da causa que
tinha escolhido para a festa, mas Serena no tinha esse direito.
Serena recolocou a conversa em seu rumo.
- Ento  uma festa tipo s pra gente, ou  para os pais tambm? - perguntou ela.
- S... para a gente - disse ela por fim. Ela virou o resto do drinque e olhou o relgio. -
Hmmm, tenho de ir. - Ela passou a bolsa sobre o brao e pegou o ma e cigarros da mesa.
Serena franziu a testa. Tinha levado tempo para se vestir, preparando-se para uma noite de
farra com os amigos. No esperava um grande grupo. - Blair e as outras meninas, Nate e a
turma dele, Chuck e os amigos -, todos os que sempre costumavam sair juntos.
- Mas achei que a gente ficaria aqui por mais um tempinho. Esperando pelos outros - disse
Serena. - Alis, onde  que voc vai?
- Tenho um teste de aptido amanh de manh. - Blair sentiu-se extremamente superior,
embora estivesse mentindo horrores. - Preciso me preparar para ele e quero dormir cedo.
- Oh. - Serena cruzou os braos e se encostou no sof. - Pensei que ns todos amos fazer
uma festinha na sute dos Bass l em cima. Eles ainda tm aquele quarto, n?
Na oitava srie, Serena, Blair e os amigos passaram muitas noites no quarto de Chuck Bass,
bebendo e danando, vendo filmes e pedindo coisas ao servio de quarto, conversando na
hidromassagem. Juntas, elas se deitava atravessadas na cama king size e ficavam ali at
que estivessem sbreas o bastante para voltar para casa.
Uma vez, durante uma noite de porre no fim da oitava srie, Serena e Blair estavam se
ensaboando na hidro e Blair beijou Serena em cheio na boca. Serena parecia no se lembrar
disso na manh seguinte, mas Blair nunca se esquceu. Apesar de ter sido por impulso e no
ter segnificado nada, pensar naquele beijo sempre a fazia se sentir quente, ansiosa e pouco
 vontade. Esse era outro motivo para o alvio que sentiu quando Serena foi embora.
- Os Bass ainda tm o quarto. - Blair se levantou. - Mas eles no gostam que as pessoas
usem. A oitava srie j passou. - Acrescentou ela com frieza.
- Tudo bem. - Serena no podia dizer nada certo, podia? Pelo menos, no para Blair.
- Bom fim de semana. - disse Blair com um sorriso duro, como se fosse s uma reunio.
Como se elas no se conhecessem a vida toda. Ela largou uma nota de vinte dlares na
mesa pelas bebidas. - Com licena. - Dirigiu-se a trs caras altos que estavam bloqueando o
caminho. - Posso passar?
Serena ficou girando a bebida no copo e tomou o resto do Cosmopolitan, vendo Blair partir.
A bebida estava salgada agora, porque ela estava prestes a chorar de novo.
- Ei, Blair... - gritou Serena para a amiga. Se ela deixasse escapar tudo, se perguntasse a
Blair por que ela era realmente louca, se at confessasse que tinha dormido com Nate uma
vez, pudessem ser amigas. Elas podiam recomear. Serena podia at comear a falar num
curso preparatrio para os teste de aptido, assim elas podiam estudar juntas, alguma coisa
assim.
Mas Blair continuou abrindo caminho entre as pessoas e saiu pela porta da rua.
Ela andou pela Sexta Avenida para pegar um txi de volta para o Upper. Comeava a chover
e seu cabelo estava encrespando. Um nibus roncou com a foto de Serena na lateral. Era o
umbigo dela? Parecia um buraco escuro no meio de uma pra. Blair deu as costas para ele e
acenou para o txi que vinha atrs. No consguiu sinalizar com a rapidez necessria. Mas o
primeiro txi que parou tinha o mesmo anncio iluminado no teto. Blair entrou e bateu a
porta com raiva. Ela no conseguia se afastar completamente. - a droga da Serena estava
em toda a parte.
b&n chegam perto, mas nada de charuto

Serena pegou outro cigarro e colocou na boca com os dedos tremendo. De repente uma mo
com anel rosa estendeu um Zippo e acendeu o cigarro para ela. O isqueiro era de ouro, com
o monograma C.B. Da mesma forma que o anel.
- Oi, Serena. Voc est seriamente gostosa  cumprimentou Chuck Bass.  O que est
fazendo sentada sozinha aqui?
Serena inalou profundamente, reprimindo as lgrimas, e sorriu.
- Oi, Chuck. Que bom que voc apareceu. Blair me largo aqui e agora estou sozinha. Vem
mais algum?
Chuck fechou o isqueiro e o colocou no bolso. Deu uma olhada na sala.
- Quem sabe? Pode vir, ou no.  Ele se sentou na poltrona onde Blair havia sentado.  Voc
realmente est gostosa  insistiu ele, olhando as pernas de Serena como se quisesse com-
las.
- Obrigada.  Serena riu. Era meio que um alvio ver que Chuck ainda era exatamente o
mesmo, apesar de todos agirem como anormais. Serena tinha de gostar dele por isso.
- Outra rodada  gritou Chuck para Missy.  E coloque tudo na minha conta.  Ele entregou
a Serena a nota de vinte que Blair tinha deixado na mesa.  Pode guardar isso.
- Mas  da Blair.  Serena pegou a nota e olhou para ela.
- Devolve a ela, ento.
Serena assentiu e enfiou a nora em sua bolsinha de veludo vermelho.
- L vamos ns  exclamou Chuck, quando Missy colocou os drinques na mesa.  Vamos
virar!  Ele brindou com Serena e despejou o usque na garganta.
- Epa  disse ela, quando seu Cosmo pingou no vestido.  Droga.
Chuck pegou o guardanapo e passou na mancha, que por acaso estava na coxa de Serena.
- Olha, no d pra ver mais  disse ele, deixando sua mo pousar perto da virilha de Serena.
Serena pegou a mo de Chuck e a colocou de volta no colo dele.
- Obrigada, Chuck. Eu estou legal.
Chuck no ficou nem um pouco embaraado. Ele nunca se embaraava.
- Ei, vamos tomar mais um e ir para o meu quarto, t legal?  ofereceu ele.  Vou avisar ao
pessoal do bar para dizer a todo mundo para nos encontrar l em cima. Eles sabem quem
so meus amigos.
Serena hesitou, pensando no que Blair tinha dito sobre os Bass no gostarem mais que as
pessoas fosse ao quarto deles.
- Tem certeza de que no tem problema?
Chuck riu e se levantou, estendendo a mo para ela.
-  claro que no. Vamos.

Embora estivesse chovendo e estivesse congelando a bunda, Nate no tinha pressa para
chegar na casa de Blair. Era uma tremenda ironia, na verdade. Aqui estava ele, um cara de
17 anos, prestes a transar com a namorada pela primeira vez (a primeira vez dela, pelo
menos). Ele deve estar correndo.
Ela deve saber agora, disse a si mesmo repetidamente. Como no saberia? Agora toda a
cidade sabia que ele tinha transado com Serena. Mas, se Blair sabia, ento por que no disse
nada?
Ficar pensando nisso estava deixando Nate maluco.
Ele se enfiou numa loja de bebidas na Madison Avenue e comprou meia garrafa de Jack
Daniels. J havia fumado um baseado em casa, mas precisava de um gole pra tomar
coragem antes de ver Blair. No tinha idia do que ia encontrar.
Nate andou o resto do caminho com a maior lentido que pde, tomando golinhos da
garrafa. Pouco antes de virar a rua 72 para o apartamento, ele comprou uma rosa para Blair.

Chuck pediu outra rodada de bebidas do bar e Serena o acompanhou no elevador e subiu ao
quarto dos Bass no nono andar. Parecia exatamente o mesmo que sempre foi: sala de estar
com um home theater e um bar; um quarto enorme com cama king size e outro home
thearter, como se eles precisasem de dois; duas imensas banheiras de mrmore com
hidromassagem e dois roupes felpudos. Essa era outra coisa tima que Serena adorava nos
hotis  os roupes.
No  o que todo mundo gosta?
Na mesa de centro de sala havia uma pilha de fotos. Serena reconheceu o rosto de Nate na
foto de cima e pegou-a, embaralhando com as outras.
Chuck olhou as fotos por sobre o ombro dela.
- Do ano passado-disse ele, sacudindo a cabea.- Foi uma doideira.
Blair, Nate, Chuck, Isabel, Kati e todo mundo estava nas fotos, nus, na hidro, danando de
roupa ntima, bebendo champanha na cama. Todas as fotos eram do ano passado - a data
estava no canto de cada uma delas - e todas foram tiradas no quarto.
Ento Blair havia mentido. Todo mundo ainda farreava no quarto dos Bass, como sempre. E
Blair no era a boazinha que fingia ser, nem com seu teste de aptido falso, nem com o
cardig preto formal. Em uma foto, Blair usava somente calcinha, pulando na cama com uma
garrafa de champanha na mo.
Serena engoliu o drinque e se sentou na ponta do sof. Chuck se sentou na outra ponta e
colocou os ps de Serena no colo.
- Chuck - alertou Serena.
- Que foi? S estou tirando suas botas para voc-disse Chuck inocentemente. - No quer
tirar?
Serena suspirou. Estava cansada de tudo, um cansao repentino.
- Sim, claro. -Ela pegou o controle remoto e ligou a TV, enquanto Chuck tirava as suas
botas. Estava passando Dirty Dancing na TBS. Perfeito.
Chuck comeou a massagear os ps de Serena. Estava bom. Ele mordeu seu dedo e beijou
o tornozelo.
- Chuck - murmurou Serena, deitando de costas no sof e fechando os olhos. A sala se
inclinou um pouco. Ela no conseguiu segurar a bebida.
Chuck passava a mo nas pernas de Serena, Segundos depois os dedos dele estavam
percorrendo a parte interna de suas costas.
- Chuck - disse Serena, abrindo os olhos novamente e sentando-se. - Voc se importa de a
gente s ficar sentado aqui? No precisamos fazer nada, t bom? Vamos ficar no sof e ver
Dirty Dancing. Sabe como , como meninas.
Chuck se arrastou at Serena com as mos e os joelhos at ficar inclinado sobre ela e ela
presa embaixo dele.
- Mas eu no sou uma menina. - Ele abaixou o rosto para o dela e comeou a beij-la. Sua
boca tinha gosto de amendoim.

- Merda! - grinchou Blair quando ouviu o interfone. Ela ainda estava de roupa e tinha
acabado de deixar cair cera vermelha da vela em todo o tapete.
Blair apagou a luz do quarto e correu para atender o interfone na cozinha.
- Sim, mande ele subir - confirmou ela ao porteiro. Ela desabotoou o jeans e voou para o
quarto, livrando-se dela. Depois arrancou o resto das roupas e as atirou no armrio. Nua,
borrifou o perfuma favorito, colocando perfume at entre as pernas.
Ooooh, sua safada.
Blair verificou o corpo nu no espelho. Suas pernas eram curtas demais para o resto do corpo,
e os peitos eram pequenos e no "chamavam ateno para mim" como ele gostaria.
A jeans tinha deixado uma marca vermelha feia na cintura, mas mal dava para perceber na
fraca luz de velas. A pele ainda era boa e bronzeada do vero, mas ser rosto parecia jovem e
assustado, no era to sensual como deveria. E os cabelos tinham um halo de fios crespos
no alto da cabea por causa da chuva. Blair correu para o banheiro, aplicou uma camada do
batom que Serena tinha deixado na pia e passou a escova nos cabelos castanhos at ue
cassem em cascata pelos ombros da forma mais sexy possvel. Pronto, irresistvel num
instante.
A campainha tocou. Blair largou a escova, que caiu com estardalhao na pia.
- Pera! - gritou ela. Blair respirou fundo e fechou os olhos para fazer uma pequena prece,
embora no fosse exatamente do tipo que reza.
Espero que tudo corra bem. Foi o mximo que ela conseguiu.

Serena deixou que Chuck a beijasse por algum tempo porque ele era pesado e ela no
conseguia sair debaixo dele. Enquanto ele explorava a boca de Serena com a lngua, ela
assistia a Jennifer Grey espadanar num lago com Patrick Swayze. Por fim, Serena virou a
cabea e fechou os olhos.
- Chuck, eu realmente no me sinto muito bem - pediu ela, fingindo que estava prestes a
vomitar. - Voc se importa de eu ficar deitada aqui um pouquinho?
Chuck se sentou e enxugou a boca com as costas da mo.
- Claro, tudo bem. - disse ele. Ele se levantou. - Vou pegar uma gua para voc.
Chuck foi at o bar e encheu um copo com gelo, colocando gua de uma garrafa de Poland
Spring.
Quando ele voltou com a gua. Serena j estava dormindo. A cabea dela tinha cado na
almofada, e as pernas estavam contradas. Chuck afundou no sof ao lado dela, pegou o
controle remoto e mudou de canal.
- Oi - disse Blair, abrindo um pouco a porta e colocando a cabea pela fresta.
- Oi - disse Nate, segurando a rosa. Seus cabelos estavam molhados e as bochechas
rosadas.
- Estou nua.
-  mesmo? - retrucou Nate, mal absorvendo a informao. - Posso entrar?
- Claro. - Blair abriu a porta.
Nate a viu, congelando na soleira da porta.
Blair corou, colocando os braos em torno do corpo.
- Eu te disse que estava nua. - Ela estendeu a mo para pegar a flor.
Nate colocou na mo dela.
- Eu trouxe para voc - disse ele rispidamente. Depois, limpou a garganta e olhou para o
cho. - Ser que devo tirar os sapatos?
Blair riu e abriu mais a porta. Nate estava nervoso, ainda mais nervoso do que ela. Ele era
to doce.
- Anda logo e tira a roupa. - Ela pegou a mo dele. - Est tudo bem. Vem.
Nate a seguiu para o quarto, sem fazer nenhuma das coisas que um cara deve fazer
normalmente nessas circunstncias. Tipo passar a mo na bunda nua de Blair, ou se
preocupar com a camisinha, ou respirar mal, ou tentar dizer alguma coisa certa. Ele mal
conseguia pensar.
O quarto de Blair resplandecia de velas. Uma garrafa de vinho tinto estava aberta no cho,
com duas taas ao lado. Blair se ajoelhou e encheu as duas taas como uma pequena
gueixa. Ela se sentia mais  vontade nua no escuro de seu quarto.
- Que tipo de msica voc quer ouvir?  perguntou ela a Nate, estendendo uma taa.
Nate bebeu o vinho, engolindo com rudo.
- Msica? O que voc quiser. Qualquer coisa.
 claro que Blair tinha preparado o CD que gravou. A primeira msica era do Coldplay,
porque sabia que Nate gostava.
Lenta e sensual, gato.
Blair tinha feito e refeito o filme desse momento na cabea tantas vezes que se sentia como
uma atriz que finalmente tinha seu grande momento, interpretando o papel de sua carreira.
Ela estendeu os braos e colocou as mos nos ombros de Nate. Ele tentou no olhar para
ela, mas no conseguiu evitar. Ela estava nua e ela era bonita. Ela era uma garota e ele um
cara.
J fizeram muitas canes falando disso.
- Tira a roupa, Nate  sussurrou Blair.
Talvez depois eu conte a ela, pensou Nate.
Isso no parecia muito justo, mas ainda assim ele a beijou. E, depois que comeou, no
conseguia parar.

Quando Serena acordou um pouco mais tarde, Chuck tinha mudado o canal pra a MTV2 e
estava cantando em voz alta com Jay-Z.o vestido Pucci de Serena estava erguido acima da
cintura, e sua calcinha de renda azul aparecia.
Serena se ergueu sobre os cotovelos e enxugou a saliva do canto da boca. Puxou o vestido
para baixo.
- Que horas so?
Chuck olhou para ela.
- Hora de a gente tirar a roupa e ir para a cama  respondeu ele impaciente. Tinha esperado
por muito tempo.
A cabea de Serena parecia turva e ela morrida de vontade de beber um copo de gua.
- Estou me sentindo pssima  disse ela, sentando-se e esfregando a testa.  Vou para casa.
- Ah, qual ?  Chuck desligou a tv.  A gente pode fazer uma hidro primeiro. Voc vai se
sentir melhor assim.
- No  insistiu Serena.
- T legal  disse Chuck, irritado. Ele se levantou.  Tem gua na mesa. Coloca suas botas,
eu te acompanho at o txi.
Serena calou as botas e olhou a chuva fria caindo do lado de fora do quarto do hotel.
- Est chovendo  disse ela, bebendo um gole de gua.
Chuck passou o cachecol de cashmere azul para ela, sua marca registrada, com o
monograma C.B.
- Coloca na cabea. Anda, vamos.
Serena pegou o cachecol e seguiu Chuck para o elevador. Eles desceram em silncio. Serena
sabia que Chuck estava decepcionado porque ela estava indo embora, mas ela no ligava.
Mal podia esperar para sair para o ar fresco e para a prpria cama.
Um txi estacionou, e pster dos irmos Remi no teto. Serena pensou que parecia uma foto
de uma boca franzida num beijo.
- O que  isso? Marte?  brincou Chuck, apontando para o pster. Ele olhou para Serena sem
o menor sinal de humor nos olhos.  No,  o seu cu!
Serena piscou para ele. Ela no sabia se Chuck estava tentando ser engraado ou se
realmente pensava que a foto era isso.
Chuck abriu a porta do txi para Serena e ela deslizou para o banco traseiro.
- Obrigada, Chuck  disse ela com doura -, a gente se v depois, ta?
- Tanto faz.  Chuck se inclinou para o txi e empurrou Serena contra o assento.  Qual  o
seu problema, afinal? Voc est fodendo com Nate Archibald desde a oitava srie, e eu tenho
certeza de que trepou com cada cara do internato, e na Frana tambm. Pode me dizer o
que  demais para dar pra mim tambm?
Serena encarou Chuck nos olhos, vendo-o como ele realmente era pela primeira vez. Sempre
foi difcil gostar dele, mas nunca o odiou de verdade antes disso.
- Tudo bem, eu no queria transar com voc mesmo  desdenhou Chuck.  Ouvi dizer que
voc tem doenas.
- Fica longe de mim  sibilou ela, colocando as mos no peito dele e afastando-o. Ela bateu a
porta do txi na cara dele e deu o endereo ao motorista.
Quando o txi arrancou, Serena se abraou, olhando direto para a frente pelo pra-brisas
respingado de chuva. Quando o txi parou em um sinal na esquina da Broadway com a
Spring, ela abriu a porta, inclinou-se e vomitou no meio-fio.
Isso a ensinaria a no beber de estmago vazio.
O cachecol de Chuck oscilou em seu pescoo e uma ponta caiu na poa de vmito cor-de-
rosa no asfalto. Serena pegou o cachecol, limpou a boca com ele e o enviou na bolsa.
- Grosso - rosnou ela, batendo a porta do txi novamente.
- Leno, senhorita? - ofereceu o taxista, passando para ela uma caixa de lenos de papel.
Serena puxou um da caixa e limpou a boca com ele.
- obrigada.
Depois voltou a se sentar e fechou os olhos, grata, como sempre, pela gentileza de
estranhos.



- E a camisinha ou coisa parecida? - murmurou Blair, embasbacada com a ereo de Nate.
Parecia que ia dominar o mundo.
Ela conseguira tirar toda a roupa dele, e agora eles estavam se deitando na cama sobre as
cobertas. Ficaram se agarrando por quase uma hora. No aparelho de som, Jennifer Lopez
cantava Love Don't Cost a Thing e Blair fica cada vez mais excitada. Ela pegou a mo de
Nate e lambeu os dedos dele, chupando cobiosa a ponta de cada um deles. Teve a sensao
de que sexo ia ser muito melhor do que comida.
Nate rolou de costas enquanto Blair chupava seus dedos. Ficara to irritado por ter de ver a
Blair que nem jantou, e agora estava com fome. Talvez, quando fosse pra casa, pegasse um
burrito na lanchonete mexicana na Lexington Avenue. Era o que ele queria, um burrito de
galinha e feijo-preto com guacamole extra.
Blair mordeu com fora o dedinho mindinho de Nate.
- Ai! - gritou Nate, seu pnis desinflando como se tivesse sido furado por um alfinete. Ele se
sentou e passou as mos nos cabelos. - No posso fazer isso - murmurou ele  mei avoz.
- O qu? - Blair se sentou tambm. - Qual  o problema? - O corao dela desabou. Isso no
estava no roteiro. Nate estava estragando um momento perfeito.
Desajeitado, Nate pegou a cabea de Blair e olhou nos olhos dela pela primeira vez em toda
a noite.
- Tenho de te contar uma coisa. No posso fazer isso sem que voc saiba. Eu me sinto um
babaca.
Blair sabia pelo olhar de Nate que o momento no estava arruinado, estava morto.
- O que ?
Nate se abaixou e pegou as pontas da colcha. Colocou uma ponta em volta dos ombros de
Blair e passou a outra ponta pela prpria cintura. No parecia certo falar disso quando os
dois estavam nus. Ele pegou a mo de Blair novamente.
- Lembra o vero retrasado, quando voc foi para a Esccia, para o casamento da sua tia? -
comeou Nate.
Blair assentiu.
- Estava quente pra cacete naquele vero. Eu estava na cidade com meu pai, andando por a
enquanto ele ia a algumas reunies, essas coisas. Eu estava entendiado, ento liguei pra
Serena em ridgefield e ela veio.
Nate percebeu as costas de Blair se enrijecerem quando ele mencionou o nome de Serena.
Ela tirou a mo da dele e cruzou os braos sobre o peito, os olhos subitamente desconfiados.
- A gente bebeu um pouco e se sentou no jardim. Esta to quente, a Serena comeou a
espalhar a gua da fonte, depois espirrou gua em mim. E eu acho que fiquei meio
empolgado. Quer dizer... - Nate se atrapalhou. Lembrou o que Cyrus tinha dito a ele sobre
as garotas gostarem de surpresas. Bom, Blair estava prestes a ter uma surpresa e tanto, e
Nate achava que ela no ia gostar nem um pouco dessa.
- E o qu? - perguntou Blair. - O que aconteceu?
- A gente se beijou. - Nate inspirou fundo e prendeu a respirao. No podia deixar isso
assim. Soltou o ar. - E depois a gente transou.
Blair tirou a colcha dos ombros e se levantou.
- Eu sabia! - gritou ela. - Quem  que no transou com a Serena? Aquela nojenta, aquela
puta suja!
- Desculpe, Blair. Mas no foi assim, no foi nada planejado. S aconteceu. E foi s daquela
vez, eu juro. Eu no quero que voc pense que essa  minha primeira vez, porque no . Eu
tinha de contar a voc.
Blair pisou durou at o banheiro e apanhou o robe de cetim rosa do gancho. Vestiu-o,
apertando o cinto.
- D o fora daqui, Nate - disse ela, as lgrimas de raiva jorrando pela bochechas. - No
posso mais ver voc. Voc  ridculo.
- Blair...- implorou Nate. Por uma frao de segundo ele tentou pensar em alguma coisa
encantadora para dizer. Em geral ele conseguia pensar em alguma coisa, mas agora no
vinha nada.
Blair bateu a porta do banheiro na cara dele.
Nate se levantou e vestiu a cueca. Kitty Minky colocou a cabea sobre a cama e o encarou
acusadoramente, os olhos dourados da gata brilhando sinistros no escuro. Nate pegou o
jeans, a camisa e os sapatos e foi para a porta da frente. Mal podia esperar para comer o
burrito.

A porta da frente se fechou com um barulho surdo, mas Blair continuou trancada no
banheiro, parada diante do espelho, olhando seu reflexo molhado de lgrimas. o batom de
Serena ainda estava na pia, onde ela o havia deixado. Blair pegou-o com os dedos trmulos.
Gash, era como se chamava. Que nome feio.  claro que Serena podia usar brilho nos lbios
com nomes feios, impermeveis com buracos, sapatos velhos e sujos, nunca cortar o cabelo,
e ainda conseguir os caras. Blair grunhiu com a ironia de tudo isso e abriu a janela do
banheiro, atirando o batom para a noite e esperando ouvi-lo cair no cho abaixo. Mas no
conseguiu ouvir nada.
A cabea estava cheia demais do novo filme que estava elaborando.
O filme em que a fabulosa Serena van der Woodsen era atropelada por um nibus com
aquela foto idiota colada na lateral e era terrivelmente mutilada. A velha amiga Blair
arrumaria um tempo em sua vida ocupada com o marido apaixoado, Nate, para alimentar a
Mulher-elefante Serena com papinha de pra e contar a ela tudo sobre festas a que ela e
Nate tinham ido. Serena responderia com grunhidos e peidos, mas a caridosa Blair no
ligaria pra isso. Era o mnimo que podia fazer. Todo mundo chamaria de Santa Blair e ela
ganharia prmios por seu corao de ouro.


ser que s & n vo ficar juntos novamente?

Pouco antes da meia-noite, o txi encostou no nmero 994 da Quinta Avenida. Do outro lado
da rua, a escadaria do Metropolitam Museum of Art estava deserta, brilhando sinistramente
branca  luz dos postes. Serena saiu do txi e acenou para Ronald, o porteiro da noite, que
cochilava no saguo. A porta do prdio foi aberta, mas no por Roland. Era Nate.
- Nate! - gritou Serena, sinceramente surpresa. - Ei, me arranja cinco pratas? No tenho
dinheiro suficiente. em geral o porteiro me ajuda, mas acho que ele est dormindo.
Nate puxou um mao de notas do bolso e deu algumas ao taxista. Colocou o dedo nos lbios
e se aproximou de fininho da portaria do prdio. Depois chutou alto a porta de vidro.
- Ol!
- Ah, Nate. -Serena riu.- Voc  to mau!
Roland abriu os olhos de repente e quase caiu da cadeira. Depois, abriu a porta da frente. e
Serena e Nate correram para dentro e subiram pelo elevador ao apartamento de Serena.
Serena liderou o caminho at seu quarto e se sentou pesadamente na cama.
- Recebeu meu recado?- Ela bocejou para Nate, tirando as botas. -Achei que voc vinha hoje
 noite.
- No pude. - Nate pegou a pequena bailarina de vidro empoleirada na tampa da caixa de
jias de Serena. Tinha ps minsculos, como alfinetinhos. Ele tinha se esquecido dela.
- Bem, no era nada importante-suspirou Serena. Ela se deitou na cama. - Estou to
cansada. -Bateu na cama ao lado dela e chegou para o lado para dar lugar a Nate. - Vem
deita aqui e me conta uma histria pra dormir.
Nate colocou a bailarina de volta no lugar e engoliu em seco. Respirar o perfume do quarto
de Serena com Serena nele doeu em seu corao. Ele se deitou ao lado dela, os corpos se
tocando. Nate colocou o brao em volta de Serena e ela o beijou no rosto, aninhando-se
mais perto dele.
- Acabei de sair da Blair - disse Nate.
Mas Serena no respondeu. Sua respirao era estvel. Talvez j estivesse dormindo.
Nate ficou deitado, olhos bem abertos, a mente disparando. Ele se perguntou se agora ele e
Blair tinham terminado oficialmente. Perguntando-se como Serena reagiria se ele a beijasse
agora na boca e lhe dissesse que a amava. Perguntou-se se ele teria seguido em frente e
feito sexo com Blair se tudo tivesse corrido bem.
Nate deu uma olhada no quarto, vendo todos os objetos familiares amados com que tinha
crescido e dos quais se esquecera completamente. O ursinho de pelcia vestido com kilt
escocs que se sentava aristocraticamente na mesinha-de-cabeceira de Serena. O grande
armrio de mogno com suas gavetas meio abertas e todas as roupas cuspindo para fora . A
pequena marca de queimadura marrom que ele tinha feito na 7 srie no dossel branco
acima da cama.
No cho do quarto estava a bolsa de veludo vermelho de Serena. O contedo tinha sido
expulso. Um mao azul de Gauloises. Uma nota de vinte dlares. Um carto Amex. E um
cachecol azul-marinho com a letra C.B. gravadas em ouro.
Por que ela precisou pegar dinheiro emprestado com ele quando tinha 20 dlares?,
perguntou-se Nate. E que diabos ela estava fazendo com o cachecol de Chuck Bass?
Nate se virou para o lado e Serena murmurou algo enquanto sua cabea rolava no
travesseiro. Ele a analisou criticamente. Ela era to bonita, sensual e confivel, e no entanto
to cheia de surpresas. Era difcil acreditar que ela era mesmo real.
Serena estendeu o brao e o colocou em torno do pescoo de Nate, puxando-o para ela.
- Vem c - murmurou ela, os olhos ainda fechados. - Dorme comigo.
Todo o corpo de Nate se retesou. Ele no sabia se Serena queria dizer dormir ou dormir com
ela, mas ficou definitivamente excitado. Qualquer cara em seu juzo perfeito ficaria, e foi
exatamente isso que desestimulou Nate.
Havia algo to descuidado na forma como Serena tinha dito isso. Nate de repente no teve
dificuldade em imagin-la fazendo as coisas que soube que ela fez. Com Serena, tudo era
possvel.
Um brilho prateado capturou o olho de Nate. Era a minscula caixinha de prata que Serena
tinha na mesinha-de-cabeceira, cheia de seus dentes de leite. Toda vez que vinha aqui, ele
costumava abrir a caixinha forrada de veludo para ver se os dentes ainda estavam l. Mas
no desta vez. Pelo visto, Serena no era a mesma garota que tinha perdido aqueles dentes.
Nate afastou-a dele e se levantou. Pegou o cachecol de Chuck e o atirou na cama, sem
perceber que estava manchado de vmito. E depois, sem sequer olhar para Serena
novamente, bateu a porta atrs de si.
Covarde.
Ao som da porta se fechando Serena abriu os olhos e sentiu o cheiro do prprio vmito.
Nauseada, atirou as cobertas para trs e correu para o banheiro. Agarrou a borda da privada
e se inclinu sobre ela, o estmago doendo com o esforo. No saiu nada. Serena abriu o
chuveiro o mais quente que pde e puxou seu pegajoso vestido Pucci pela cabea, largando-
o no cho. S precisava era de um bom banho quente e um pouco de esfoliante.
Amanh ela estaria nova em folha.



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advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                        oi, gente!

O PROBLEMA DA VIRGEM

D pra acreditar em N? Ele esteve um tiquinho assim de pegar uma bela fatia da torta de B,
se esto entendendo. Acho que ele deve admirar seu autocontrole, sua capacidade de
manter a salsicha no po. Mas aposto que B realmente no teria se importado muito se N
tivesse ficado de boca fechada e seguido em frente em vez de ficar cheio de moral com ela e
contar tudo sobre a vez com S. Quer dizer, com quem B vai perder a coisa agora?
Eu estava erradasobre os meninos. Eu sempre pensei que eles fizessem de tudo para pegar
uma virgem. Quer dizer, eu pensei que N gostava da idia de que B nunca tivesse transado.
Mas ele no parece se importar com isso. Ele s consegue trepar com sua coisinha imensa
depois de apertar um baseado enorme e entornar meia garrafa de JD. Que decepo.
No que ele tenha sido rpido demais em saltar nos ossos de S, e ns sabemos bem que ela
no  virgem.
Talvez N s tenha padres morais elevados.
Oooh, isso me faz gostar dele ainda mais.

Seu e-mail
P: Oi, gossip girl,
eu vi S subir com um cara no Tribeca Star. ela estava um trapo. eu meio que fiquei tentando
a bater na porta e ver se tinha uma festa rolando l dentro ou qq coisa, mas amarelei. s
queria seu conselho. vc acha que ela transa comigo? quer dizer, ela parece facinha.
- Coop

R: Caro Coop,
Se voc  o tipo de cara que tem de perguntar, ento provavelmente a resposta  no. S
pode ser uma puta, mas tem excelete gosto.
- GG

Flagra
S um: N na lanchonete de burritos na Lexington, batendo papo com uma garota bonita
atrs do balco. Ela deu uma poro extra de guacamole a ele de graa. , aposto que ela
fez.

                                 Pra voc que me ama,

                                        gossip girl

a galera do west side pira na barneys

- Dan - sussurou Jenny, cutucando o peito do irmo. - Acorda.
Dan atirou o brao nos olhos e puxou os lenis.
- Cai fora.  sbado - murmurou ele.
- Por favor, acorda - gemeu Jenny. Ela se sentou na cama, cutucando-o repetidamente at
que ele tirasse o brao para olhar para ela.
- Qual  o problema? Me deixa em paz.
- No - insistiu Jenny. - A gente tem de fazer compras.
- T legal - disse Dan. Ele rolou na cama, virando a cabea para a parede.
- Por favor, Dan. Tenho de arrumar um vestido para a festa de sexta-feira e voc tem de me
ajudar. O papai me deu o carto de crdito dele. Ele disse que voc pode comprar um
smoking tambm. - Jenny deu uma risadinha. - Como se voc virasse o tipo de cara
esfarrapado que vai precisar de smoking e roupas e essa merda toda.
Dan rolou na cama.
- Eu no vou  festa.
- Cala a boca. Voc vai, sim. Voc vai e vai encontrar Serena e danar com ela. Eu apresento
voc a ela. Ela  totalmente bacana - murmurou Jenny toda alegrinha.
- No - disse Dan, obstinado.
- Bom, voc pode pelo menos me ajudar a comprar um vestido. - Jenny fez beicinho. -
Porque eu vou. E quero ficar legal.
- Papai no pode ir com voc? - perguntou Dan.
- Ah, t. Eu disse que queria ficar legal - zombou Jenny. - Voc sabe o que o papai me disse?
Ele disse: "Vai na Sears,  a loja de departamento do proletariado." Sei l o que isso quer
dizer. Nem mesmo sei onde  que fica a Sears, se  que ainda existe. de qualquer modo,
quero ir na Barneys. No consigo acreditar que nunca fui l. aposto que gente como Serena
van der Woodsen e Blair Waldorf vai l, tipo, todo dia.
Dan se sentou e bocejou alto. Jenny estava toda vestida e pronta para sair, com os cabelos
crespos puxados para trs num rabo-de-cavalo. Ela at j estava com o casaco e os sapatos.
Ela estava to bonitinha e anciosa que era meio difcil dizer no.
- Voc  um p no saco! - Dan se levantou e cambaleou para o banheiro.
- Voc sabe que me ama - disse Jenny atrs dele.
No que dizia respeito a Dan, a Barneys era cheia de babacas, como o cara que abiu a porta
para ele, sorrindo da forma mais idiota possvel. Mas Janny adorava o lugar e, muito embora
nunca tivesse ido ali, parecia saber tudo sobre a loja. Jenny sabia que no devia se importar
com os anderes inferiores, que eram cheios de roupas de estilistas que ela no podia
comprar, e foi direto para o andar de cima. Quando as portas do elavaos se abriram, ela
sentiu como se tivesse morrido e chegado ao cu. Tinha tantos vestidos bonitos pendurados
nas araras que ela salvou s de olh-los. Ela queria experimentar todos, mas  claro que no
podia.
Quando voc  uma 42 fica meio limitada. E definitivamente precisa de ajuda.
- Dan, d pra pedir quela mulher para me ajudar a encontrar um desses no meu nmero? -
sussurou Jenny, apontando uma caixa de um cintura-imprio de veludo prpura com alas
de contas. Ela puxou a etiqueta do preo. Seiscentas pratas.
- Meu Deus do cu! - exclamou Dan, vendo o preo por sob o ombro de Jenny. - Nem
pensar.
- S estou experimentando para me divertir - insistiu Jenny. - No vou comprar. - Ela ergueu
o vestido para si mesma. O corpete mal cobria seus mamilos. Jenny suspirou e colocou o
vestido de volta na prateleira. - Poderia pedir quela moa para me ajudar? - repetiu Jenny.
- Por que voc no pede? - Dan esfregou as mos na cala de veludo cotel e se encostou
numa prateleira de madeira.
- Por favor?
- T legal.
Dan andou a passos largos para uma mulher de aparncia abatida com cabelos louros
congelados. Parecia que trabalhava em lojas de departamentos a vida toda, s tirando frias
em um ano em Atlantic City, Nova Jersey. Dan imaginou-a fumando Virginia Slims como
louca numa praia, preocupada com as garotas na loja se virando sem ela.
- Posso ajud-lo, meu jovem? - perguntou-lhe a mulher. O crach dizia que seu nome era
"Maureen".
Dan sorriu.
- Oi. Pode ajudar minha irm a encontrar um vestido legal? Ela est bem ali. - Ele apontou
para Jenny, que estava vendo a etiqueta de preo de um drapeado de seda vermelha com
mangas franzinas. Jenny tinha tirado o casaco e estava usando uma camiseta branca. Dan
no podia negar. Os peitos dela eram realmente imensos.
- Sim,  claro - disse Maureen, andando decidida para Jenny.
Dan ficou onde estava, dando uma olhada no salo e sentindo-se totalmente deslocado.
Atrs dele, ouviu uma voz conhecida.
- Eu pareo uma freira, mo, eu juro. Est completamente errado.
- Ah Serena - lamentou outra voz. - Acho que est encantador. E se voc desabotoasse um
pouco a gola? Assim. Viu?  to Jackie O.
Dan girou o corpo. Uma mulher alta de meia-idade parecida com Serena estava parana com
metade do corpo para dentro da cabine de provas. A cortina estava ligeiramente aberta, e
Dan s p de ver parte do cabelo de Serena, a clavcula, os ps nus, as unhas dos ps
pintadas de vermelho-escuro. Suas bochecas arderam e ele correu para o elevador.
- Ei, Dan, aonde  que voc vai? - gritou Jenny atrs dele. Seus braos j estavam com uma
pilha alta de vestidos, e Maureen adejava com eficincia pelas prateleiras enquanto dava a
ela todo tipo de conselhos bons sobre sutis e as novidades nas roupas ntimas que
realavam as formas. Jenny nunca foi to feliz.
- Vou dar uma olhada nas coisas masculinas - balbuciou Dan, olhando nervoso para o lado
do salo onde tinha visto Serena.
- Tudo bem - disse Jenny alegremente. - Eu te encontro aqui em quarenta minutos. E se
precisar de ajuda, eu ligo pro teu celular.
Dan assentiu e saltou para dentro do elevador assim que a porta se abriu. No departamento
masculino, ele trotou para um balco e borrifou colnia Gucci nas mos, franzindo o nariz
com o forte aroma italiano do perfume masculino. Olhou o intimidador so revestido de
madeira, procurando por um banheiro para poder lavar as mos. Em vez disso, encontrou
um manequim todo vestido para a noite e, atrs dele, uma prateleira de smokings. Dan
passou os dedos pelo rico tecido dos palets e plhou as etiquetas. Hugo Boss, Clavin Klein,
DKNY, Armani.
Ele se imaginou descendo de uma limo usando um smoking Armani com Serena apoiada em
seu brao. Desciam pelo tapete vermelho que levava  festa, a msica palpitando em volta
deles e as pessoas se virando e dizendo "Oh" em voz baixa. Serena pressionaria sua boca
perfeita na orelha de Dan. "Eu te amo", sussuraria ela. Depois Dan a beijaria e pegaria no
colo, levando-a de volta para a limo. Foda-se a festa. Eles tinham coisa melhor para fazer.
- Posso ajud-lo, senhor? - perguntou um vendendor.
Dan se virou abruptamente.
- No, eu... - Ele hesitou e olhou para o relgio. Jenny levaria uma eternidade l em cima, e
por que no ele? J que estava ali. Ele pegou um smoking Armani e o mostou ao vendendor.
- Posso experimentar um desses no meu tamanho?
A colnia deve ter subido  cabea dele.
Jenny e Maureen tinham limpado completamente as prateleiras e Maureen enchera uma sala
de provas com dezenas de possibilidades em tamanhos variados. O problema de Jenny era
que ela vestia tamanho 36, mas seus peitos eram pelo menos tamanho 40. Maureen pensou
em um meio termo e pegou tamanho 40, deixando apertado no busto e folgado em todo o
resto.
Os primeiros vestidos foram um desastre. Jenny quase arrebentou um zper de um, tentando
desprende lo do suti. E o seguinte nem cobria os peitos. O terceiro era completamente
obsceno. O quarto coube mais ou menos, mas era laranja brilhante e tinha um franzido
ridculo em todo ele, como se algum tivesse o retalhado com uma faca. Jenny enfiou a
cabea pela cortina a procura de Maureen. Na porta ao lado, Serena e a me estavam
acabando de sair da sala de provas para o caixa.
- Serena! chamou Jenny, sem pensar duas vezes. Serena se virou e Jenny se enrubesceu.
No conseguia acreditar que estava falando com Serena van der Woodsen vestindo uma
roupa laranja com um franzido idiota.
- Oi Jenny  disse Serena, sorrindo exultante para ela. Foi ate Jenny e a beijou no rosto.
Jenny prendeu a respirao e agarrou a cortina para se sustentar. Serena van der Woodsen
a havia beijado  Caraa, que roupa mais doida. - Serena se inclinou para cochichar no
ouvido de Jenny  Sorte sua que sua me no esteja com voc. Tive de comprar o vestido
mais feio da loja.  Serena ergueu o vestido. Era longo, preto e totalmente lindo.
Jenny no sabia o que dizer. Ela queria ser o tipo de garota que podia se queixar de fazer
compras com a me. Queria ser o tipo de garota que podia reclamar de um vestido lindo ser
feio. Mas ela no era assim.
- Esta tudo bem, querida ?  perguntou Maureen, andando a passos largos e entregando a
Jenny uma geringona de suti sem ala para experimentar com os vestidos.
Jenny pegou o suti e olhou para Serena, o rosto ardendo.
-  melhor eu continuar experimentado essas coisas. Te vejo na segunda, Serena.
Ela fechou a cortina toda, mas Maureen abriu  a um pouco.
- Esse parece bom. - sugeriu ela, assentindo com aprovao para o vestido laranja  Fica
timo em voc.
Jenny fez uma careta.
- No tem preto?  perguntou ela
- Mas voc  nova de mais para usar preto.  disse Maurenn, franzindo o cenho.
Jenny tambm fez uma carranca e entregou a pilha de vestidos rejeitados a Maurenn,
fechando firmemente a cortina na cara dela.
- Obrigada pela ajuda.  Jenny puxou o vestido laranja pela cabea e tirou o suti, pegando
um vestido de seda  stretch preta que ela mesma tinha escolhido. Sem suti , ela o vestiu
pela cabea e sentiu a suavidade da roupa em todo o seu corpo.
Quando olhou para cima, a pequena Jenny Humprey tinha desaparecido da sala de provas.
Em seu lugar havia uma deusa do sexo poderosa e devassa.
Enfiada em um par de saltos altos e com um batom Chanel Vamp, era assim que ela ia.
Nenhuma garota nunca era nova de mais para usar preto.



brunch no domingo

No fim da manh de domingo, a escadaria do Metropolitan Museum of Art estava abarrotada
de gente. Turistas, principalmente, e moradores que tinham vindo em uma breve visita para
poder se gabar com os amigos e aparentar cultura.
Dentro do museu, estavam servindo um brunch na ala egpcia para todos os membros do
museu e suas famlias. A ala egpcia era um cenrio soberbo para festas noturnas  em ouro
brilhante e extica, com o luar brilhando dramaticamente em todas as modernas paredes de
vidro. Mas era totalmente inadequada para um brunch. Salmo defumado, ovos e faras
egpcios mumificados realmente no combinavam. Alem disso, o sol da manh brilhava to
forte pelas paredes de vidro obliquas que at a mais leve ressaca parecia dez vezes pior.
Quem foi o idiota que inventou o brunch ? O nico lugar decente para ele nas manhs de
domingo era a cama.
A sala estava cheia de mesas redondas e moradores recm - lavados do Upper West Side,
Eleanor Waldorf , Cyrus Rose , os van de Woodsen , os Bass, os Archibald e seus filhos
estavam ali,todos sentados em volta de uma mesa. Blair sentou  se entre Cyrus Rose e a
me ,mal humorada . Nate andou intermitentemente chapado, bbado ou inconsciente desde
sexta = feira, e parecia tonto e amarrotado, como se tivesse acabado de acordar. Serena
usava uma das roupas novas que tinha comprado com a me na vspera e estava com um
novo corte de cabelo, com camadas suaves emoldurando o rosto. Estava ainda mais bonita
do que nunca , mas nervosa e quicando depois de beber seis xcaras de caf. S Chuck
parecia tranqilo, bebericando satisfeito seu Bloody Mary.
Cyrus Rose cortou o omelete de salmo e alho- poro ao meio e a enfiou em um po de
centeio.
- Estou louco para comer ovo.  disse ele para ningum em particular, dando uma mordida
faminta  Sabe quando seu corpo diz que voc precisa de alguma coisa ? O meu esta
gritando : `' Ovo,ovo,ovo!'
E o meu est gritando : `' Cala a boca da porra!'' pensou Blair.
Blair empurrou seu prato para ele:
- Toma, fica com o meu. Eu detesto ovo.
Cyrus empurrou o prato de volta.
- No ,voc esta em frase de crescimento. Precisa dele mais do que eu.
- Ele tem razo, Blair.  concordou a me dela- Coma seu ovo.Vai fazer bem a voc.
-Ouvi dizer que ovo da brilho aos cabelos. - acrescentou Misty Bass
Blair sacudiu a cabea.
- Eu no como aborto de galinha.  disse ela, obstinada  Me da enjo.
Chuck estendeu o brao por sobre a mesa.
- Eu como, j que voc no quer.
- Ah,agora essa, Chuck  cacarejou a sra. Bass  No seja porco.
- Ela disse que no quer. No  ,Blair ?
Blair entregou  lhe o prato, com o cuidado de no olhar para Serena nem para Nate,
sentados ao lado de Chuck.
Serena estava ocupada cortando sua omelete em quadradinhos, como peas de palavras
cruzadas. Comeou a construir torres altas com ela.
Pelo canto do olho, Nate a observava. Ele tambm observava as mos de Chuck. Toda vez
que elas se enfiavam por sob a toalha da mesa e saiam de vista, Nate imaginava que
estavam na perna de Serena.
- Algum viu a seo Styles no Times hoje ?  perguntou Cryus , olhando para todos da
mesa.
Serena teve um estalo. Sua foto com os irmos Remi. Tinha se esquecido disso.
Franziu os lbios e afundou na cadeira, esperando por uma inquisio de seus pais e de
todos outros na mesa. Mas no teve nenhuma. Era parte do cdigo social no insistir no que
fosse constrangedor.
- Me passa o creme, Nate querido?pediu a me de Blair, enquanto sorria para Serena.
Ento fica combinado assim.
A me de Nate limpou a garganta.
- Como esta indo a festa do Beijo na Boca, Blair ? Vocs garotas esto prontas ?  perguntou
ela, balanando seu Seven- and Seven.
- Sim,estamos preparadas.  respondeu Blair com educao.  Finalmente , conseguimos
enviar todos os convites. E Kate Spade vai mandar as bolsas de brinde depois da aula de
quinta.
- Eu me lembro dos bailes que costumava organizar.  disse a sra. Van der Woodsen, com
uma expresso sonhadora.  Mas o que me preocupava neles eram se os meninos iam
aparecer.Ela sorriu para Nate e Chuck.- No precisamos nos preocupar com vocs dois, no
?
- Eu estou totalmente nessa.  confirmou Chuck esquartejando a omelete de Blair.
- Eu vou. - disse Nate, olhando para Blair, que agora o encarava.
Nate estava usando o mesmo suter de cashmere que ela lhe dera em Sun Valley. Aquele
com o corao de ouro.
- Com licena.  Blair se levantou de repente e deixou a mesa.
Nate a seguiu.
- Blair!  gritou ele,serpenteando pelas mesas, ignorando o amigo Jeremy ,
que acenava para ele do outro lado da sala.- Espera.
Sem se virar, Blair comeou a andar mais rpido , os saltos martelando o piso de mrmore
branco.
Eles chegaram ao corredor para os toaletes.
- Qual  , Blair. Desculpa ,ta bem ? Ser que a gente pode conversar ?  gritou Nate
Blair chegou a porta do banheiro das mulheres e se virou, empurrando  a pela metade com
o traseiro.
- Me deixa em paz ,ta bom ?  disse ela, rspida e entrou.
Nate ficou do lado de fora da porta por algum tempo com as mos no bolso,
pensando. Naquela manha, quando colocou o suter verde que Blair lhe dera,
encontrou um coraozinho de ouro costurando na manga. Nunca o tinha percebido antes,
mas era obvio que foi Blair quem o colocou ali.Pela primeira vez ele percebeu
o que ela quis dizer quando falou que o amava.
Foi muito intenso.E muito lisonjeiro.E meio que o fez quer - la novamente.No era qualquer
garota que costurava um coraao de ouro nas roupas.
Ele tinha esse direito.
Serena precisava desesperadamente fazer xixi, mas era demais para ela ficar no mesmo
banheiro que Blair. Mas, passados cinco minutos desde que Blair e Nate tinham sado,
Serena no agentou esperar mais. Levantou-se e foi para o toalete das senhoras.
Rostos conhecidos olharam Serena enquanto ela passava pelas mesas. Uma garonete
ofereceu-lhe uma taa de champanha. Mas Serena sacudiu a cabea e correu pelo corredor
de mrmore para os banheiros. Passos rpidos e pesados martelavam o cho atrs dela, e
ela se virou. Era Cyrus Rose.
- Diz a Blair para se apressar se ela quiser a sobremesa, est bem?
Serena assentiu e empurrou a porta do toalete das senhoras. Blair estava lavando as mos.
Ela olhou para cima, viu o reflexo de Serena no espelho sobre a pia.
- Cyrus disse para voc se apressar se quiser a sobremesa- disse Serena abruptamente,
andando para um reservado e batendo a porta. Ela puxou a calcinha e tentou fazer xixi, mas
no conseguiu, no com Blair por ali.
Serena no conseguia acreditar. Quantas vezes no passado ela e Blair foram ao banheiro
juntas, conversando e rindo enquanto ela fazia xixi? Ela perdeu a conta. E agora Serena se
sentia to nervosa na presena de Blair que no conseguia? Era de ferrar totalmente a
cabea.
House uma pausa silenciosa e estranha.
Voc no odeia pausas estranhas?
- Tudo bem,- Serena ouviu Blair dizer antes de sair do banheiro.
A porta se fechou, Serena relaxou e comeou a fazer xixi.
Cyrus pegou Nate no banheiro dos homens.
- Voc e Blair brigaram?- perguntou Cyrus. Ele abriu o fecho da cala e parou no mictrio.
Mas que sorte, Nate.
Nate deu de ombros enquanto lavava as mos.
- Mais ou menos.
- Deixe-me adivinhar, foi por causa do sexo, no ?- insistiu Cyrus.
Nate corou e puxou uma toalha de papel do suporte.
- Bom, meio que...- Ele realmente no queria entrar nessa.
Cyrus deu a descarga no mictrio e se juntou a Nate nas pias. Lavou as mos e comeou a
remexer na gravata cor-de-rosa brilhante com cabeas de leo em amarelo. Muito Versace.
Leia-se brega.
- As nicas coisas que levam os casais a brigar so sexo e dinheiro- observou Cyrus.
Nate ficou parado ali, as mos no bolso.
- Tudo bem, garoto. No vou dar nenhum sermo nem nada disso.  da minha futura
enteada que estamos falando. De jeito nenhum vou dizer a voc como entrar nas calas
dela.
Cyrus deu uma risadinha para si mesmo e saiu do banheiro, dando as costas para Nate, que
se perguntava se Blair sabia que Cyrus estava planejando se casar com a me dela.
Nate abriu a torneira e jogou gua fria no rosto. Olhou-se no espelho. Ficara acordado at
tarde com os garotos, brincando de jogos de bebida idiotas com Tomb Raider. Toda vez que
vissem os mamilos de Angelina Jolie, tinham de beber. Ele tentou afogar os pensamentos
sobre Blair e Serena no mximo de lcool que conseguiu engolir, e agora estava pagando por
isso. Seu rosto estava plido, tinha crculos marrons-arroxeados sob os olhos e as bochechas
estavam encovadas. Ele se sentia uma merda.
Assim que o maldito brunch terminasse, ele iria direto para o parque, para fumar ao sp e
dar uns tapas. A cura perfeita.
Mas antes tinha de azarar Balir um pouquinho. S o bastante para ela quer-lo de novo.
Esse  o cara!
Em vez de voltar para a mesa quando saiu do banheiro das mulheres, Blair atravessou a
sala, procurando pela mesa de Kati e Isabel.
- Balir! Aqui!- gritou Kati, batendo na cadeira vazia ao lado dela. Seus pais e os amigos
estavam trabalhando na sala, fazerndo a social, ento as meninas tinham uma mesa s para
elas.
- Toma- disse Isabel, entregando a Blair uma taa da champanha e suco de laranja.
- Obrigada.- Blair tomou um gole.
- Jeremy Scott Tompkinson acabou de sair daqui e tentou levar a gente ao parque com ele-
disse Kati. Ela riu.- Ele  meio bonitinh, sabe, de um jeito assim meio mauricinide.
Ei, que palavra legal!
Isabel se virou para Balir, revirando os olhos.
- Que chatura, n? E a sua mesa?
- Nem pergunte. Adivinha com quem eu estou sentada?
As duas meninas abafarm o riso. Elas no precisavam adivinhar.
- Viu aquele cartaz dela?- perguntou Isabel a Blair.
Blair assentiu e revirou os olhos.
- O que  aquilo afinal?- disse Kati.- O umbido dela?
Blair no tinha idia.
- Quem liga?
- Ela no tem vergonha- arriscou Isabel.- Eu realmente meio que lamento por ela.
- Eu tambm- concordou Kati.
- Bem, eu no- disse Blair, irritada.
Grrr.
Nate empurrou a porta do banheiro dos homens no momento exato em que Serena em que
Serena empurrou o das mulheres. Juntos, eles foram pelo corredor de volta  mesa.
- Nate- disse Serena, ajeitando a saida de camura marrom sobre as pernas.- Pode me
explicar por que no est falando comigo, por favor?
- Eu no deixei de falar com voc. T vendo, eu estou falando com voc agora.
- Quase nada.- disse Serena.- O que aconteceu? Qual  o problema? Blair disse alguma coisa
sobre mim?
Instintivamente, Nate pegou um frasco de usque que estava escondido no bolso do caaco.
Olhou para o piso de mrmore, evitando os belos olhos tristes de Serena.
- A gente devia voltar- sugeriu Nate, acelerando o passo.
- Legal- respondeu Serena, seguindo-o lentamente.
Ela estava com aquele gosto amargo de sal no fundo da garganta de novo, o gosto de
lgrimas. Tinha segurado o choro por dois dias e podia sentir uma mar chegando. De uma
hora para a outra, podia comear a soluar, e no seria capaz de parar.
Quando Nate e Serena assumiram seus lugares  mesa, Chuck deu uma risadinha para eles
como se soubesse de alguma coisa. Como  que foi?, seu rosto parecia dizer. Serena teve
vontade de bater nele.
Ela pediu outra xcara de caf e colocou quatro colheres de acar nele, mexendo e
mexendo, como se tentasse abrir um buraco na xcara, no pires, na mesa e no cho,
entocando-se em alguma tumba de fara onde podia chorar o quanto quisesse e ningum
iria encontr-la.
Nate pediu um Bloody Mary.
- Vamos virar!- declarou Chuck alegremente, batendo seu copo no de Nate e tomando um
grande gole.
Blair estava de volta  mesa. J havia devorado seu crme brule e estava comendo o da
sua me. Estava cheio de aborto de galinha, mas ela no ligou- ia vomitar tudo um minuto
depois, de qualquer forma.
- Ei, Blair- disse Nate delicadamente, fazendo com que Blair deixasse cair a colher com
estrondo. Ela sorriu e se inclinou na mesa.- Isso parece bom. Me d um pouquinho?
A mo de Blair agitou-se nervosamente para o corao. Nate sexy. Seu Nate. Meu Deus, ela
o queria. Mas no ia se entregar com tanta facilidade. Tinha seu orgulho.
Blair recuperou a compostura e empurrou o prato para ele, pegando uma bebida e
entornando o que estava dela em um gole s.
- Pode ficar com o resto- disse ela e se levantou- Com licena.- Depois saiu batendo os
saltos para enfiar a garganta dentos do banheiro das senhoras.
Algumas senhoras.


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advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                         oi, gente!

Achei S uma graa na foto da seo Styles do Times de domingo. Mas acho que os
professores dela no devem ter se emocionado ao ver seus martnis duplos em um dia de
aula. Para falar a verdade, estou meio cheia disso tudo. Quer dizer, no basta que a gente
tenha de ver aquela foto toda vez que usa um transporte pblico? Obviamente voc no est
enjoada ainda.


Seu E-mail

P: oi gg,
fui na exposio da galeria e vi sua foto. muito sexy. gosto da sua coluna tambm. voc 
demais.
- Bigf

R: cara Bigf,
Se voc no  um manaco, acho que estou lisonjeada.
- GG


P: Cara Gossip Girl,
Quando vi a foto de S no jornal, tive uma idia! Voc  a S? Se , voc  cheia de
segredinhos. Meu pai adora voc e quer que voc escreva um livro. Ele conhece um monte
de gente. Se me disser quem voc , ele pode te deixar famosa.
- JNYHY

R:Oi, JNYHY,
Voc  que  cheio de segredinhos. E no  para me gabar, mas eu estou mais para fama.
Quer dizer, infame. O que  um motivo a mais para no contar a voc quem eu sou.
- GG


Flagra

D foi visto devolvendo um smoking Armani lindo na Barneys e alugando outro muito mais
lindo numa loja formal. Sua irm, J foi vista comprando roupa ntima na La Petite
Coquette, embora esta tenha fugido com medo da ala. N foi visto comprando um grande
saco de maconha no Central Park. Me conta uma novidade a. B foi vista no salo J. Sisters
fazendo uma nova depilao com cera quente. A velha deve ter comeado a coar. S foi vista
com os ps para fora da janela do quarto, para secar as unhas. No acho que ela tenha
ficado tanto em casa a vida toda. Talvez ela deva ter um gato ou coisa assim. Miau.


DUAS PERGUNTAS

Primeira: Se voc soubesse de uma festa para a qual no foi convidado, voc no iria, s
para irritar as pessoas? Eu iria.
Segunda: Se voc decidisse ir  festa, no ia querer realmente irritar as pessoas estando
completamente linda e roubando o namorado de todo mundo? Definitivamente sim.

Mas quem sabe o que S vai decidir fazer? Essa garota  cheia de surpresas...

Pelo menos eu nos dei alguma coisa para pensar enquanto fazemos nosso p, tiramos a
sobrancelha e esprememos nossos cravos.

Vejo vocs na festa!

                                 Para voc que me ama,
                                       gossip girl




uma mudana de opinio

- Feio, feio, feio!  Serena embolou o novo vestido, atirando-o na cama.
Um lindo vestido Tocca? Ah, qual , como  que isso pode ser feio?
A cada dia dessa semana, Serena vestiu o uniforme marrom, foi para a escola, voltou para
casa, viu tv, jantou, viu mais um pouco de tv e foi dormir. Ela at fez o dever de casa. No
falou com ningum exceto os pais dela e os professores e talvez um oi de passagem para as
meninas da escola. Estava comeando a se sentir pela metade, uma sombra de seu antigo
eu, uma garota que as pessoas conheceram mas da qual no se lembravam mais. Os olhos e
os cabelos lhe pareciam inspidos, e o belo sorriso e o comportamento tranqilo tinham
sumido at segunda ordem.
Agora era sexta-feira, a noite da festa Beijo na Boca. E a pergunta que ela no conseguia
responder era: ir ou no ir?
H bem pouco tempo, antes de festas elegantes como esta, Serena e as amigas passariam
metade da noite juntas, se vestindo  bebendo gim-tnica, danando em volta da roupa de
baixo, experimentando os acessrios mais loucos. Mas nesta noite Serena esquadrinhou seu
armrio sozinha.
Havia uma cala jeans com um rasgo na perna de quando ela prendeu em uma cerca de
arame farpado em Ridgefield. O vestido de cetim branco que ela usou na festa de Natal da
stima srie. A velha jaqueta de couro do irmo. O tnis fora de moda que deviam ter ido
para o lixo anos antes. E o que era isso? Um suter vermelho de l  de Nate. Serena o
segurou para perto do rosto e o cheirou. Tinha o cheiro dela, no dele.


uma mudana de opinio

- Feio, feio, feio!  Serena embolou o novo vestido, atirando-o na cama.
Um lindo vestido Tocca? Ah, qual , como  que isso pode ser feio?
A cada dia dessa semana, Serena vestiu o uniforme marrom, foi para a escola, voltou para
casa, viu tv, jantou, viu mais um pouco de tv e foi dormir. Ela at fez o dever de casa. No
falou com ningum exceto os pais dela e os professores e talvez um oi de passagem para as
meninas da escola. Estava comeando a se sentir pela metade, uma sombra de seu antigo
eu, uma garota que as pessoas conheceram mas da qual no se lembravam mais. Os olhos e
os cabelos lhe pareciam inspidos, e o belo sorriso e o comportamento tranqilo tinham
sumido at segunda ordem.
Agora era sexta-feira, a noite da festa Beijo na Boca. E a pergunta que ela no conseguia
responder era: ir ou no ir?
H bem pouco tempo, antes de festas elegantes como esta, Serena e as amigas passariam
metade da noite juntas, se vestindo  bebendo gim-tnica, danando em volta da roupa de
baixo, experimentando os acessrios mais loucos. Mas nesta noite Serena esquadrinhou seu
armrio sozinha.
Havia uma cala jeans com um rasgo na perna de quando ela prendeu em uma cerca de
arame farpado em Ridgefield. O vestido de cetim branco que ela usou na festa de Natal da
stima srie. A velha jaqueta de couro do irmo. O tnis fora de moda que deviam ter ido
para o lixo anos antes. E o que era isso? Um suter vermelho de l  de Nate. Serena o
segurou para perto do rosto e o cheirou. Tinha o cheiro dela, no dele.
No fundo do armrio havia um vestido de veludo preto que Serena comprara com Blair em
uma loja chique. Era um vestido prprio para beber, danar e circular decorativamente em
uma casa enorme cheia de gente se divertindo. Lembrava a garota dos bons tempos que ela
fora na poca em que comprara o vestido  seu velho eu, a garota que fora at duas
semanas atrs. Ela deixou o robe cair no cho e colocou o vestido pela cabea. Talvez ainda
lhe conferisse parte de seu poder.
Descala, foi at o quarto de vestir dos pais, onde eles estavam se arrumando para um
evento de gala.
- O que vocs acham?  perguntou Serena, dando uma volta na frente deles.
- Oh, Serena, voc no vai usar isso. Diga-me que no  exclamou sua me, prendendo um
longo colar de prolas no pescoo.
- Qual  o problema dele?
-  uma velharia horrorosa  disse a sra van der Woodsen.   o tipo de vestido que
acompanharia minha av no caixo.
- O que h de errado com uma daquelas roupas que voc comprou com sua me na semana
passada?  sugeriu o sr. van der Woodsen.  No comprou nada para usar na festa?
-  claro que ela comprou  antecipou-se a sra. van der Woodsen.  Comprou um vestido
preto adorvel.
- Ele me deixa uma freira gorda  disse Serena, rabugenta. Colocou as mos nos quadris e
fez uma pose diante do espelho de corpo inteiro da me.  Gosto deste. Ele tem carter.
A me suspirou em desaprovao.
- Bem, o que Blair vai usar?
Serena olhou a me e piscou. Sob circunstncias normais, ela saberia exatamente o que
Blair usaria, at a calcinha. E Blair insistiria em comprar sapatos com ela, porque, se voc
compra um novo vestido, tem de ter um novo par de sapatos. Blair adora sapatos.
- Blair disse a todo mundo para usar um clssico  mentiu Serena.
A me estava prestes a responder quando Serena ouviu o telefone tocar em seu quarto. Era
Nate ligando para se desculpar? Blair? Ela correu pelo corredor descala, tropeando para
peg-lo.
- Al?
- E a, safada. Desculpe por no te ligar antes.
Serena respirou fundo e se sentou na cama. Era Erik, seu irmo.
- Oi.
- Eu te vi no jornal no domingo passado. Voc  maluca, ou o qu?  Erik riu.  O que a
mame disse?
- Nada. Posso fazer o que eu quiser agora. Todo mundo pensa que eu, tipo assim, estou
acabada ou coisa parecida.  Serena procurava as palavras certas.
- Isso no  verdade. Ei, o que  que t pegando? Voc parece triste.
-   disse Serena. Seu lbio inferior comeou a tremer.  T meio assim.
- Assim como? O que foi?
- Sei l. Tem uma festa que eu tenho que ir, e todo mundo vai. Voc sabe como  
comeou ela.
- Isso no parece to ruim  retrucou Erik com delicadeza.
Serena ajeitou os travesseiros na cabeceira da cama e se enfiou debaixo do edredom. Apoiou
a cabea nos travesseiros e fechou os olhos.
- , s que ningum mais fala comigo. Eu nem sei por qu, mas desde que voltei  como se
eu tivesse a doena da vaca louca ou coisa parecida  explicou ela. As lgrimas comearam
a cair de suas plpebras fechadas.
- E a Blair e o Nate? Eles devem estar falando com voc. So seus melhores amigos.
- No so mais  disse Serena baixinho. Agora as lgrimas jorravam livremente em seu
rosto. Ela pegou um travesseiro e apertou-o contra as suas bochechas para deter o choro.
- Bem, sabe o que eu acho?  tornou Erik.
Serena fungou e limpou o nariz nas costas da mo.
- O qu?
- Eles que se fodam. Totalmente. Voc no precisa deles. Voc  tipo a gata mais cool do
hemisfrio ocidental. Eles que se fodam.
- T  disse Serena dubiamente.  Mas eles so meus amigos.
- No so mais. Voc s est dizendo isso para se convencer. Pode ter novos amigos. Estou
falando srio, Serena. No deixe que esses babacas transformem voc numa babaca. Manda
eles  merda.
Era o perfeito erikismo. Serena riu, esfregou o nariz escorrendo no travesseiro e o atirou
pelo quarto.
- Tudo bem!  Ela se sentou.  Voc tem razo.
- Eu sempre tenho razo.  por isso que  to difcil me prender. A demanda por gente como
eu  enorme.
- Estou com saudade  disse Serena a ele, roendo uma unha cor-de-rosa.
- Eu tambm.
- Serena? Estamos indo!  Ela ouviu a me gritar do corredor.
- T legal,  melhor eu ir  disse Serena.  Te adoro.
- Tchau.
Serena desligou. Na beirada da cama estava o convite para a festa Beijo na Boca que Jenny
tinha feito para ela. Serena o rasgou e jogou na cesta de lixo.
Erik estava certo. Ela no tinha de ir a uma festa beneficente idiota s porque todo mundo
ia. Ela nem queria ir. Fodam-se. Ela era livre para fazer o que quisesse.
Serena levou o telefone para a mesa e vasculhou uma pilha de papis at achar a lista de
alunos da Constance Billard School, que tinha vindo com a correspondncia na segunda-
feira. Serena leu os nomes. No era a nica a matar a festa. Ela podia achar outra pessoa
com quem sair.



o vermelho ou o negro

- Fala  disse Vanessa, pegando o telefone. Ela estava se aprontando para ir com a irm e os
amigos, e estava usando um suti preto, jeans preta e seus Doc Martens. No tinha
nenhuma blusa limpa, e sua irm estava tentando convence-la a usar uma vermelha.
- Oi.  a Vanessa Abrams?  perguntou uma voz de mulher do outro lado da linha.
- . Quem fala?  Vanessa, de p diante do espelho do quarto, segurou a blusa vermelha no
peito. Ela no usava nenhuma outra cor havia dois anos. Por que deveria comear agora?
Ah, d um tempo. Vestir uma blusa vermelha no vai transform-la numa lder de torcida
saltitante com rabinho-de-cavalo louro. Ela teria de passar por uma lavagem cerebral para
chegar a isso.
-  Serena van der Woodsen.
Vanessa parou de se olhar no espelho e atirou a blusa na cama.
- Oh  disse ela.  E a?
- Tudo bem. Eu entendi totalmente voc querer a Marjorie no papel. Sabe, para seu filme?
Mas voc parece saber o que fazer, e eu realmente preciso de uma atividade extracurricular
ou a srta. Glos vai me matar. Ento, pensei em tentar fazer meu prprio filme.
- Ok.  concordou Vanessa, tentando imaginar por que, de todas as pessoas, era justamente
Serena van der Woodsen quem estava ligando para ela numa sexta-feira  noite. Ela no
tinha um baile ou coisa parecida? Alguma festa?
- Ento eu estava me perguntando se voc podia me ajudar. Sabe como , tipo me mostrar
a usar a cmera, essas coisas. Quer dizer, eu realmente no sei o que estou fazendo. 
Serena suspirou.  Sei l, talvez fazer um filme seja uma idia imbecil. Provavelmente 
muito mais difcil do que eu penso.
- No  imbecil  afirmou Vanessa, lamentando um pouco por Serena, involuntariamente. 
Eu posso te mostrar algumas coisas bsicas.
-  mesmo? - Serena pareceu exultante.  Que tal amanh? Pode ser amanh?
Sbado era o dia do vampiro de Vanessa. Em geral ela acordava ao anoitecer e ia jantar ou
ver filmes com a irm ou com Dan.
- No domingo  melhor.
- Tudo bem. Domingo  disse Serena.  Voc deve ter um monte de equipamentos e coisas
na sua casa, n? Eu podia ir at a, para voc no ter de carregar as coisas.
- Parece legal.
- Tudo bem.  Serena fez uma pausa. No estava muito ansiosa para desligar o telefone.
- Ei, no vai ter uma festona no prdio antigo da Barneys hoje  noite?  Perguntou
Vanessa.  Voc vai?
- No  respondeu Serena.  No fui convidada.
Vanessa assentiu, processando a informao. Serena van der Woodsen no foi convidada?
Talvez ela no seja assim to m.
- Bem, quer sair com a gente esta noite?  Vanessa se ofereceu antes que conseguisse se
reprimir.  Eu e minha irm mais velha vamos a um bar aqui em Williamsburg. A banda dela
vai tocar.
- Eu adoraria  disse Serena.
Vanessa deu-lhe o endereo do Five and Dime  o bar onde a irm estava tocando  e
desligou.
A vida era to estranha. Num dia voc est tirando meleca do nariz e comendo donuts, no
outro sai com Serena van der Woodsen. Ela pegou a blusa vermelha, vestiu-a e se olhou no
espelho. Parecia uma tulipa. Uma tulipa com uma cabea preta eriada.
- Dan vai gostar disso  disse a irm, parada na soleira da porta. Entregou a Vanessa um
batom vermelho. Vamp.
- Bem, Dan no vai sair hoje  noite.  Vanessa deu um sorriso afetado para a irm. Ela
abriu o batom e passou nos lbios.  Ele tem de levar a irmzinha numa festa chique.
Ela se olhou no espelho mais uma vez. O batom deixava seus olhos castanhos ainda
maiores, e a blusa era meio legal, de uma forma gritante, olha-eu-aqui.
Vanessa empinou o peito e sorriu convidativa para seu reflexo. Talvez eu tenha sorte,
pensou ela. Ou talvez no.
- Tem algum que vai se encontrar com a gente  informou Vanessa  irm.
- Homem ou mulher?  perguntou Ruby, virando-se para verificar a bunda no espelho.
- Mulher.
- Nome?
- Serena van der Woodsen.
- A garota da foto que est na cidade toda?  perguntou Ruby, passando gel nas mechas
pretas e grossas.
- Talvez  respondeu Vanessa.  Acho que vamos descobrir.



beijo na boca

- Que flores fantsticas  exclamou Becky Dormand, do primeiro grau da Constance. Ela
beijou Blair no rosto.  E que vestido demais!
- Obrigada, Beck.  Blair olhou para o vestido de cetim verde que estava usando. Tinha
ficado menstruada essa manh e estava usando uma calcinha extremamente fina com o
vestido. Isso a deixava nervosa.
Um garom passou com uma bandeja de champanha. Blair tirou uma flute rapidamente da
bandeja e a esvaziou em questo de segundos. Era a terceira at agora.
- Adorei seus sapatos  disse Blair. Becky estava usando sandlias pretas de salto alto com
tiras tranadas at os joelhos. Ficaram perfeitas com o tutu preto curto e o rabo-de-cavalo
superalto. Parecia uma bailarina do mal.
- Mal posso esperar pela bolsa de brindes  guinchou Laura Salmon.  Kate Spade, n?
- Eu soube que puseram at uma camisinha que brilha no escuro nela.  Rain Hoffstetter riu.
 No  legal?
- At parece que voc vai usar  disse Blair.
- Como  que voc pode saber?  ofendeu-se Rain.
- Blair?  Blair ouviu algum falar com a voz trmula.
Ela se virou para ver a pequena Jenny Humphrey parada atrs dela, parecendo um
Wonderbra humano com seu vestido de cetim preto.
- Ah, oi  cumprimentou Blair com frieza.  Obrigada novamente por fazer os convites.
Ficaram mesmo timos.
- Obrigada a voc por me deixar faz-los  disse Jenny.
Seus olhos dardejavam pela imensa sala, que pulsava de gente, msica e fumaa. Velas
pretas de um metro de altura em copos altos de vidro decorados com penas de pavo e
fragrantes orqudeas brancas tremulavam em toda parte. Jenny nunca tinha visto nada to
bacana em sua vida.  Meu Deus, eu no conheo ningum aqui.
- No?  Blair se perguntou se Jenny achava que ia conversar com ela a noite toda.
- No. Meu irmo Dan devia vir comigo, mas ela no quis vir, ento eu deixei ele pra l. Na
verdade, eu s conheo uma pessoa  disse Jenny.
- Oh. E quem ?
- Serena van der Woodsen  piou Jenny.  Vamos fazer um filme juntas. J falou com ela?
Exatamente nesse momento uma garonete brandiu um prato de sushi debaixo do nariz de
Blair, que pegou um sushi de atum parrudo e o enfiou na boca.
- Serena ainda no chegou  disse ela, mastigando faminta.  Mas tenho certeza de que vai
ficar encantada em ver voc.
- Ei, oi  disse uma voz profunda, pairando acima dela.
Jenny olhou para cima. Seus olhos deram na cara de comercial de loo ps-barba de Chuck
Bass e ela prendeu a respirao. Ele era o cara mais lindo que ela j vira, e estava olhando
direto para ela.
- No vai me apresentar?  Chuck olhava o peito de Jenny.
- A quem?  perguntou Jenny, franzido a testa.
Chuck riu e estendeu a mo. Blair o mandara conversar com alguma garota e ele tinha sido
ctico. Mas agora no. Olha o colo dessa menina! Definitivamente, esta era sua noite de
sorte.
- Meu nome  Chuck. Quer danar?
Jenny hesitou e olhou para a porta. Nada de Serena ainda. Depois voltou os olhos para
Chuck. No conseguia acreditar que um cara to lindo e seguro de si como ele ia querer
danar com ela. Mas ela no estava usando um vestido preto sexy para ficar sentada na
escada a noite toda. Ela se levantou, cambaleando mais do que antes, depois de tanto
champanha.
- Claro, vamos danar  balbuciou Jenny, caindo no peito de Chuck.
Ele passou o brao pela cintura dela e a apertou forte.
- Boa garota  disse ele, como se estivesse falando com uma cadelinha.
Enquanto tropeava para a pista de dana com ele, Jenny percebeu que Chuck nem tinha
perguntado seu nome. Mas ele era to lindo, e a festa to maravilhosa. Esta noite
definitivamente vai ficar como uma das mais memorveis de sua vida.
Sim. Vai mesmo.



o five and dime

- Eu sempre bebo rum e Coca-Cola  disse Vanessa a Serena.  A no ser que eu esteja
filmando. Mas voc bebe o que quiser. Eles tm de tudo por aqui.
Ruby estava pedindo as bebidas. Como era da banda, podia beber de graa.
- Acho que quero uma coisa diferente  refletiu Serena.  Posso tomar uma Stoli e uma Coca
separada?  perguntou ela a Ruby.
- Boa pedida - aprovou Ruby, que tinha cabelo preto bacana com fios curtos e estava usando
cala de couro verde-escuro. Ela parecia o tipo de garota que podia se virar sozinha em
qualquer lugar, a qualquer hora. O nome de sua banda era SugarDaddy, e ela era a nica
garota nela. Ruby tocava baixo.
- - E no se esquea da minha cerveja!  gritou Vanessa depois de Ruby ter sado para
pegar os drinques.
- Sua irm  incrvel  disse Serena.
Vanessa deu de ombros.
- . Mas ela  um p o saco pra mim. Quer dizer, todo mundo sempre diz "Ruby  to legal!"
e, para mim, "Se liga!".
Serena riu.
- Sei o que quer dizer. Meu irmo mais velho... ele foi para a Brown, e todo mundo gosta
dele. Meus pais sempre esto presentes em tudo o que ele faz; agora que voltei do internato
 tipo assim: "Oh, ns temos uma filha?"
-  isso a  concordou Vanessa. No conseguia acreditar que estava tendo essa conversa
ridicularmente normal com Serena van der Woodsen.
Ruby trouxe as bebidas.
- Desculpe, meninas, tenho de ir.
- Boa sorte  disse Serena.
- Obrigada, docinho. Ruby pegou o estojo do baixo e foi se encontrar com os companheiros
da banda.
Vanessa no acreditou. Ruby nunca chamava ningum de docinho, s Tofu, o periquito dela.
Serena certamente tinha um jeitinho especial de derreter o corao das pessoas. Vanessa
at j estava comeando a gostar dela um pouco. Ela pegou seu drinque e brindou com
Serena.
- s gatas supermaneiras  disse ela, sabendo que parecia seriamente gay, mas sem dar a
mnima para isso.
Serena riu e bebeu seu gole da Stoli. Enxugou os olhos e piscou algumas vezes. Um cara
meio desgrenhado usando um smoking grande demais estava entrando no bar. Ele parou na
soleira da porta e olhou para Serena como se tivesse visto um fantasma.
- Ei, no  o seu amigo Dan?  perguntou Serena a Vanessa, apontando para ele.

Dan estava usando smoking pela primeira vez na vida. Ele se sentiu elegante quando o
colocou, mas ainda assim no conseguiu lidar com a festa Beijo na Boca. Ento, quando
Jenny deixou que ele matasse a festa, ele veio par ao Five and Dime para se desculpar com
Vanessa por ter sido um mala com a histria da Marjorie.
Ele tentou se convencer de que no se importava de nunca mais ver Serena van der
Woodsen na vida. Afinal, disse ele a si mesmo, a vida era frgil e absurda.
A vida era mesmo frgil e absurda. Porque Serena estava ali. De todos os lugares do mundo,
estava em Williamsburg. A garota dos sonhos dele.
Dan se sentia a Cinderela. Enfiou as mos no bolso para evitar que tremessem e tentou
planejar o prximo movimento. Ele iria at l e ofereceria um drinque a Serena com a maior
elegncia. O pior  que a nica coisa elegante nele era a roupa. Mesmo que tivesse s
metade da elegncia que teria se tivesse comprado o smoking Armani na Barneys.
- Oi  disse Dan quando chegou  mesa, a voz falhando.
- O que est fazendo aqui?  perguntou Vanessa. No conseguia acreditar em sua sorte.
Tinha de ficar ruim desse jeito? Ento ela ia ter de ficar sentada ali pelo resto da noite vendo
Dan babar para Serena?
Desculpe, meu bem.
- Ca fora da festa Beijo na Boca. No  a minha  respondeu Dan.
- Eu tambm  disse Serena, sorrindo para Dan como ele nunca vira antes.
Dan se apoiou nas costas da cadeira de Vanessa para recuperar o equilbrio.
- Oi  disse ele tmido.
- Voc se lembra de Serena  afirmou Vanessa.  Ela  da minha turma na Constance.
- Oi, Dan. Belo smoking.
Dan corou e olhou para si mesmo.
- Obrigado.  Olhou para cima novamente.  E esse vetido... ... bonito tambm  gaguejou
ele. Nunca pensou que seria possvel ficar to retardado.
- E a minha blusa?  perguntou Vanessa em voz alta.  J me viu assim to gostosa?
Dan olhou para a blusa de Vanessa. Era uma camiseta vermelha. No era muito excitante.
-  nova?  sugeriu ele, confuso.
- Deixa pra l  suspirou Vanessa, girando impacientemente a cereja em seu copo.
- Puxa uma cadeira  disse Serena, afastando-se para abrir espao para ele.  A banda de
Ruby vai tocar daqui a pouco.
Os boatos no podiam ser verdadeiros. Serena no parecia uma manaca doida por sexo e
viciada em drogas. Ela parecia delicada e perfeita e excitante, como uma flor silvestre com
que a gente topa inesperadamente no Central Park. Dan queria pegar as mos dle ae trocar
sussurros com ela a noite toda.
Ele se sentou ao lado dela. Suas mos tremiam tanto que ele teve de se sentar em cima
delas para mant-las paradas. Ele a queria loucamente.
A banda comeou a tocar.
Serena terminou a vodca.
- Quer outra?  ofereceu Dan, ansioso.
Serena sacudiu a cabea.
- Eu t legal  disse ela, encostando-se novamente na cadeira.  Vamos ouvira a msica um
pouco.
- Tudo bem  disse Dan. Desde que ficasse perto dela, ele faria qualquer coisa.




como sempre, b est no banheiro e n est chapado

- Oi, todo mundo! - disse Jeremy Scott Tompkinson em voz alta, enscancarando as portas do
antigo prdio da Barneys.
Como sempre, Nate, Jeremy, Anthony e Charlie tinham fumado um bom baseado antes da
festa. Nate estava doido e, quando passou pela porta e viu Blair abrindo caminho entre as
pessoas com a mo na boca, comeou a rir.
- Est rindo de qu, imbecil? - perguntou Anthony, cutucando as costelas de Nate com o
cotovelo. - No aconteceu nada ainda.
Nate passou a mo no rosto e tentou parecer srio, mas era difcil ficar srio em uma sala
cheia de caras vestidos como pingins e de garotas com roupas sensuais. Ele sabia que Blair
estava no banheiro, vomitando, como sempre. A questo era, ser que devia ir l resgat-la?
Era o tipo de coisa que um namorado bom e preocupado faria.
Vai l. Voc sabe que quer ir.
- O bar  bem ali - indicou Charlie, liderando o grupo.
- Encontro vocs depois - disse Nate, passando pelas pessoas na pista de dana.
Ele passou por Chuck, que estava girando a virilha na bunca de uma garota baixinha de
cabelos crespos castanhos e um decote insano, e foi para o banheiro das mulheres.
Mas Blair no estava no banheiro das mulheres. Quando ia pra l, uma mulher de meia-
idade com um tailleur Chanel vermelho e um button "Salve os Falces" interrompeu seu
caminho.
- Blair Waldorf? - perguntou a mulher, estendendo a mo e dando seu melhor sorriso de
levantamento de fundos. - Sou Rebeca Agnelli, da Fundao Falco Peregrino do Central
Park.
Mas que hora horrorosa para isso.
Ela olhou a mo da mulher. Sua prpria mo direita estava grudada na boca, prendendo o
vmito que ameaava sair a qualquer momento. Blair comeou a tirar a mo para poder
cumprimentar a mulher, mas um garom passou por ela com espetos de frango apimentado
crepitando e ela sentiu nuseas.
Blair apertouos lbios para evitar que o vmito sasse pelos cantos da boca e trocou de mo,
usando a esquerda para cobrir a boca e estendendo a direita para cumprimentar Rebecca.
-  to maravilhoso finalmente conhecer voc - disse a mulher enquanto apertavam as
mos. - Nem sei como agradecer por tudo o que voc fez.
Blair assentiu e puxou a mo de volta. Chega. Ela no podia segurar mais. Seus olhos
dardejavam pela sala toda, procurando desesperadamente por ajuda.
L estavam Kati e Isabel, danando uma com a outra. Havia Anthony Avuldsen, estendendo
tabletes de Ecstasy. L estava Jeremy Scott Tompkinson, tentando ensinar Laura Salmon e
Rain Hoffstetter a fazer anis de fumaa no bar. L estava Chuck, segurando to apertado a
menina-boneca que parecia que os peitos dela iam explodir.
Todos os extras estavam ali, mas onde estava o protagonista, seu salvador?
- Blair?
- Ela se virou e viu Nate abrindo caminho pela multido em direo a ela. Os olhos de Nate
estavam injetados, o rosto frouxo e os cabelos despenteados. Ele parecia mais um ator
coadjuvante esquecvel do que um protagonista.
Era isso que ele era? Nate era isso?
Blair no tinha escolha. Arregalou os olhos, pedindo em silncio a Nate para ajudar e
rezando para que ele assumisse a tarefa.
A srta. Agnelli franziu o cenho e se virou para ver o que Blair estava olhando. Blair j
comeava a correr, e Nate chegou bem a tempo.
Graas a Deus ele estava chapado.
- Nate Archibald - cumprimentou ele, apertando a mo da mulher. - Minha me  uma
grande f de seus falces.
A srta. Agnelli riu e corou um pouco. Que rapaz encantador.
- Bem,  claro que ela . Sua famlia tem sido muito generosa com nossa fundao.
Nate pegou duas fltes de champanha de uma bandeja que passava e entregou uma a ela.
Ele ergueu sua taa.
- Aos pssaros - disse ele, brindando com ela e tentando conter um acesso de riso.
A srta. Agnelli corou novamente. Esse garoto era to gracinha!
- Ei, aquelas duas meninas ajudaram a planejar a festa tambm. - Nate apontou para Kati e
Isabel, que estavam paradas na margem da pista de dana, inteis como sempre. Ele
acenou para elas.
- Oi, Nate - disse Kati, cambaleando sobre saltos de dez centmetros.
Isabel agarrou seu drinque e olhou a mulher estranha parada ao lado de Nate.
- Oi. Adorei sua roupa.
- Obrigada, querida. Sou Rebecca Agnelli, da Fundao Salve o Falco Peregrino do Central
Park - disse a mulher. Ela estendeu a mo a Isabel, que abriu os braos para dar-lhe um
abrao de bbada.
- Com licena. - Nate aproveitou a deixa para escapulir.
_Blair? - Chamou Nate, empurrando cauteloso a porta do banheiro da mulheres. - Voc est
ai?
Blair estava agachada no ltimo reservado.
_ Merda - resmungou ela baixinho, limpando a boca com uma toalha de papel. Ela se
levantou e deu a descarga. - J vou sair - disse ela, esperando que ele fosse embora.
Mas Nate abriu completamente a porta do banheiro e entrou. Na bancada das pias havia
garrafinhas de Evian, perfume, spray para cabelo, Advil e creme para as mos. Ele
desatarraxou uma garrafa de gua e colocou um Advil na palma da mo.
Blair abriu a porta do reservado.
_ Voc ainda est a.
Nate estendeu a ela o comprimido e a gua.
_ Eu ainda estou aqui - repetiu ele.
Blair engoliu o comprimido, bebericando a gua lentamente.
_ Eu estou bem. Pode voltar para a festa.
_ Voc esta bonita. Nate ignorou o que ela dissera. Ele estendeu a mo e apertou o ombro
nu de Blair. A pele dela era quente e macia, e Nate quis se deitar com ela na cama e dormir
juntos como sempre fizeram.
_ Obrigada - disse Blair, o lbio inferior comeando a tremer. - Voc tambm.
_ Desculpe Blair. Eu relmente sinto muito - comeou Nate.
Blair assentiu e comeou a chorar. Nate pegou uma toalha de papel e estendeu a ela.
_ Acho que o nico motivo para o que eu fiz... quer dizer, prar o que eu fiz com a Serena... 
porque eu sabia que ela ia topar - prosseguiu ele, procurando pelas palavras certas.
_ Mas era voc que eu queria o tempo todo.
Essa foi boa.
Blair engolio em seco. Ele disse a coisa certa, exatamente do jeito que ela havia escrito em
seu roteiro mental. Ela colocou os braos em volta do pescoo do Nate e dexou que ele a
abraasse. As roupas dele cheiravam a maconha.
Nate a afastou e olhou nos olhos dela.
_ Ento est tudo bem de novo? Voc ainda quer ficar comigo?
Blair viu o reflexo dos dois juntos no espelho do banheiro, fitou os lindos olhos de Nate e
assentiu um sim.
_ Mas s se voc prometer ficar longe da Serena - fungou ela.
Nate enrolou uma mecha do cabelo de Blair no dedo e sentiu o aroma de seu perfume. Era
bom ficar parado ali, abraando-a. Era uma coisa que ele podia fazer. Agra e talvez para
sempre. Ele no precissava de Serena.
Ele assentiu.
_ Eu prometo.
E depois eles se beijaram- um beijo doce e triste. Em sua cabea, Blair podia ouvir a msica
crescendo, indicando o fim da cena. Tinha comeado de um jeito meio turbulento, mas pelo
menos terminou bem.
_ Vamos - disse ela, afastando-se e enxugando as manchas da maquigem de sob os olhos. -
Vamos ver que est aqui.
De mos dadas, eles saram do banhiro das mulheres. Kati Farkas deu um sorriso se
reconhecimento quando passou por eles na entrada do banheiro.
_ Gente - resmungou ela. - Arranja um quarto!



S e D se divertem

_ Essa banda  demais! - gritou Serena para Vanessa por cima das marteladas do baixo e da
bateria. Mexia o traseiro de um lado para o outro em seu cadeira, os olhor brilhando. Dan
no conseguia respirar normalmente. Ele mal tinha tocado na bebida.
Vanessa sorriu, satisfeita por Serena ter gostado da msica. Pessoalmente, ela odiava,
embora nunca tenha dito isso a Ruby. A SugarDaddy era cheia de gente que danava, suava
e sacudia o corpo, que definitivamente no era a praia de Vanessa.
Ela preferia se deitar no escuro para ouvir canto gregoriano ou coisa parecida. Creeedo!
_ Vamos l - chamou Serena, se levantando. - Vamos danar.
Vanea sacudiu a cabea.
_Para mim est bom - disse ela. - Vai voc.
_ Dan? - perguntou Serena, puxando as mangas do casaco dele. Dan nunca, jamais danou
na vida. Era pssimo nisso, e o fazia parecer um bobalho. Ele hesitou, olhando para
Vanessa, que ergueu as sombrancelhas, desafiando - o. Se voc se levantar e danar agora,
vai direto para o topo da minha lista de mans, era o que dizia o olhar dela.
Dan se levantou.
_Claro, porque no?
Serena pegou a mo dele e abriu caminho para o grupo que rodopiava, Dan cambaleando
atrs dela. Depois Serena comeou a danar, os braos erguidos sobre a cabea, batendo os
ps na frente e sacudindo os ombros. Ela definitivamente sabia danar.
Dan sacudia a cabea para cima e para baixo e balanava os joelhos no ritmo da batida,
observando-a.
Serena estendeu os braos e segurou os quadris de Dan, balanando-os de um lado para
outro, imitando o que seu quadris estavam fazendo. Dan riu e Serena sorriu e fechou os
olhos, curtindo muito. Dan fechou os olhos tambm, deixando que seu corpo a seguisse.
Realmente no importava se ele danava como um mongo, ou que fosse o nico ali a usar
smoking - provavelmento o nivo em Williamsburg. Ele estava com ela, era isso que
importava.
Sozinha na mesa, Vanessa primeiro terminou seu drinque e depois o de Dan. Depois se
levantou e foi se sentar no bar.
_Bonita blusa - observou o bartender quando a viu. Ele tinha uns vinte anos, cabelos ruivos
costeletas longas e um sorriso bonitinho e sacana. sua irm sempre falava como ele era uma
graa.
_Obrigada - disse Vanessa, sorrindo para ele. -  nova.
_Devia usar com mais freqncia - Ele estendeu a mo - Meu nome  Clark. Voc  Vanessa,
n? A irm da Rubby?
Vanessa assentiu. Ficou se perguntando se ele s estava sendo legal com ela porque gostava
da sua irm.
_Posso te conta um segredo? - perguntou Clark. Colocou um monte de coisas diferentes
numa coqueteleira e agitou.
Ah, porra, pesou Vanessa. Nesse ponto ele se abre e me conta tudo, que ele sempre foi
apaixonado pela Rubby, mas ela parece no perceber. Ele quer que eu banque o Cupido e
blablabla.
_O qu?
_Bem -disse Clark. - Vejo voc e Rubby aqui o tempo todo.
L vai ele, pensou Vanessa.
_E voc nunca apareceu aqui no bar e falou comigo. Mas eu meu que tive uma quedinha por
voc desde a primeira vez em que ti vi.
Vanessa o encarou. Ele estava brincando, n?
Clark despejou o drink da coqueteleira em um copinho baixo e espremeu umas limas nele.
Empurrou para Vanessa.
_Experimente este. Por conta da casa.
Vanessa pegou o copo e provou. Era doce e amargo ao mesmo tempo, e ela no conseguiu
sentir o gosto de lcool. Era bom.
_Como se chama?
_Me Beija - disse Clark. com a cara absolutamente sria.
Vanessa largou o drinque e se inclinou sobre o balco. Serena e dan podiam rebolar a bunda
a vida toda, se quisessem. Ela estava prestes a ser beijada.
A DJ da Beijo na Boca tinha rompido um namoro de quatro anos e no parava de tocar
canes de amor tristes e lentas.
Casais elegantemente vestidos se abraavam e balanavam com a batida melanclica, mal
se movendo sob as luzes suaves. O ar cheirava a orqudeas, cera de vela, peixe cru e fumaa
de cigarro, e havia uma sofisticao pacfica na noite que era ao mesmo tempo inesperada e
familiar. No era a festa batido que alguns esperavam, mas tambm no era uma festa
ruim. Ainda havia muita bebida, nada tinha se incendiado e os tiras no apareceram para
pegar a identidade das pessoas. Alm disso, o ano acabara de comear e haveria toneladas
de festas para ir.
Nate e Blar estavam danando juntos, a bochecha dela colado no peito dele, os dois de olhos
fechados, os lbios dele roando o alto da cabea de Blair, que tinha dado um tempo ao
crebro e sua cabela estava cheia de esttisca. Estava cansada de imaginar filmes. Agora
mesmo, a vida real convinha muito bem a ela.
A alguns casais de distncia, Chuck estava com as mos em cheio em Jenny Humphrey, que
queria que a DJ acelerasse o ritmo. Jenny estava tentando danar o mais rpido que podia,
para impedir que Chuck a apalpasse, mas procuzia o efeito oposto. Toda vez que mexia os
ombros, seus peitos saltavam do vestido e praticamente o atingiam no rosto.
Chuck estava absolutamente deliciado. Colocaou os braos em torno da cintura de Jenny e a
puxou para si, danando para longe da pista, em direo ao banheiro das mulheres.
_O que vamos fazer? - perguntou Jenny, confusa. Ela olhou nos olhos dele. Ela sabia que
Chuck era amigo de Serena e Blair, e queria confiar nele. Mas Chuck ainda no tinha
perguntado o nome dela. Ele mal falou com ela a noite toda.
_Eu s quero te beijar - disse Chuck. Inclinou a cabea para baixo e envolveu a boca de
Jenny na dele com tanta fora que ela arfou. Jenny abriu a boca e deixou que ele enfiasse a
lngua fundo at a sua garganta. Ela j havia beijado meninos antes, em brincadeiras de
festas. Mas nunca um beijo de lngua como aquele.  assim que deve ser?, perguntou - se
ela, de repente sentindo-se meio assustada. Estendeu os braos e empurrou o peito de
Chuck, afastando a cabea dele, desesperado por ar.
_Tenho que ir ao banheiro - murmurou ela, tropeando para um reservado atrs e trancando
a porta.
Ela podia ver os ps de Chuck, parado do lado de fora do reservado.
_Tudo bem - disse ele. - Mas ainda no terminei com voc.
Jenny se sentou na privada sem levantar o vestido e fingiu fazer xixi. Depois, levantou - se e
puxou a descarga.
_Pronto? - Gritou Chuck.
Jenny no respondeu. A mente disparava. O que ela devia fazer? Ansiosa, procurou o celular
em sua bolsinha.
Chuck se agachou para olhar por baixo da porta do reservado. O que ela estava fazendo ali,
a pentelhinha? Ele rastejou de quatro.
_T legal - disse ele. - Ento  isso, estou entrando.
Jenny fechou os olhos e se encostou na parede do reservado. Rapidamente, pressionou os
botes do nmero do celular de Dan, rezando para ele atender.
A banda de Rubby estava tocando a ltima msica, e Serena e Dan brilhavam de suor. Dan
executava uns movimentos novos, e estava no meio de uma largada para o lado com o
plvis quando seu celular tocou.
_Droga - resmungou, puxando o aparelho do bolso.
_Dan - ele ouviu a voz da irm. - Eu...
_Oi, Jen. Espera a, t? No consigo te ouvir. - Ele deu um tapinha no brao de Serena e
apontou para o telefone. - Desculpe! - gritou acima da msica. Voltou para a mesa e cobriu a
orelha livre com a mo. - Jenny?
_Dan? - A voz de Jenny parecia muito baixinha, assustada e distante. - Preciso de sua ajuda.
Pode vir me pegar?
_Agora? - Dan olhou para cima. Serena estava andando na direo dele, uma ruga de
preocupao no rosto perfeito.
_Est tudo bem? - gritou ela.
_Por favor, Dan? - implorou Jenny. Ela parecia realmente perturbada.
_Qual  o problema? - perguntou Dan  irm. - Voc no pode pegar um taxi?
_No eu... - A voz de Jenny tremia. Vem aqui, por favor, t bom, Dan? - Ela desligou
apressada.
_quem era? - disse Serena.
_Minha irmzinha. Est na festa. Quer que eu v busc - la.
_Voc vai?
_Vou, acho melhor ir. Ela estava meio estranha.
_Eu vou com voc - ofereceu - se Serena.
_Tudo bem - disse Dan, sorrindo com timidez. Esta noite estava ficando cada vez melhor. -
Seria legal.
_ melhor a gente dizer a Vanessa - sugeriu Serena, indo para o bar.
Dan a seguiu. Tinha se esquecido de Vanessa. Mas ela parecia que estava se divertindo,
converssando com o bartender.
_Ei, Vanessa - disse Serena, tocando no brao dela. - Dan acaba de receber uma ligao da
irm na festa. Ele tem de ir l para busc - la.
Vanessa se virou lentamente. Estava esperando que os olhos de Clark cassem em Serena.
Para que os globos oculares dele de repente registrassem a "linda garota" em letras pretas
garrafais como como cerejas numa caa - nqueis. Mas Clark s olhou Serena como se fosse
outra cliente qualquer.
_O que posso fazer por voc? - perguntou ele, colocando um guardanapo no bar diante dela.
_Ah, nada, obrigada. - Serena se virou para Vanessa. - Acho que vou com Dan.
_Ei, Serena,  melhor a gente ir - chamou Dan com urgncia atrs dela.
Vanessa virou-se e olhou para ele, esperando to ansiosamente por Serena. A lngua de Dan
estava praticamente pendurada na boca.
_T, ento bom fim de noite para voc - disse Serena. Ela se inclinou e deu um beijo no
rosto de Vanessa. - Diz para Rubby que eu achei ela incrivel. - Depois deslizou para se juntar
a Dan.
_A gente se v, vanessa - gritou Dan, virando - se para ir.
Vanessa se virou para Clark sem dizer uma palavra. Ela mal podeia esperar para beij - lo
novamente e esquecer tudo de Serena e Dan, saindo para passar a noite juntos.
_Quem so eles? - perguntou Clark, apoiando os cotovelos no balco. ele pegou uma
aceitona de um prato e a segurou diante dos lbios de Vanessa.
Vanessa mordeu a azeitona e deu de ombros.
_S umas pessoas que eu no conheo muito bem.



S encontra esperana
Dan fez sinal para o txi e abriu a porta para Serena. O ar de outubro estava claro e
cheirava a acar queimado, e Dan de repente se sentiu muito elegante e maduro - um
homem de smoking saindo com a linda garota. Deslizou para o banco traseiro ao lado dela e
olhou para as prprias mos, enquanto o txi se afastava do meio - fio. Elas no estavam
tremendo mais. Embora parecesse inacreditvel, ele tinha tocado Serena com essas mesmas
mos quando estavam danando. E agora ele estava sozinho com ela num txi. Se quisesse,
ele podia pegar a mo del, acariciar seu rosto, at mesmos beij - la. Ele olhou atentamente
para o perfil de Serena, sua pele brilhando na luz amarela dos postes, mas no encontrou
coragem para fazer isso.
_Meu Deus, eu adoro danar - exclamou Serena, deixando a cabea cair no encosto. Ela se
sentia completamente relaxada. - Eu podia danar pra valer toda noite.
Dan assentiu.
_Eu tambm - disse ele. Mas s com voc, ele queria acrescentar.
S uma garota como Serena para fazer um cara com dois ps esquerdos dizer que gosta de
danar.
Eles rodaram o resto do caminho em silncio, desfrutando a sensao de cansao nas pernas
e o ar frio que entrava pela janela aberta na testa suada. No havia nada de estranho no
fato de que eles no conversassem. Era legal.
Quando o txi encostou na frente do antigo prdio da Barneys na rua 77, Dan pensou que
Jenny estaria esperando por ele do lado de fora, mas a calada estava vazia.
- Acho que vou ter de entrar e peg-la l dentro  disse Dan. Ele se virou para Serena. 
Voc pode ir para casa. Ou pode esperar...
- Eu vou com voc  insistiu Serena.  Assim posso ver o que eu perdi.
Dan pagou o txi, eles desceram e foram para a porta.
- Espero que deixem a gente entrar  cochichou Serena.  Eu joguei meu convite fora.
Dan puxou do bolso o convite amassado que Jenny fizera para ele e mostrou ao segurana
da porta.
- Ela est comigo.  Dan colocou o brao em torno de Serena.
- Vai em frente  disse o segurana, acenando para eles.
Ela est comigo? Dan no conseguia acreditar em sua coragem. Ele no tinha idia da
dimenso daquilo tudo.
-  melhor eu procurar por minha irm  disse ele a Serena quando estavam l dentro.
- Tudo bem  respondeu ela.  Vejo voc aqui em dez minutos.

O salo estava cheio de velhos rostos conhecidos. To conhecidos que ningum ali tinha
muita certeza se Serena van der Woodsen acabara de chegar ou se ela esteve ali a noite
toda. Ela certamente parecia que tinha se divertido muito. Os cabelos estavam desgrenhados
pelo vento, o vestido escorregava dos ombros, havia um tremor em suas coxas e as
bochechas estavam completamente rosadas, como se ela tivesse corrido. Parecia dissoluta,
como o tipo de garota que fez o que todo mundo diz que fez e provavelmente muito mais.
Blair logo percebeu Serena, parada na beira da pista de dana naquele vestido velho
engraado que elas compraram juntas na Alice Underground.
Blari afastou-se de Nate.
- Olha quem est aqui  disse ela.
Nate se virou, apertando a mo de Blair quando viu Serena, como que para demonstrar sua
dedicao.
Blair retribuiu o aperto na mo.
- Por que no vai falar com ela? perguntou a ele.  Diz a ela que voc no pode mais ser
amigo dela.  Sua barriga roncava nervosamente. Afinal, depois de ter vomitado tudo, ela
realmente precisava de outro sushi de atum.
Nate olhou para Serena meio doido, com uma determinao implacvel. Se Blair achava
essencial que ele dissesse a Serena para sumir, ele ia fazer isso. Mal podia esperar para
deixar tudo para trs e poder relaxar. Na verdade, depois de falar com Serena, ele ia subir e
encontrar um lugar reservado para apertar um.
Regra nmero um do mauricinide: Quando o bicho pega, fume um baseado.
- Tudo bem.  Nate largou a mo de Blair.  L vou eu.

- Oi  disse Serena, dando um beijo no rosto de Nate. Ele corou. No esperava que ela
tocasse nele.  Voc est ma-ra-vi-lho-so, querido  completou ela, de um jeito tolo e ftil.

- Obrigado.  Nate tentou colocar a mo no bolso, mas seu smoking no tinha nenhum. Que
coisa idiota.  E a, o que  que t rolando?  perguntou ele.
- Bem, eu meio que fugi da festa  explicou Serena.  Fui danar num lugar muito doido no
Brooklyn.
Nate ergueu as sobrancelhas de surpresa. Mas nada que Serena dissesse iria surpreend-lo
mais.
- E a, quer danar?  perguntou Serena. Colocou os braos em volta do pescoo de Nate
antes que ele respondesse e comeou a balanar os quadris de uma lado a outro.
Nate olhou para Blair, que os observava cuidadosamente, e se retraiu.
- Olha, Serena  disse ele, dando um passo para trs e retirando os braos dela.  Eu no
posso... sabe como ... ser seu amigo... no como a gente era antes  comeou ele.
Serena olhou curiosa nos olhos dele, tentando ler seus verdadeiros pensamentos.
- O que foi que eu fiz? Eu fiz alguma coisa?
- Blair  minha namorada  continuou Nate.  Eu tenho de... Tenho de ser fiel a ela. No
posso... Realmente no posso...  ele engoliu em seco.
Serena cruzou os braos no peito. Se ao menos pudesse odiar Nate por ser to cruel e to
baixo. Se ao menos ele no fosse to bonito. E se ao menos ela no o amasse.
- Bem, eu acho que a gente deve parar de se falar, ento Blair pode ficar nervosa.  Ela
deixou os braos carem ao lado do corpo e se afastou abruptamente.
Enquanto atravessava o salo, os olhos de Serena encontraram os de Blair. Ela parou e abriu
a bolsa, procurando pela nota de vinte dlares que Blair tinha deixado na mesa da Tribeca
Star. Queria devolv-la. Como se de certo modo isso provasse que ela no tinha feito nada
de errado. Nem naquela noite nem nunca. Seus dedos encontraram os cigarros. Ela puxou
um e colocou nos lbios. A msica estava ficando mais alta e em volta dela as pessoas
danavam. Serena podia sentir Blair observando-a, e suas mos tremeram enquanto ela
vasculhava a bolsa procurando o isqueiro. Como sempre, no tinha um. Sacudiu a cabea
irritada e ergueu os olhos para Blair. E depois, em vez de se fuzilarem com os olhos, as duas
garotas sorriram.
Foi um sorriso estranho, e nenhuma das duas sabia o que a outra queria dizer com ele.
Ser que Blair estava sorrindo porque tinha conquistado o cara no fim e tinha pisado nos
sapatos de festa de Serena? Porque  como sempre - ela estava conseguindo o que queria?
Ser que Serena estava sorrindo porque se sentia pouco  vontade e nervosa? Ou estava
sorrindo porque no tinha se rebaixado ao nvel de Blair de espalhar boatos e brincar com a
cabea de Nate?
Ou era um sorriso triste porque a amizade delas tinha acabado?
Talvez estivessem sorrindo porque as duas, no fundo, sabiam que, no importava o que
viesse a acontecer  no importava por quem o cara tenha se apaixonado, ou que roupas
elas usavam, ou como foram seus testes de aptido, ou para que faculdades iriam -, as duas
ficariam muito bem.
Afinal,o mundo em que viviam cuida de tudo sozinho.
Serena tirou o cigarro da boca, largou-o no cho e comeou a andar na direo de Blair.
Quando as duas se estavam cara a cara, ela parou e pescou a nota de vinte dlares da bolsa.
- Toma  disse ela, estendendo a nota a Blair.   sua.  E depois, sem dizer mais nada, ela
continuou andando, direto para o banheiro das mulheres para jogar uma gua fria na cara.
Blair olhou para a nota na mo e parou de sorrir.
Perto da porta, Rebecca Agnelli, da Fundao Falco Peregrino do Central Park, vestia o
casaco de mink e dava um beijo de boa-noite em Isabel e Kati. Blair veio a ela e colocou a
nota de vinte dlares na mo dela.
-  para os pssaros  disse Blair com seu sorriso mais falso.  No se esquea da bolsa de
brindes!

Serena abriu a torneira e jogou a gua fria e limpa no rosto repetidas vezes. Era to bom
que ela queria tirar toda a roupa e mergulhar nela.
Ela se inclinou para a fila de pias, secando o rosto. Seu olhar deslizou para o cho, onde ela
viu um par de sapatos pretos, a ponta franjada de um cachecol azul e uma bolsa preta de
mulher.
Serena revirou os olhos e foi at l.
- Chuck,  voc?  perguntou ela na fresta da porta.  Quem est a com voc?
Uma garota arfou.
Chuck erguera Jenny em cima da tampa da privada no ltimo reservado e puxara o vestido
dela para baixo para que pudesse pegar aqueles peitos enormes. Serena tinha chegado na
pior hora possvel.
Chuck abriu a porta do reservado alguns centmetros.
- Foda-se  grunhiu ele.
Atrs dele Serena pde ver a pequena Jenny Humphrey, o vestido puxado para baixo at a
cintura, os braos pendendo, parecendo apavorada.
Algum empurrou a porta do banheiro.
- Jenny? Voc est a?  chamou Dan.
Serena de repente entendeu: Jenny era a irm de Dan. E estava prestes a ser traada por
Chuck.
- Estou aqui.  choramingou Jenny.
- Sai daqui.  Serena deu um tapa em Chuck, puxando a porta o bastante para que ele
passasse por ela.
Chuck a empurrou, afastando-a da porta do reservado.
- Ah, me desculpe, piranha  sibilou ele.  Da prxima vez eu vou me lembrar de pedir sua
autorizao.
- Um minutinho a, seu babaca  disse Dan, encarando Chuck.  O que  que est fazendo
com a minha irm?
Serena fechou a porta do reservado e ficou do lado de fora, esperando que Jenny descesse
da privada e se arrumasse antes que seu irmo a visse. Dentro, ela podia ouvir Jenny
fungando.
- Vai se foder  disse Chuck, empurrando Dan.
- Vai se foder voc, Porta-cachecol  retrucou Dan. Ele nunca tinha se metido numa briga
antes. Suas mos comearam a tremer de novo.
Serena odiava quando os meninos brigavam. Era to absurdo, e os deixava como babacas.
- Ei, Chuck  disse Serena, cutucando Chuck nas costas. Chuck se virou.  Por que no vai
se foder sozinho? Voc sabe fazer isso como ningum  sibilou ela.
- Sua puta  sibilou Chuck de volta.  Voc acha que pode voltar e agir toda superior e cheia
de poder depois de tudo o que fez? Acha que pode agir como uma princesa e dizer para mim
para eu me foder?
- O que foi que eu fiz, Chuck?  quis saber Serena.  O que  que voc acha que eu fiz?
Chuck lambeu os lbios e riu baixinho.
- O que voc fez?  perguntou ele.  Voc foi expulsa do internato porque  uma puta
pervertida que deixou marcas na parede acima da cama do seu quarto para cada cara que
pegou. Voc tem doena venrea. Voc  viciada em todo tipo de drogas e fugiu da
reabilitao, e agora est traficando seus prprios trecos. Voc era membro de alguma seita
que matava galinhas. Voc tem uma porra de um filho na Frana.  Chuck respirou fundo e
lambeu os lbios.
Serena estava sorrindo novamente.
- Caramba. Eu andei bem ocupada.
Chuck franziu o cenho. Olhou para Dan, que estava parado ali, observando em silncio com
as mos no bolso.
- Vai se foder, Chuck  sussurrou Serena.
Chuck deu de ombros e pegou uma garrafa de Evian da bancada.
- Como quiser, piranha  disse ele, empurrando Dan e saindo pela porta.
- Voc sabe que me ama!  gritou Serena atrs dele.
Dan bateu na porta do reservado.
- Jenny?  chamou ele delicadamente.  Est tudo bem?
Mais fungao.
Jenny no conseguia se controlar. Simplesmente no conseguia acreditar que, de todas as
pessoas do universo, tinha de ser encontrada daquele jeito por Serena van der Woodsen.
Serena deve pensar que ela  ridcula.
- Eu estou bem  finalmente Jenny conseguiu dizer. Ela pegou a bolsa no cho e abriu a
porta.  Me leva para casa.

Dan colocou o brao em torno da irm e Serena pegou a mo dela. Juntos, eles abririam
caminho pela festa lotada.
- Esperem! As bolsas de brindes!  gritou Rain Hoffstetter de seu posto na porta da frente.
Estendeu a Serena e a Jenny uma bolsa preta Kate Spade.
Dan empurrou as portas para abri-las e correu para a rua para chamar um txi. Quando
encontrou um, Serena entrou primeiro, depois Jenny e em seguida Dan. Jenny colocou os
ps na lombada do piso do carro e abraou os joelhos, descansando a cabea entre eles.
Serena estendeu o brao e remexeu seus cabelos castanhos crespos.
- Vocs vo para casa primeiro  sugeriu Serena.
Dan olhou para Jenny. Ela precisava ir para a cama.
- Tudo bem  concordou ele e deu o endereo ao motorista.
Serena se inclinou para trs, ainda acariciando os cabelos de Jenny.
- Uau  disse ela ironicamente.  No tinha tanto agito assim desde que sa do internato.
Dan a encarou, os olhos arregalados e confiantes.
- Ento, aquelas histrias...  comeou ele, depois corou.  Quer dizer, alguma coisa
daquelas aconteceu mesmo?
Serena franziu o cenho. Pegou um cigarro na bolsa e depois pensou melhor.
- Bem,o que voc acha?  perguntou ela.
Dan deu de ombros.
- Acho que  um monte de besteira.
Serena ergueu as sobrancelhas, meio sacana.
- Mas como voc pode ter certeza?  insistiu ela.
A boca de Serena estava aberta, os cantos tremiam. Seus olhos azuis brilharam na luz do
farol de um carro que passava.
No, Dan no podia imaginar que ela fizesse qualquer uma das coisas de que Chuck a
acusara. A nica coisa que ele podia imaginar Serena fazendo era beijando-o. Mas isso ia
ficar para depois.
- Eu s no vejo voc desse jeito.
Os cantos da boca de Serena se ampliaram e ela estava sorrindo novamente.
- timo  disse ela. Respirou fundo e deixou a cabea tombar de novo no encosto do banco.
Dan tombou a cabea ao lado da dela.
- timo  concordou ele, fechando os olhos.
Enquanto passavam velozmente pelos cartazes brilhantes e as luzes cintilantes da Times
Square, Serena ficou de olhos abertos. Ela sempre achou a Times Square feia e deprimente
se comparada com as ruas silenciosas e bem-cuidadas de seu bairro. Mas agora as luzes
brilhantes, o barulho e o vapor que subia das grades nas esquinas lhe deram esperana. Na
escurido do txi, ela estendeu a mo para Dan no mesmo momento em que ele estendia a
mo para ela.
Ela mal podia esperar para ver o que ia acontecer depois.



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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para
                         proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

                                         oi, gente!


Bem, eu me diverti muito na Beijo na Boca. Devo ter perdido uns dez quilos danando  no
que eu precise disso.

Nem preciso dizer que estou me sentindo tima.

Flagra

B e N na casa da cidade, juntos, na madrugada de sexta-feira. C, perambulando pela
Dcima Avenida, procurando ter sorte com alguma garota de Nova Jersey. D, J e o pai
desgrenhado tomando um caf da manh em famlia naquela lanchonete onde costumavam
gravar Seinfeld. V alugando filmes de terror com o novo namorado no Brooklyn. S
entregando uma bolsa Kate Spade preta para um sem-teto nas escadarias do Met.

Seu E-mail

P: Oi, GG,
S queria dizer a voc que estou escrevendo minha tese na faculdade sobre voc. Voc 
demais!
- Estudioso.

R: Caro Estudioso,
Estou lisonjeada... E a... como  que voc ?
- GG
PERGUNTAS E RESPOSTAS

Por que se preocupar com a faculdade? Tenho muito o que me divertir agora. E so tantas as
perguntas a serem respondidas:

Ser que S e D se apaixonaram? Ser que S no vai se cansar do veludo cotel dele?

Ser que J renuncia  alta sociedade e aos vestidos elegantes e se limita a ter amigas de sua
prpria idade (mesmo que elas nunca usem seu tamanho de suti)?

V ser domada e vai comear a usar todo tipo de cores brilhantes? E ela vai deixar crescer o
cabelo? Ser que ela e aquele bartender vo se envolver?

B vai ficar com N?

C vai parar de incomodar as garotas novas e admitir que  um man?

S realmente vai fazer um filme? Ela nunca sequer usou uma polaride.

Ser que as pessoas vo parar de falar de tudo isso?

 improvvel. Eu sei que no vou.  tudo to bom.

At a prxima.


                                  Pra voc que me ama,

                                        gossip girl

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